Bispo de Viseu, Dom António Luciano dos Santos Costa

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Homilia de Quinta-feira Santa
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A Palavra de Deus ocupa o lugar central do Brasão de D. António Luciano. A Bíblia é fonte de vida e de graça. A Palavra do Senhor é espírito

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Sé da Guarda, 17.6.2017 Irmãos e Irmãs Saúdo-vos a todos fraternalmente na alegria e na Esperança do Senhor Jesus Cristo ressuscitado e vivo no meio de nós. Saúdo, de forma especialíssima, o nosso

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FRANCISCO, BISPO SERVO DOS SERVOS DE DEUS, ao amado Filho António Luciano dos Santos Costa, do clero da Sé Catedral Egitaniense e aí até agora Vigário Episcopal para o Clero,

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“Alegrai-vos e exultai” (Mt 5,12), comigo no Senhor, pelas maravilhas que Ele operou em favor do seu Povo. “A santidade é o rosto mais belo da Igreja“. Cristo

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Brasão de D. António Luciano

A Palavra de Deus ocupa o lugar central do Brasão de D. António Luciano. A Bíblia é fonte de vida e de graça. A Palavra do Senhor é espírito e verdade. O Livro aberto significa que a primeira missão do Bispo é ensinar e anunciar a alegria do Evangelho a todos. O Alfa e o Omega falam-nos da pessoa de Jesus Cristo, Aquele que nos revela a Palavra criadora e misericordiosa do Pai, o que na “água viva” nos oferece o Espírito que santifica.
Os rios de água viva evocam o rio Alva e o Mondego, cujas águas descem da Serra para banharem a Beira Alta e depois se misturarem na imensidão do mar. Mistério incomparável de amor, de comunhão e de unidade. O brasão tem duas cores. O azul e o amarelo. O azul revela o acto criador de Deus. Lembra o firmamento do céu, a vida nova em Cristo Ressuscitado e o desejo de “aspirar às coisas do alto” (Col 3, 2), a glória de Deus. Evoca a figura de Maria de Nazaré, a Mulher do tempo novo, a Senhora do Fiat. A Serra da Estrela, a mais alta, aparece como símbolo de uma meta a atingir, de uma espiritualidade cristã a escalar. A neve branca, pura e cristalina, aponta o ideal das Bem-Aventuranças. “Felizes os puros de coração porque verão a Deus” (Mt 5, 8). A vocação cristã é uma experiência de vida, de serviço, de amor, de entrega, um caminho de santidade a atingir por todos e em cada dia. A Estrela, coroada ao centro em fundo azul, mostra-nos Nossa Senhora, a Mãe de Jesus, a Estrela da “Nova Evangelização”, a Senhora da Assunção, a Mãe da Igreja e Rainha dos Apóstolos, que, com o seu manto de graça, de luz e de virtude, nos protege. O amarelo lembra a Igreja que está no mundo como luz e sinal de salvação para construir o Reino de Deus entre os homens. Na parte superior, o granito cortado evoca a beleza arquitectónica, única e singular das catedrais. Os traços, em figura de montanha, lembram os pontos mais altos da Sé da Guarda, que nos desafiam a fazer um caminho para Deus. A Candeia acesa é Cristo, luz do mundo. Ele veio para iluminar a humanidade e dissipar as trevas do erro. Ela é sinal da fé viva dos cristãos. “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 14). O símbolo da Enfermagem representado na candeia acesa recorda o serviço na promoção e defesa da vida humana, e a entrega abnegada aos doentes e a todos os que sofrem. Recorda também ao Bispo que Ele deve iluminar, vigiar, amar, cuidar e estar próximo do seu rebanho, imitando a Cristo o Bom Pastor, o bom Samaritano da humanidade. “Fiat Voluntas Tua” (Mt 6, 10) – é uma prece da oração do Pai-Nosso.

Ordenação Episcopal de D. António Luciano dos Santos Costa - Homilia de D. Manuel Felício

Sé da Guarda, 17.6.2017 Irmãos e Irmãs Saúdo-vos a todos fraternalmente na alegria e na Esperança do Senhor Jesus Cristo ressuscitado e vivo no meio de nós. Saúdo, de forma especialíssima, o nosso Irmão António Luciano que hoje, recebendo a plenitude do Espírito Santo, e revestido com os seus dons, vai ficar especialmente configurado com Cristo para exercer o ministério Episcopal.
De facto, pela imposição de mãos dos Bispos presentes ele é constituído cabeça e pastor de uma Igreja particular, neste caso, a Diocese de Viseu, mas também e ao mesmo tempo membro do Colégio Episcopal e portanto corresponsável com a Igreja no seu todo. De facto, para cumprir o maravilhoso desígnio de salvação dirigido a todas as pessoas, povos e nações, Deus enviou o Seu Filho Único, que inaugurou o anúncio da Boa Nova, vivendo entre nós e partilhando a nossa condição. Quis depois que essa Sua Missão fosse continuada pelo ministério dos Doze, constituídos em Colégio Apostólico, presidido pelo Apóstolo Pedro. Estes, por sua vez, transmitiram aos seus sucessores, pela imposição de mãos e a oração, o mesmo mandato recebido do Senhor Jesus. Por isso, os Bispos, cada um a presidir à sua Igreja particular e todos constituídos em colégio episcopal transportam consigo a responsabilidade de garantir a Tradição da Fé que nos vem dos Apóstolos e por eles do próprio Jesus Cristo. E cumpriram esta missão quer quando cada um deles preside à Igreja particular quer quando, em comunhão com os outros Bispos, em colégio episcopal presidio pelo Sucessor de Pedro, vivem a corresponsabilidade pela condução de vida da Igreja universal. Jesus Cristo é, de facto, o único Bom Pastor, como lembra o Evangelho de S. João que escutámos. Hoje, através dos Bispos e seus colaboradores mais diretos, a começar pelos que com eles partilham o Sacramento da Ordem mas também de outros ministérios e serviços, é o mesmo Cristo quem continua a pastorear a Sua Igreja. Sendo assim, na pessoa do Bispo, rodeado principalmente dos seus presbíteros e diáconos, é o mesmo Jesus Cristo que está presente para continuar a anunciar o Evangelho, a oferecer-nos os mistérios da fé e a conduzir-nos através da história, em peregrinação, rumo à pátria eterna. E enquanto único Bom Pastor, Jesus Cristo diz aos Bispos e seus colaboradores quais as posturas que hão-de assumir para construção daa vida da Igreja e a conduzirem pelos caminhos da salvação. Ora, a Sua Palavra hoje escutada no Evangelho de S. João é clara e vai direta ao assunto, quando nos diz: “O Bom Pastor dá a vida pelas Suas ovelhas”. É mesmo essa disposição de dar a vida que em breve, tu, irmão D. António Luciano nos vais manifestar, respondendo à pergunta: “Queres consagrar-te até à morte ao Ministério Episcopal?”. Contrariamente ao mercenário, que explora as ovelhas e as abandona, o Bom Pastor conhece-as e é conhecido de cada uma delas. Lembrando recomendações do Papa Francisco, o Pastor que o é de verdade procura estar próximo das suas ovelhas para as acompanhar de perto e defendê-las dos lobos que tentam desgarrar o rebanho (cf. Evg. 17, 1). E se estamos preocupados com os fiéis que constituem o tecido das nossas comunidades, não o podemos estar menos com os que estão fora. É o próprio Cristo quem nos alerta, ao dizer: “Tenho ainda outras ovelhas que não estão neste redil e preciso de as reunir”. E aqui, todos nós Bispos nos sentimos interpelados pela pergunta que vai ser feita ao que hoje é ordenado, nos seguintes termos: “Queres, como bom pastor, procurar as ovelhas dispersas e conduzi-las ao redil do Senhor?” Sempre, mas hoje mais do que nunca, é para nós urgente “primeirear” a responsabilidade missionária da Igreja, usando a expressão muito própria do Papa Francisco. Concretizando ainda mais, como Bispos responsáveis pela condução das nossas Igrejas particulares e corresponsáveis pela vida da Igreja universal, temos a especial obrigação de despertar em nós, como também nos nossos mais diretos colaboradores e nos fiéis em geral, o dinamismo missionário. Não queremos uma Igreja à defesa, mas sim uma Igreja empenhada em cumprir o Sonho do Papa Francisco, colocando todas as suas capacidades mais ao serviço da evangelização do mundo atual do que da sua auto-preservação (7.Eg, 27). O especial Outubro missionário de 2019 proclamado pelo Papa Francisco bem como o especial ano missionário (2018-2019) declarado pela Conferência Episcopal Portuguesa constituem também para nós Bispos forte interpelação. O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou” – escutámos nós na leitura do Profeta Isaías. De facto o Espírito Santo ungiu a Pessoa de Cristo e presidiu ao cumprimento de toda a Sua missão messiânica de evangelizar os pobres, consolar os aflitos e de proclamar o ano da justiça divina, que substitui o luto pela alegria. Hoje o mesmo Espírito Divino, como cantaremos em breve, pela imposição das nossas mãos, desce abundantemente sobre o novo Bispo, fazendo dele verdadeiro Sacerdote do Senhor, servidor da Nova Aliança estabelecida em Cristo Jesus. Sim, é para servir que o Senhor hoje te faz Bispo, Irmão D. António Luciano, como lembra o Pontifical Romano de Ordenação Episcopal, nos seguintes termos: “O Episcopado significa trabalho e não honra; e o Bispo, mais do que presidir tem obrigação de servir”. E nesse serviço inclui-se o tríplice múnus de ensinar, santificar e governar. Sendo assim, e sobre o múnus de ensinar ressoa em nós, particularmente neste momento, a exortação do Apóstolo dirigido a seu discípulo Timóteo: Proclama a Palavra, a tempo e fora de tempo; exorta com toda a paciência e doutrina. Quanto à função de santificar que nos está confiada, nós Bispos vamos escutar hoje de novo o convite para perseverar na oração a Deus Pai Todo-poderoso em favor do Povo Santo de Deus e a exercer a plenitude do Sacerdócio com toda a fidelidade. Na Ordenação Episcopal é-nos também entregue a missão de governar em ordem à edificação do Corpo de Cristo que é a Igreja, permanecendo em unidade com a Ordem dos Bispos e sob a autoridade do Sumo Pontífice (P.R., n.40) Por isso, compreendemos a recomendação que o Pontifical Romano faz ao novo Bispo na hora da Sua Ordenação Episcopal, com os seguintes termos – “Com amor paterno e fraterno, ama todos quantos Deus confia ao ter cuidado pastoral, sobretudo os presbíteros e os diáconos que têm parte contigo no ministério de Cristo…exorta os fiéis a colaborarem contigo no trabalho apostólico e dispõe-te a ouvi-los de bom grado” (P.R, 39). Aceitando e ponto em prática estas sábias recomendações, saberemos promover a verdadeira comunhão de ministérios, ao serviço da comunhão da Igreja dentro de cada uma das suas comunidades, como também das mesmas comunidades entre si, sempre focada no mandato missionário recebido do próprio Cristo. Mas as palavras do profeta Isaías que hoje escutámos privilegiam, de facto, a atenção que temos de continuar a dar aos pobres, aos atribulados, aos prisioneiros, aos cativos necessitados de libertação, aos que se encontram envolvidos pelo luto da dor. Numa palavra, chamam a nossa atenção para as periferias da pobreza, mas também da dor e do abandono ou simplesmente da marginalidade, como são referidas pelo Papa Francisco. Também nós Bispos hoje contigo, irmão D. António Luciano, queremos responder à pergunta que te vai ser assim feita: “Queres ser, pelo nome do Senhor, bondoso e compassivo com os pobres, os deslocados e todos os que precisam?”. Diante desta forte interpelação que a Liturgia nos faz, queremos escutar mais uma vez, palavras do Papa Francisco, lembrando a cada cristão e a cada comunidade cristã o encargo de serem instrumento do Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres para que possam integrar-se plenamente na Sociedade (Eg, 187). Perante a experiência que Paulo nos conta na sua II carta aos Coríntios, também nós não esperamos facilidades no cumprimento da missão episcopal que o Senhor Jesus Cristo nos confia para, em Seu nome, pastorearmos a Igreja. Foram muitas as dificuldades que o Apóstolo experimentou e das quais nos dá testemunho, desde a perseguição, à perplexidade, passando pelo abatimento e pelo abandono. Uma luz, porém, bastou para dar sentido a todos os seus sofrimentos e tribulações. Essa luz para ele e para nós hoje vem-nos da certeza da Ressurreição de Cristo, garantia da nossa Ressurreição, pois, como lembra a referida carta, “Aquele que ressuscitou Jesus também nos há-de ressuscitar com Ele e nos levará para junto d’Ele”. Sendo assim, saberemos compreender igualmente como os nossos sofrimentos são oportunidade para participarmos nos sofrimentos de Cristo. Finalmente diante da mesma experiência de Paulo lembramos a nossa grande fragilidade, por levarmos em vasos de barro um grande tesouro, o tesouro do ministério que nos está confiado. Cumpre-nos ao mesmo tempo, a obrigação de transformar as nossas múltiplas fragilidades em oportunidades para deixar brilhar em nós e em tudo o que fazemos a grandeza e a força do próprio Deus, única fonte de todo o bem que nós possamos realizar. De facto, uma só coisa é necessária – Que Ele reine nos nossos corações, na vida da Igreja e na vida do mundo. Que Deus seja louvado, Sua Mãe Maria Santíssima e nossa Padroeira, seja honrada com todos os santos, na comunhão da Igreja, para que o mundo creia. Amén.

Bula do Nomeação

FRANCISCO, BISPO SERVO DOS SERVOS DE DEUS, ao amado Filho António Luciano dos Santos Costa, do clero da Sé Catedral Egitaniense e aí até agora Vigário Episcopal para o Clero, eleito Bispo de Viseu, saúde e Bênção Apostólica.
Sendo necessário prover de Pastor a diocese de Viseu, vaga após a renúncia do Venerável Irmão Ilídio Pinto Leandro, ouvida a Congregação para os Bispos, tu, amado Filho, ornado com as devidas qualidades, perito em teologia moral e nos assuntos eclesiásticos, és considerado digno de a governar. Por isso, Nós, ocupando a Cátedra do bem-aventurado Pedro e com a solicitude por toda a grei do Senhor, com o Nosso supremo poder Apostólico, nomeamos-te Bispo de Viseu, com todos os direitos e obrigações. Permitimos que recebas a Ordenação por qualquer Bispo católico fora da cidade de Roma, observando as leis litúrgicas e antecedida da profissão da Fé católica e do Juramento de Fidelidade dirigido a Nós e aos Nossos Sucessores, segundo os sagrados cânones. Mandamos, além disso, que esta Carta seja dada a conhecer ao clero e ao povo da tua Sede própria; e exortamo-los a que te recebam com alegria e permaneçam continuamente unidos a ti. Finalmente, dilecto Filho, procura cumprir o gravíssimo ofício de Bispo, de tal modo que os fiéis a ti confiados cresçam continuamente na Fé, na Esperança e, acima de tudo, na Caridade, a rainha de todas as virtudes. A paz e a alegria de Cristo, com a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, estejam continuamente contigo e com esta caríssima comunidade eclesial, no amado Portugal. Dado em Roma, junto de S. Pedro, aos três dias do mês de Maio do ano de dois mil e dezoito, sexto do Nosso Pontificado. Francisco, Papa.

MENSAGEM DE D. ANTÓNIO LUCIANO DOS SANTOS COSTA

“Alegrai-vos e exultai” (Mt 5,12), comigo no Senhor, pelas maravilhas que Ele operou em favor do seu Povo. “A santidade é o rosto mais belo da Igreja“. Cristo caminha connosco e surpreende-nos. “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt. 28,20), cumpriram-se nesta tarde, aqui na Sé da Guarda, estas Palavras de Jesus. Agora, posso “partir e servir com aquela atitude de coragem que o Espírito Santo suscitava nos Apóstolos, impelindo-os a anunciar Jesus Cristo”(Gaudete et Exsultate nº 129).
A oração é o verdadeiro respiro de Deus nas nossas vidas, e, eu senti-o do modo particular na minha Ordenação Episcopal. Esta leva-nos ao coração de Deus e traz o coração de Deus à nossa frágil condição humana. Ao rezar ao Pai, “Venha o teu reino e “seja feita a Tua vontade”, a Igreja reunida entra no coração de Deus Pai, fonte de vida, de amor e de paz. Assim foi a oração de Maria, a serva humilde e fiel, a cuidadora das feridas da humanidade sofredora, a Senhora da Piedade, que nos ensina a amar e a servir o Seu Filho, o Bom Pastor, presente na fragilidade do género humano. Peço a São José, o dom do silêncio prudente e fiel, que me ajude a guardar, a administrar bem a Igreja e a vigiar pela sua unidade e integridade. Que a coragem e o testemunho dos Apóstolos e de todos os Santos me ajudem a cantar convosco eternamente as maravilhas do Senhor. Reitero profunda gratidão, comunhão, obediência na fé e veneração filial à Igreja, na pessoa do Papa Francisco, sucessor do Apóstolo São Pedro, que me chamou para fazer parte do Colégio Apostólico. Agradeço cordialmente ao Senhor Núncio Apostólico a sua presença amiga e carinhosa manifestada desde a primeira hora. Peço-lhe que seja portador destes meus sentimentos de gratidão e comunhão ao Santo Padre. Um obrigado de filho e irmão ao Senhor D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, ao Senhor D, Jorge Ortiga Arcebispo de Braga, ao Senhor D. Ilídio Leandro, Administrador da Diocese de Viseu, aos meus irmãos Bispos presentes, aos sacerdotes, diáconos, religiosos (as) consagrados (as), aos seminaristas e leigos empenhados na vida da Igreja, aos amigos e pessoas de bem. Às Autoridades civis, académicas, institucionais, militarizadas e outras aqui presentes, aos representantes dos Meios de Comunicação Social, a todos os que foram meus paroquianos e colaboradores na Capelania da UBI, Faculdade de Ciências da Saúde, Hospital da Guarda, no Instituto Politécnico, Escola Superior de Saúde da Guarda, na Pastoral da Saúde, Associação Católica dos Enfermeiros, Capelanias Hospitalares, Movimentos e Obras, Associações Académicas e tantas pessoas amigas que comigo privaram e trabalharam, alunos, professores e colegas dos vários estabelecimentos de ensino, hospitais, comissões de ética e instituições, com quem tive o privilégio de trabalhar e com quem muito aprendi. A todas as pessoas amigas, conhecidas e anónimas que participaram nesta bela celebração Eucarística e a todos os que estão unidos espiritualmente um bem-haja sincero e beirão! Que Deus vos recompense por tanto bem realizado e o transforme em graça e dom de novas vocações para a Igreja. Uma palavra de gratidão de, esperança e estima às crianças, adolescentes, jovens, casais, idosos, frágeis, doentes, abandonados e a todos os que experimentam a dor e a solidão. Que nunca vos faltem bons cuidadores! Deus ama-vos muito. Há sempre um receber e um dar. Dai sem medida e sereis felizes! A comunhão fraterna, a proximidade, a gratuidade e a solidariedade são muito mais que gestos importantes, são a base sólida de uma sociedade sadia e de uma Igreja renovada. À minha família, às minhas imãs, cunhados, sobrinhos, sobrinha, aos que não puderam vir, um grande abraço, tenho vos a todos no meu coração. Um bem haja sincero: Aos meus paroquianos de hoje e de sempre, aos amigos vindos de tantos pontos do país, aos diocesanos de Viseu e da Guarda, aos que vieram de Coimbra, conterrâneos de Corgas e de toda a paróquia de Sandomil; Ao nosso pároco o Padre Carlos Dionísio, a todo o arciprestado de Seia, que comigo louva o Senhor, pelo dom da minha Ordenação Episcopal; À Equipa nomeada pelo Senhor Bispo para preparar esta belíssima festa com todos os seus membros presidida pelo Vigário Geral, Cónego Manuel Pereira de Matos; À paróquia da Sé e de S. Vicente, à Casa Veritas, à Editora Paulus, ao Seminário Maior e sua Equipa, às Servas de Jesus, às empregadas (os), a todos os que me manifestaram a sua amizade, oração e presença amiga ao longo deste mês e meio e nesta semana de tanto trabalho, oração e preocupações; Ao arciprestado da Guarda com os seus padres, consagradas e leigos que puseram tanto empenho e beleza nesta festa e na sua ornamentação, à equipa de liturgia e paramentaria ao grupo coral, aos que trabalharam muito, rezaram no silêncio e clausura, aos doentes e seus cuidadores, aos que estão aqui e aos que não podem estar. Um obrigado do coração a todos. Rezarei sempre por vós ao Senhor, que Deus vos recompense. Ousadia dioceses da Guarda e de Viseu, renovação, força, confiança, coragem e muita esperança em Cristo Ressuscitado, o Bom Pastor. Deus está connosco, em tudo “amar e servir”, eis o desafio feito à Igreja. Deus está connosco e espera com zelo apostólico a nossa colaboração. Que Maria, a Virgem das mãos orantes, a Senhora da Assunção guie sempre os nossos passos. “Para maior honra e glória de Deus” rezemos, “Fiat Voluntas Tua”. + António Luciano dos Santos Costa, Bispo de Viseu

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Bispo de Viseu, Dom António Luciano dos Santos Costa

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Homilia de Quinta-feira Santa

Homilia de Quinta-feira Santa: 5 de Abril de 2012

Estimados Padres, Diáconos e Povo de Deus

 

 

 

  1. Reunimo-nos na manhã de 5ªfeira Santa, na missa crismal, principalmente para irmos ao fundo da identidade e da missão dos nossos sacerdotes chamados a prolongar na Igreja e no mundo o rosto de Cristo pastor do Seu Povo. É também o lugar da bênção dos óleos santos do crisma, catecúmenos e enfermos, exprimindo assim, a unidade eclesial que se realiza na administração dos sacramentos do baptismo, da confirmação e da unção dos enfermos.

 

 

  1. A Palavra de Deus nos textos de hoje, que, de alguma forma, já temos gravada na nossa memória, fala-nos da missão messiânica de Jesus com a qual ele próprio se apresentou na sua terra natal. O essencial desta missão é evangelizar. Na missão de evangelizar estão dimensões diferentes e complementares, como libertar os prisioneiros, libertar de doenças físicas, como a cegueira ou também de situações de opressão variadas, o que fica resumido na expressão  “ano da graça do Senhor”. A missão messiânica de Jesus é mandato do Pai, e tem como suporte a companhia do Espírito,  essa unção de que fala o texto bíblico.

Esta missão messiânica de Jesus é pré-anunciada pelo Profeta Isaías e hoje é continuada na Igreja. E nós Sacerdotes somos os primeiros responsáveis pela sua realização nos tempos de hoje.

No centro do exercício desta nossa responsabilidade, vemos a pessoa de Cristo, Ressuscitado e vivo, esse testemunho fiel, o primogénito dos mortos, o Alfa e o Ómega que continua a fazer de nós um reino de sacerdotes para Deus, como refere o apocalipse.

É Ele a garantia de que a missão será cumprida  apesar das nossas debilidades e limitações.

 

  1. É confortados pela presença do Senhor Jesus Ressuscitado e Vivo no meio de nós e também pelo Espírito Santo que nos ungiu no Baptismo mas também na confirmação e depois ainda na Ordenação Sacerdotal que olhamos com esperança para a missão que nos está confiada.

Sentimos que temos pela frente combates importantes a fazer para que a missão messiânica de Cristo continue a ser cumprida no nosso mundo e, assim, o Reino de Deus possa crescer.

E a Quaresma, que caminha para o seu termo, ajudou-nos a rever primeiro a nossa condição de baptizados juntamente com as comunidades e serviços que nos estão confiados; depois a nossa especial configuração com Cristo, através do sacramento que faz de nós pastores em união com o único Pastor.

Vivemos o nosso Ministério em comunhão com a paixão de Cristo que ilumina também as nossas paixões, sofrimentos e provações.

Diante da Paixão de cristo sentimos que este nosso Ministério é um acto de amor, como  acto de amor foi o Ministério de Cristo que passou pela  história fazendo o bem. E já sabemos que o amor, por natureza, é dar-se, é perder-se e essa é a razão da sua fecundidade.

E só um amor assim pode dar a autêntica liberdade, a verdadeira alegria e os caminhos de vida com sentido que queremos  oferecer também aos homens e mulheres do nosso tempo.

 

  1. Ao vivermos assim o nosso ministério, sentimo-nos sempre chamados por alguém. Por isso não temos a sensação de frustrados, de esquecidos em qualquer espécie de anonimato, porque Cristo nos chamou e continua a chamar-nos. E eu sinto-me bem a responder a esta chamada, mas também sinto a urgência de ajudar outros a escutar o mesmo Senhor que continua a chamar.

Como sabemos, o grande sofrimento da Igreja hoje, sobretudo na Europa e em todo o mundo ocidental, é a falta de Vocações Sacerdotais.

Todavia também sabemos que o Senhor da Messe continua a chamar. Falta é quem escute a Sua chamada e lhe responda com a prontidão de Samuel e dos profetas.

A nós pertence-nos ajudar também outros a escutarem esta mesma voz do Senhor e encorajá-los a dizer-Lhe que sim, abrindo, assim, caminho à vocação de novos pastores unidos a Cristo. Não podemos esquecer esta nossa responsabilidade de sacerdotes na promoção das vocações sacerdotais. Temos de lembrar, isso sim, que a chamada de Deus a uma pessoa em concreto acontece sempre na mediação da Igreja que tem sempre sua expressão privilegiada na mediação do nosso ministério sacerdotal. E aqui radica a nossa responsabilidade específica, e que por mais ninguém pode ser assumida, de criar as condições necessárias para que haja quem escute a chamada de Deus e lhe responda com prontidão.

E estamos aqui no coração da pastoral das vocações sacerdotais que é parte essencial do exercício do nosso ministério

 

Ao revermos, nesta Quinta-Feira Santa, a nossa identidade  e ao  renovarmos as promessas da nossa ordenação sacerdotal, é bom lembrarmos algumas atitudes que o Senhor nos recomenda para o bom desempenho da nossa missão sacerdotal.

Uma delas é a humildade de quem reconhece que tudo recebeu de graça e, por isso também de graça tudo há-de saber dar. A propósito, vamos escutar, Várias vezes, ao longo destes dias da Paixão, a passagem dos Filipenses que nos remete para a humilhação voluntária de Jesus, que era de condição divina, mas humilhou-se voluntariamente. Ora esta humildade, enraizada no próprio Cristo, leva-nos a considerar importante só aquilo que é serviço e dedicação aos outros. Exprime-se também na atitude da pobreza, a qual nos leva a não querer ter muitas coisas e a avaliarmos constantemente se tudo o que somos e temos está, de verdade e  por inteiro, ao serviço da nossa missão, que continua a própria missão de Cristo na história.  Todos sentimos a tentação do contrário, que é instalarmo-nos em meios materiais e pormos neles a nossa segurança, quando só podemos ter uma segurança que é Cristo.

 

  1. Também como Padres chamados pelo Senhor a cuidar do seu Povo temos de saber cultivar sempre a autêntica verdade sobre nós  mesmos, sobre as nossas relações em Presbitério e sobre as relações com o Povo de Deus e a sociedade em geral.

E a verdade sobre mim próprio começa no reconhecimento do lugar que ocupo, por vontade e chamamento de Deus, no seu plano sobre o mundo e sobre a história. E esse lugar é a Igreja e dentro da Igreja o Presbitério, onde o mesmo Deus me chama a viver o ministério Sacerdotal.

O reconhecimento da nossa verdade mostra-nos os nossos limites, mas também as muitas possibilidades que nos abre a relação sobretudo em Presbitério.

Daqui derivam implicações para o nosso estilo de vida, que tem  de contemplar os cuidados com a porção do Povo  de Deus que está confiada a cada um de nós, mas tem de valorizar sobretudo as relações no Presbitério ao qual o Senhor nos confiou.

Só numa séria atitude de verdade, caros Padres, seremos capazes de aceitar as nossas limitações, procurando superá-las na medida do possível,  sobretudo no fecundo diálogo com os outros, a  começar pelos nossos irmãos  sacerdotes; diálogo esse que pode envolver também a correcção fraterna.

Nós padres temos de ser, particularmente nas circunstâncias do mundo moderno, homens do acolhimento. De facto vivemos num mundo que, apesar das suas formas sofisticadas de comunicar, gera sistematicamente a solidão nas pessoas. Nós queremos ser, antes de mais, o rosto acolhedor de Jesus Cristo voltado para todas as pessoas sem excepção. Os factos dizem que vivemos no mundo actual um grande défice de proximidade e o nosso ministério tem de ser sempre promotor da proximidade. Esta proximidade e o acolhimento têm vários níveis, que vão desde o atendimento em assuntos de consciência, dentro ou fora do foro sacramental, até formas mais ou menos organizadas  que todas as nossas comunidades precisam de cultivar para ir ao encontro das pessoas mais isoladas, mais abandonadas, procurando combater todas as formas de exclusão. Mas também aqui seremos incapazes de promover verdadeiras formas de proximidade às pessoas em geral se, antes e ao mesmo tempo, não formos capazes de viver a experiência feliz da proximidade no nosso Presbitério. E para vivermos de forma positiva esta proximidade em presbitério temos de levar a sério também a lei geral da relação humana que nos diz que  o outro é sempre uma oportunidade, mas também uma dificuldade. É oportunidade pelo novo horizonte que nos abre e pelas novas possibilidades que também abre à cooperação. Mas é ao mesmo tempo dificuldade, porque com as suas características  próprias me obriga sempre a alguma desinstalação e mesmo a alguma prestação de contas.

Neste quadro de muitas possibilidades e algumas dificuldades que a vida em presbitério nos oferece, o Senhor pede-nos para vivermos a verdade na caridade. A verdade é sempre o esplendor de Deus que se revela de muitas maneiras e também na nossa vida de padres. Por sua vez os caminhos da caridade ou seja do amor autêntico são os únicos onde a verdade de Deus pode ganhar corpo para construção da Igreja e do próprio mundo e com empenho do nosso Ministério.

 

  1. E hoje, como já é habitual, damos especiais graças a Deus pelos sacerdotes do nosso Presbitério que perfazem datas jubilares de 60 e 50 anos de vida sacerdotal.

Completam 60 anos de Vida Sacerdotal os nossos irmãos sacerdotes Rev.dos Padres Alfredo Marques Gabriel e João Saraiva André: Ambos, depois de frequentarem os nosso Seminários Diocesanos, foram ordenados  Sacerdotes nesta Sé da Guarda, em 27 de Julho de 1952, sendo Bispo ordenante o Sr. D. Domingos da Silva Gonçalves. O Rev. do Pe. Alfredo, depois de um ano em que foi coadjutor da Sé e S. Vicente, foi nomeado Pároco de Aldeia Nova, no arciprestado de Trancoso, onde se fixou até hoje, passando mais tarde a paroquiar também Fiães e Tamanhos e tendo posteriormente assumido responsabilidades em outras paróquias do mesmo arciprestado.

O Rev.do Padre João André, depois de exercer funções de Pároco, no arciprestado de Celorico da Beira durante 13 anos, foi chamado à equipa formadora do Seminário do Fundão.  Passados dois anos, Fez em Roma a licenciatura em Espiritualidade, na Universidade Gregoriana e regressou para assumir funções de Director Espiritual no Seminário Maior da Guarda. Desde 1983 a 2007 teve a seu cargo a Paróquia de Caria, sendo então desligado de responsabilidades pastorais por razões de falta de saúde.

Completam 50 anos de vida sacerdotal os nossos irmãos sacerdotes Rev.dos Padres João Carvalho Nunes, Júlio Martins Pedroso, Joaquim Jerónimo Pereira, Joaquim Pires Sequeira, Manuel Joaquim Martins, Octávio Gil Morgadinho e Delmar da Silva Barreiros.

Todos tiveram como Bispo Ordenante o Sr. D. Policarpo da Costa Vaz, depois de frequentarem os Seminários Diocesanos, no dia 19 de Agosto de 1962, excepto o Rev.do Padre João Carvalho Nunes, que foi ordenado no dia 7 de Abril. Este exerceu o ministério sempre no arciprestado de Seia, até que em 1986 foi dispensado do serviço paroquial por razões de falta de saúde. Em Lisboa, onde permaneceu durante 20 anos, desempenhou várias funções pastorais, entre elas a de capelão do Mosteiro das Clarissas em Sintra, até que em 2007 regressou à Diocese, sendo-lhe confiadas as funções de Vigário Paroquial, na Sé e S. Vicente.

O Rev.do Padre Júlio Martins Pedroso começou a exercer o Ministério Sacerdotal como Pároco, no arciprestado de Trancoso. Em 1981, foi encarregado de Paróquias nos arciprestados do Rochoso e Almeida,  onde continua o exercício do ministério.

O Rev.do Padre Joaquim Jerónimo Pereira, logo no início do seu ministério, foi chamado a integrar a equipa formadora do Seminário do Fundão, funções que desempenhou durante 17 anos. A seguir e durante 15 anos, foi pároco em paróquias do arciprestado de Manteigas/Belmonte, tendo em 1995, por razões de falta de saúde sido dispensado de responsabilidades paroquiais.

O Rev. do Padre Joaquim Pires Sequeira começou o seu múnus sacerdotal em paróquias do arciprestado da Guarda.

Depois de prestar serviço militar como Capelão durante 2 anos, foi nomeado  Pároco de Paróquias do arciprestado de Seia, acumulando com funções de Assistente da ACR e em 1981, foi nomeado Pároco de Vila Nova de Tázem, o arciprestado de Gouveia, acumulando depois com o serviço em outras paróquias do mesmo arciprestado.

O Reverendo Padre Manuel Joaquim Martins iniciou o ministério como coadjutor da Sé e S.Vicente, na Guarda. Um ano depois foi nomeado Pároco de  Carnicães e Vilares, no arciprestado de Trancoso, arciprestado onde haveria de voltar, em 1981 para ficar até ao presente, depois de 15 anos as paróquias no arciprestado do Fundão.

O Rev.do Padre Octávio Morgadinho começou o seu ministério Sacerdotal como Coadjutor, primeiro em Trancoso e depois na Sé e S. Vicente da Guarda. Em 1970 foi nomeado Pároco no arciprestado do Fundão e nesse mesmo ano foi prestar serviço militar como capelão. A partir de 1973 passou a exercer o ministério Sacerdotal no Patriarcado de Lisboa, onde continua, agora como Pároco da Paróquia de Parede.

O Rev.do Padre Delmar começou o ministério Sacerdotal como Pároco no  arciprestado do Sabugal. 4 anos depois foi nomeado Pároco no arciprestado de Celorico da Beira e em 1967 foi nomeado Capelão militar. Desde 1983 que serve pastoralmente o Patriarcado de Lisboa.

Louvemos o Senhor por tanto bem espalhado na Igreja e na Sociedade durante os 50 anos e 60 anos, respectivamente, de vida Sacerdotal destes nossos irmãos no Ministério. Que o Senhor os recompense pelos relevantes serviços que eles prestaram e continuam a prestar e a nós nos anime no entusiasmo com que desejamos exercer o mesmo Ministério.

 

+Manuel R. Felício, B. da Guarda