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48º Dia Mundial da Paz
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Comunicação de D. Manuel Felício, Bispo da Guarda: Rev. dos padres e diáconos Estimados Religiosos e Religiosas ou fiéis em outras formas de especial consagração, Caríssimos leigos e leigas, investidos em vários serviços

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Assembleia Diocesana 2017

Comunicação de D. Manuel Felício, Bispo da Guarda:
Rev. dos padres e diáconos Estimados Religiosos e Religiosas ou fiéis em outras formas de especial consagração, Caríssimos leigos e leigas, investidos em vários serviços na vida da igreja e vocacionados para a relação com o mundo, Caros delegados a esta assembleia; Irmãos em Cristo e amigos: Convosco dou abundantes graças a Deus por estarmos, finalmente, na 1ª sessão da nossa assembleia diocesana. Preparamo-la desde há quase quatro anos a esta parte. E na sua preparação usámos um primeiro instrumento para oferecer a todos a possibilidade de se pronunciarem sobre as grandes questões que nos preocupam e motivar as nossas comunidades, particularmente através dos seus mais directos colaboradores, a participarem na caminhada que nos conduziu ao dia de hoje. Esse primeiro instrumento foram os cadernos de orientação e deles o primeiro centrou-se na realidade da Igreja, tal como Jesus a fundou, o Evangelho a configura e o Concílio Vaticano II a reapresenta, em termos ajustados aos tempos e à cultura de hoje. É desse mesmo assunto que vamos tratar principalmente na presente sessão da nossa assembleia. Outro importante instrumento foi o documento preparatório, a que demos o nome técnico de “Instrumentum laboris” e que pretendeu assumir os pontos mais importantes das diferentes reflexões e comentários feitos na base, a partir dos referidos cadernos de orientação. Este documento foi trabalhado nas diferentes estruturas de participação que precisamos de valorizar cada vez mais na nossa vida comunitária, a saber: a) os conselhos paroquiais e interparoquiais, os conselhos pastorais arciprestais, o conselho pastoral diocesano e o conselho presbiteral. Trabalho decisivo desempenhou até agora a mesa desta nossa assembleia diocesana quer na feitura do dito “Instrumentum laboris” quer na recolha das sugestões e comentários que chegaram das diferentes instâncias que o trabalharam. Com base nelas elaborou as 20 proposições que nos foram enviadas e constituem a base do nosso trabalho de hoje. Felizmente que foi possível a cada um de nós recebê-las em sua casa para as ler antecipadamente, reflectir e eventualmente dialogar sobre elas com mais alguém, podendo agora estar em condições de as analisar em grupo e votar em plenário. Centrando-se estas 20 proposições no modelo de Igreja que nos cumpre viver e testemunhar nos dias de hoje, há grandes preocupações de fundo que vamos ter presentes ao analisá-las e votá-las. Cito algumas delas e a primeira é que a Igreja, no quotidiano das nossas comunidades, para cumprir a sua vocação de viver e crescer “até à estatura do próprio Cristo”, como nos lembra o Apóstolo Paulo, precisa de ministérios variados e bem coordenados para assim podermos progredir na comunhão da Igreja servida pela comunhão dos ministérios. E ao ministério ordenado dos sacerdotes e dos diáconos, longe da pretensão de assumir todos os serviços, pertence-lhe suscitar outros ministérios, formá-los, acompanhá-los e coordená-los para o exercício das funções que lhes estão cometidas. Desta forma cumprimos a nossa identidade de, enquanto Povo de Deus, sermos todos iguais, isto é partilhando a mesma dignidade de filhos de Deus e todos diferentes, ou seja portadores de variados carismas e ministérios, como lembra o citado Concílio Vaticano II. De facto, os ministérios existem não por causa de si mesmos e muito menos por causa das pessoas que os exercem, mas por causa da Igreja e da missão que lhe está confiada para serviço da própria comunidade humana. Por isso ninguém pode pretender ser chamado ao exercício de qualquer ministério para satisfazer gostos pessoais e para simples auto-promoção, ou para subir na hierarquia da importância social, como alguns pensam. De facto, por vontade do próprio Cristo, os ministérios, constituindo comunhão entre si, devem estar sempre e só ao serviço da comunhão da Igreja. Outra grande preocupação que nos há-de acompanhar-nos nesta assembleia, a começar pela sua primeira sessão no dia de hoje, é que a comunhão da Igreja constrói-se com a participação de todos, o que só se consegue através de um conjunto de instrumentos que são indispensáveis na nossa vida comunitária, porque, no dizer do Papa Francisco, nos colocam em constante caminhada de todos com todos em direcção à mesma meta. Esses instrumentos são os conselhos já referidos, desde o conselho paroquial ou interparoquial até aos conselhos pastoral diocesano e presbiteral, passando pelos conselhos pastorais arciprestais. E a essa caminhada de todos com todos em direcção à mesma meta chama-lhe o Papa caminhada sinodal, uma expressão há muito assumida na vida da Igreja. Por isso, a experiência de participação que até agora fizemos através destes mesmos conselhos, na percurso para presente assembleia é, já por si mesma, um primeiro fruto da caminhada sinodal em que nos envolvemos e que, nesta mesma assembleia e para além dela, queremos manter a profundar. Para isso precisamos de nos manter em constante reorganização dos nossos serviços, sejam os serviços centrais da Diocese, sejam aqueles que estão mais próximos das comunidades e das pessoas. E esta é a terceira grande preocupação que vai percorrer transversalmente as várias sessões da assembleia, a começar desde já. De facto, temos de saber reorganizar os espaços da vasta superfície da nossa Diocese da Guarda, à medida das reais necessidades das pessoas, das comunidades e do funcionamento dos próprios serviços; temos de saber aprofundar e optimizar a cooperação entre os vários serviços, a começar pelos sacerdotes entre si, com os diáconos e com os outros ministérios; e as próprias comunidades precisam de perceber que têm de saber cooperar mais, em vez de se fecharem sobre si mesmas e voltarem as costas umas às outras. Sobre este assuntos esperamos da assembleia indicadores reflectidos e assumidos que nos permitam avançar, de forma consistente no processo desta nossa reorganização. Lembro ainda que a experiência já vivida da nossa comunhão em Igreja, mas sobretudo os apelos da mensagem da Evangelho para percorrermos e ajudarmos outros a percorrerem caminhos de humanidade cada vez mais consistente não são para meter debaixo do alqueire, utilizando a expressão bíblica ou mantermos prisioneiros dos nossos hábitos e tradições, mas sim para transmitirmos a outros, para comunicarmos, com a maior eficácia possível, também a ambientes que se situam fora do círculo mais restrito das nossas vivências de Fé. Daí a importância de sabermos usar bem os meios de comunicação social ao serviço da evangelização, o que igualmente tem de nos preocupar nesta assembleia. De facto, nós estamos aqui como delegados à assembleia diocesana, transportando connosco um mandato missionário recebido do próprio Jesus Cristo; mandato esse que o Papa Francisco concretiza, convidando-nos a ser cada vez mais uma Igreja em saída para as diferentes periferias da nossa sociedade; e com desejo e capacidade para nos tornarmos hospital de campanha, na medida em que as diferentes necessidades e sofrimentos das pessoas o exigirem. Queremos, de facto, ser cada vez mais uma Igreja em comunhão para a missão, como se propõe, desde o seu início, a nossa caminhada sinodal. Para isso, durante toda esta nossa assembleia, começando já na sua primeira sessão vamos procurar escutar bem as moções do Espírito Santo, para identificarmos os caminhos que Ele, de facto, nos aponta. Confiamos a Nossa Senhora, a Virgem Maria, no centenário das aparições de Fátima, todos os nossos trabalhos, pedindo-lhe, como lembra a oração, que nos ajude a progredir “no testemunho da comunhão, no espírito de serviço, na Fé ardente e generosa, na justiça e no amor aos pobres”. 29.4.2017 +Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

Homenagem ao director do Jornal A GUARDA, Padre Eugénio da Cunha Sério

O jornal A GUARDA vai homenagear o Director, padre Eugénio da Cunha Sério, no dia 22 de Maio. Por ocasião das comemorações dos 113 anos de publicação, o semanário mais antigo do distrito e da diocese da Guarda pretende destacar o trabalho incansável do seu director, que antes foi colaborador e chefe de redacção e director adjunto.
Do programa da homenagem faz parte a celebração de uma Missa de Acção de Graças, às 19.00 horas, na Igreja da Misericórdia, presidida pelo Bispo da Diocese, D. Manuel Felício. Segue-se um jantar de confraternização, na Quinta de Santo António (Maçainhas – Guarda) e a apresentação do livro “Uma vida de Missão”. O Padre Eugénio da Cunha Sério, Director do Semanário Católico Regionalista A GUARDA, tem sido um timoneiro incansável, na divulgação e promoção de valores. Mentor de campanhas solidárias, nomeadamente a favor das obras do Centro Apostólico D. João de Oliveira Matos e do Seminário Maior da Guarda, dedicou muitos dos artigos, que escrevia com regularidade, no Semanário A GUARDA, aos acontecimentos que iam marcando o quotidiano da vida. De uma cultura geral invejável, o Padre Eugénio sempre soube transmitir, com leveza, educação e grande profundidade, os conhecimentos adquiridos em longas e meditadas leituras que ainda hoje o definem. Atento e conhecedor da realidade que o rodeia, num mundo que é cada vez mais uma aldeia global, não se poupa a esforços para ajudar a desvendar os mistérios dos tempos. Há muito que se impunha o reconhecimento público deste Homem que tanto tem feito pela GUARDA. A homenagem ao Director do Jornal A GUARDA é aberta a toda a comunidade. Os interessados em participar podem fazer a inscrição na Casa VERITAS (Guarda), até ao dia 18 de Maio.

Preparação do Sínodo sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” - Diocese promove inquérito para saber a opinião dos jovens

A Diocese da Guarda quer saber a opinião dos jovens no âmbito da preparação do Sínodo sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” que a Igreja Católica vai realizar em Roma, em 2018. O inquérito está disponível online (www.diocesedaguarda.pt) e pretende recolher dados, segundo os “lineamenta” que preparam o próximo Sínodo, “para serem posteriormente tratados e deles resultar a reflexão sobre o mundo juvenil”.
O inquérito é destinado aos jovens, com idades compreendidas entre os 16 e os 29 anos, a educadores, formadores, catequistas, sacerdotes e outros agentes da acção pastoral juvenil. De acordo com a introdução do inquérito, que estará disponível até ao fim do mês de Junho, “ele surge de uma releitura do questionário elaborado pelo Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, para, a pedido do Papa Francisco, ajudar a Igreja a que se interrogue sobre o modo como acompanha os jovens, no seu percurso de fé e de discernimento vocacional”. Ao longo do inquérito, os participantes são convidados a assinalar, com uma cruz, as respostas que lhes pareçam as mais adequadas. Ao longo do inquérito, os jovens são convidados a pronunciarem-se sobre três pontos centrais: Jovens, Igreja e Sociedade; A pastoral juvenil vocacional; Os Acompanhadores. Em relação ao primeiro ponto são formuladas as seguintes questões: Em que âmbitos/ espaços pode a Igreja escutar os jovens?; Quais os maiores desafios para os jovens da nossa Diocese? Quais as maiores oportunidades para os jovens da nossa Diocese?; Quais os lugares e formas de reunião para os jovens, dentro da Igreja? Quais os lugares e formas de reunião mais vocacionados para os jovens, fora do contexto da Igreja?; O que pedem os jovens à Igreja da Diocese da Guarda?; Em que âmbitos participam os jovens na vida cristã da Diocese da Guarda?; Como encontrar os jovens que estão “fora” da Igreja?; Em que espaços os podemos encontrar? No segundo ponto são estas as perguntas: Como participam as famílias e as comunidades cristãs no discernimento vocacional dos jovens?; Como participam os estabelecimentos de ensino na formação e desenvolvimento do discernimento vocacional dos jovens? Qual o valor do desenvolvimento tecnológico na mudança cultural a que assistimos?; Que importância têm os acontecimentos juvenis nacionais e internacionais na pastoral juvenil?; Como se projecta o futuro da pastoral juvenil e vocacional?; Como valorizar o passado cristão da Europa para pensar o futuro com esperança?; Como valorizar a insatisfação dos jovens face ao contexto socio-económico e político a fim de que essa insatisfação transforme os jovens nos agentes da mudança que eles mesmos desejam? Que níveis de relação inter-geracional permanecem ainda?; Das práticas de acompanhamento e discernimento vocacional desenvolvidas pela Diocese da Guarda quais as que consideras mais importantes? O último ponto pretende respostas para as seguintes perguntas: De que forma os sacerdotes acompanham o discernimento vocacional dos jovens?; Como promover a formação dos que acompanham os jovens no seu discernimento vocacional?; Que acompanhamento pessoal se deverá propor com maior preocupação nos Seminários?

Educação - Bispo da Guarda apela à matrícula nas aulas de Educação Moral e Religiosa Católica

O Bispo da Guarda publicou uma mensagem na qual convida “os pais e encarregados de educação que matriculam os seus educandos no Ensino Básico e Secundário” a fazerem a matrícula nas aulas de Educação Moral e Religiosa Católica.
D. Manuel Felício refere que está em preparação o novo ano escolar, “que todos desejamos seja de verdadeiro crescimento para as nossas crianças, adolescentes e jovens, nas suas escolas”. Lembra que “em todos os programas do Ensino Básico e Secundário, desde o primeiro ano, a lei prevê a oferta da disciplina curricular de Educação Moral e Religiosa Católica”. E acrescenta: “Pretende esta oferta proporcionar aos nossos educandos, desde o primeiro ano do Ensino Básico, um desenvolvimento no qual os valores morais e religiosos acompanhem e iluminem os diferentes saberes que são propostos na escola e também ajudar as nossas crianças, adolescentes e jovens a abrirem o seu entendimento para as dimensões mais belas da vida”. D. Manuel Felício diz ainda que “esta é a hora de lembrar aos pais e encarregados de educa¬ção, como também aos próprios alunos, que vale a pena gas¬tar tempo e fazer esforço para descobrir e abraçar com entusiasmo as dimensões moral e religiosa da vida e que sem elas a componente verdadeiramente humana do ensino fica incompleta”. Na mensagem aos pais e encarregados de educação, o Bispo da Guarda lembra “o exercício da responsabilidade pes¬soal no momento da matrícula, onde se propõe a escolha desta disciplina curricular”.

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48º Dia Mundial da Paz
alt Dia 1 de janeiro de 2015 – Homilia de D. Manuel Felício Louvemos o Senhor que nos dá a graça de iniciarmos mais um ano. Agradecemos-lhe o tempo que até agora nos deu para vivermos e peçamos a sua graça e companhia, ao começarmos um novo ano. Iniciamos este novo ano sob a protecção de Nossa Senhora, pois que hoje celebramos a solenidade de Santa Maria Mãe de Deus. Como é habitual, o Santo Padre, o Papa Francisco, ofereceu à Igreja e também à sociedade uma mensagem sobre o 48º Dia Mundial da Paz, que hoje se celebra. E o assunto que nela nos é proposto vem enunciado também na leitura da carta aos Gálatas que hoje escutámos e onde se diz: “Já não és escravo, mas filho”. Já não escravos, mas irmãos é o título que o Santo Padre dá à mensagem, que, no dia de hoje, dirige à Igreja e ao mundo. O tempo que passa é sempre a oportunidade que Deus nos dá para nos abrirmos à sua oferta de salvação; a oportunidade de colaborarmos com Ele na obra de levar a criação ao seu pleno cumprimento. Podemos dizer que o tempo nos dá a oportunidade de completarmos, em comunhão com o criador, a obra por Ele iniciada. E é também pela forma como fazemos a gestão do nosso tempo, o aplicamos desta ou daquela forma, como o aproveitamos mais ou aproveitamos menos que seremos julgados. Ou melhor, já estamos a ser julgados em cada momento que passa, por nós mesmos e pelas outras pessoas, atendendo à obra realizada. Em todo este processo, em que somos chamados a aproveitar o tempo para nossa construção pessoal e comunitária e para organizar o mundo que nos envolve, não estamos sozinhos, porque Deus está sempre connosco, acompanha-nos, embora discretamente, em tudo o que decidimos e realizamos. Mas precisamos de estar também com outras pessoas e que elas estejam connosco, sempre no propósito de fazer pro¬gredir a sociedade e o mundo em contínuo aperfeiçoamento. Esse é o sentido da bênção que Deus, através de Moisés e seus colaboradores, distribui pelo povo, como refere o Livro dos Números. A companhia de Deus faz-se sentir na protecção que Ele constantemente nos dispensa, mas sobretudo no facto de Ele se querer comunicar ao mundo através da vida de cada pessoa e sua comunidade, depois de se ter revelado, em plenitude, na Pessoa de Seu Filho Único Jesus Cristo. Por isso, a máxima expressão da dignidade de cada pessoa dá-se quando ela sente que é amada por Deus, mandatada para O anunciar e portadora dos seus bens. E entre esses bens, o Livro dos Números hoje enumera a paz. De facto, a paz, tão desejada por todos os seres humanos, mas tão fragilizada pelos muitos erros de pessoas e grupos, continua a ser um bem essencial, embora escasso, um bem que só o esforço dos políticos e as estratégias deste mundo não conseguem realizar. Mas nós continuamos a acreditar que a paz é possível, porque absolutamente necessária ao bem estar da humanidade e porque o próprio Deus não cessa de no-la oferecer. Já não somos escravos, mas irmãos, escreve o Papa em título da sua mensagem para o dia de hoje. E vai buscar um exemplo bíblico descrito por S. Paulo, na sua carta a Filémon, onde o apóstolo recomenda a Filémon o escravo Onésimo, a fim de o tratar não já como escravo, mas como irmão em Cristo, porque baptizado. Este exemplo bíblico dado pelo Papa Francisco, indica, de facto, que, ao longo da história humana, houve períodos muito prolongados em que a escravatura de pessoas humanas era aceite e reconhecida pelas leis vigentes, como sendo um facto de direito. E essa situação histórica, mesmo nos países ditos evoluídos, passou pelo século das luzes, pois só no século XIX se deu por anulada a aceitação legal da escravatura no mundo livre, assim chamado. Como a este propósito refere o Papa, hoje, na sequência de uma evolução positiva da consciência da humanidade, a escravatura foi formalmente abolida no mundo. Mas, apesar deste passo, altamente positivo na história da humanidade, continua o Papa, ainda hoje há milhões de pessoas privadas da liberdade e constrangidas a viver em condições semelhantes às da escravatura. E enumera uma série de situações que, por si mesmas, constituem novas formas de escravatura. É o caso de pessoas obrigadas a trabalhar em condições desumanas e de outras a quem pura e simplesmente é negado o direito ao trabalho. São casos de migrantes enganados ou a quem se retira a possibilidade de reclamarem os seus direitos. O Papa enumera também casos de compra e venda de pessoas para fins de utilização de seus órgãos ou para comércio sexual. Denuncia igualmente o facto de continuar a haver crianças maltratadas até à morte, outras vezes obrigadas a pegar em armas ou então sequestradas para serem utilizadas como moeda de troca por grupos terroristas. Por estranho que pareça, práticas como estas estão a acontecer em pleno século XXI e constituem por si mesmas desafio à consciência da humanidade, na medida em que significam, de facto, um retrocesso na caminhada civilizacional, feita principalmente nos últimos séculos, rumo à defesa sem condições da dignidade da pessoa humana. E, na realidade, é a defesa da dignidade de cada pessoa e de todas as pessoas que está em causa. Porque nunca pessoa alguma pode ser tratada como objecto de que outros possam dispor seja para que fins for. Pelo contrário, cada pessoa é sempre sujeito e como tal indisponível para qualquer espécie de manipulação. A sua liberdade e autonomia são bens inalienáveis, como também a vocação para a comunhão e a relação fraterna, que tem de ser promovida por todos e em todo o lugar. É por isso que as pessoas têm de estar sempre em primeiro lugar, quando se trata de organizar a sociedade, a começar pelos processos económicos de produção e consumo. Precisamos de ver, nas nossas sociedades, com mais transparência, que a economia está sempre ao serviço das pessoas e nunca as pessoas instrumentalizadas pela economia, seja em que circunstâncias for. E aqui é legítimo pedir aos responsáveis pela organização da sociedade, como o faz o Papa, vigilância constante e de forma concertada entre as várias instâncias responsáveis pela promoção do bem das pessoas e das comunidades. O Papa Francisco diz que, nesta matéria, é preciso prevenir, quanto possível, mas também, quando as circunstâncias o exigem, urge utilizar as competências da autoridade, incluindo o recurso aos tribunais. Iniciamos o novo ano invocando a protecção de Nossa Senhora, na solenidade que lhe é dedicada de Santa Maria Mãe de Deus. De Maria nasceu Jesus Cristo, a grande bênção para toda a humanidade. Como diz a carta aos Gálatas que hoje lemos, Jesus Cristo, nascido de uma mulher como qualquer outro ser humano, neste caso nascido de Maria Santíssima, sua Mãe, é o grande dom de Deus á humanidade. N´Ele e por Ele cada pessoa é chamada a assumir o estatuto de filho de Deus. Em Cristo tornamo-nos filhos adoptivos de Deus, como lembra S. Paulo e desse estatuto faz parte que já não somos escravos, mas filhos e, portanto, livres. É essa liberdade de filhos de Deus que, concretamente ao longo de todo este ano, queremos cultivar para nosso bem e de toda a sociedade. E queremos cultivá-la em nós, mas também ajudar outros a progredirem na mesma liberdade. Como aconteceu com os pastores que se dirigiram apressadamente ao encontro do Menino anunciado pelo anjo, também nós queremos experimentar a alegria do encontro com o Salvador Jesus Cristo, ele que é o fim de todas as escravaturas e a fonte da verdadeira liberdade. Como Maria guardava e meditava em seu coração as maravilhas do próprio Deus revelado na pessoa de Cristo, também nós desejamos progredir na descoberta do Mistério do nosso Salvador Jesus Cristo com todas as suas implicações na construção da vida das pessoas e da própria sociedade. O ano de 2015 é também o ano da realização do Sínodo Ordinário sobre a Família, depois do Sínodo extraordinário realizado em Outubro passado. Que Maria Santíssima, Senhora Mãe de Deus e nossa Mãe, proteja todas as família e nos ajude a participar activamente, com entusiasmo e à nossa medida, na preparação do próximo sínodo sobre a Família, que se reunirá em Roma no mês de Outubro deste ano. Que a bênção de Deus e a protecção de Nossa Senhora estejam com todos nós ao longo do novo ano que hoje começa. Seia, 1 de janeiro de 2015 +Manuel R. Felício, bispo da Guarda