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Homilia na abertura do Ano lectivo do Instituto Superior de Teologia
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Comunicação de D. Manuel Felício, Bispo da Guarda: Rev. dos padres e diáconos Estimados Religiosos e Religiosas ou fiéis em outras formas de especial consagração, Caríssimos leigos e leigas, investidos em vários serviços

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Assembleia Diocesana 2017

Comunicação de D. Manuel Felício, Bispo da Guarda:
Rev. dos padres e diáconos Estimados Religiosos e Religiosas ou fiéis em outras formas de especial consagração, Caríssimos leigos e leigas, investidos em vários serviços na vida da igreja e vocacionados para a relação com o mundo, Caros delegados a esta assembleia; Irmãos em Cristo e amigos: Convosco dou abundantes graças a Deus por estarmos, finalmente, na 1ª sessão da nossa assembleia diocesana. Preparamo-la desde há quase quatro anos a esta parte. E na sua preparação usámos um primeiro instrumento para oferecer a todos a possibilidade de se pronunciarem sobre as grandes questões que nos preocupam e motivar as nossas comunidades, particularmente através dos seus mais directos colaboradores, a participarem na caminhada que nos conduziu ao dia de hoje. Esse primeiro instrumento foram os cadernos de orientação e deles o primeiro centrou-se na realidade da Igreja, tal como Jesus a fundou, o Evangelho a configura e o Concílio Vaticano II a reapresenta, em termos ajustados aos tempos e à cultura de hoje. É desse mesmo assunto que vamos tratar principalmente na presente sessão da nossa assembleia. Outro importante instrumento foi o documento preparatório, a que demos o nome técnico de “Instrumentum laboris” e que pretendeu assumir os pontos mais importantes das diferentes reflexões e comentários feitos na base, a partir dos referidos cadernos de orientação. Este documento foi trabalhado nas diferentes estruturas de participação que precisamos de valorizar cada vez mais na nossa vida comunitária, a saber: a) os conselhos paroquiais e interparoquiais, os conselhos pastorais arciprestais, o conselho pastoral diocesano e o conselho presbiteral. Trabalho decisivo desempenhou até agora a mesa desta nossa assembleia diocesana quer na feitura do dito “Instrumentum laboris” quer na recolha das sugestões e comentários que chegaram das diferentes instâncias que o trabalharam. Com base nelas elaborou as 20 proposições que nos foram enviadas e constituem a base do nosso trabalho de hoje. Felizmente que foi possível a cada um de nós recebê-las em sua casa para as ler antecipadamente, reflectir e eventualmente dialogar sobre elas com mais alguém, podendo agora estar em condições de as analisar em grupo e votar em plenário. Centrando-se estas 20 proposições no modelo de Igreja que nos cumpre viver e testemunhar nos dias de hoje, há grandes preocupações de fundo que vamos ter presentes ao analisá-las e votá-las. Cito algumas delas e a primeira é que a Igreja, no quotidiano das nossas comunidades, para cumprir a sua vocação de viver e crescer “até à estatura do próprio Cristo”, como nos lembra o Apóstolo Paulo, precisa de ministérios variados e bem coordenados para assim podermos progredir na comunhão da Igreja servida pela comunhão dos ministérios. E ao ministério ordenado dos sacerdotes e dos diáconos, longe da pretensão de assumir todos os serviços, pertence-lhe suscitar outros ministérios, formá-los, acompanhá-los e coordená-los para o exercício das funções que lhes estão cometidas. Desta forma cumprimos a nossa identidade de, enquanto Povo de Deus, sermos todos iguais, isto é partilhando a mesma dignidade de filhos de Deus e todos diferentes, ou seja portadores de variados carismas e ministérios, como lembra o citado Concílio Vaticano II. De facto, os ministérios existem não por causa de si mesmos e muito menos por causa das pessoas que os exercem, mas por causa da Igreja e da missão que lhe está confiada para serviço da própria comunidade humana. Por isso ninguém pode pretender ser chamado ao exercício de qualquer ministério para satisfazer gostos pessoais e para simples auto-promoção, ou para subir na hierarquia da importância social, como alguns pensam. De facto, por vontade do próprio Cristo, os ministérios, constituindo comunhão entre si, devem estar sempre e só ao serviço da comunhão da Igreja. Outra grande preocupação que nos há-de acompanhar-nos nesta assembleia, a começar pela sua primeira sessão no dia de hoje, é que a comunhão da Igreja constrói-se com a participação de todos, o que só se consegue através de um conjunto de instrumentos que são indispensáveis na nossa vida comunitária, porque, no dizer do Papa Francisco, nos colocam em constante caminhada de todos com todos em direcção à mesma meta. Esses instrumentos são os conselhos já referidos, desde o conselho paroquial ou interparoquial até aos conselhos pastoral diocesano e presbiteral, passando pelos conselhos pastorais arciprestais. E a essa caminhada de todos com todos em direcção à mesma meta chama-lhe o Papa caminhada sinodal, uma expressão há muito assumida na vida da Igreja. Por isso, a experiência de participação que até agora fizemos através destes mesmos conselhos, na percurso para presente assembleia é, já por si mesma, um primeiro fruto da caminhada sinodal em que nos envolvemos e que, nesta mesma assembleia e para além dela, queremos manter a profundar. Para isso precisamos de nos manter em constante reorganização dos nossos serviços, sejam os serviços centrais da Diocese, sejam aqueles que estão mais próximos das comunidades e das pessoas. E esta é a terceira grande preocupação que vai percorrer transversalmente as várias sessões da assembleia, a começar desde já. De facto, temos de saber reorganizar os espaços da vasta superfície da nossa Diocese da Guarda, à medida das reais necessidades das pessoas, das comunidades e do funcionamento dos próprios serviços; temos de saber aprofundar e optimizar a cooperação entre os vários serviços, a começar pelos sacerdotes entre si, com os diáconos e com os outros ministérios; e as próprias comunidades precisam de perceber que têm de saber cooperar mais, em vez de se fecharem sobre si mesmas e voltarem as costas umas às outras. Sobre este assuntos esperamos da assembleia indicadores reflectidos e assumidos que nos permitam avançar, de forma consistente no processo desta nossa reorganização. Lembro ainda que a experiência já vivida da nossa comunhão em Igreja, mas sobretudo os apelos da mensagem da Evangelho para percorrermos e ajudarmos outros a percorrerem caminhos de humanidade cada vez mais consistente não são para meter debaixo do alqueire, utilizando a expressão bíblica ou mantermos prisioneiros dos nossos hábitos e tradições, mas sim para transmitirmos a outros, para comunicarmos, com a maior eficácia possível, também a ambientes que se situam fora do círculo mais restrito das nossas vivências de Fé. Daí a importância de sabermos usar bem os meios de comunicação social ao serviço da evangelização, o que igualmente tem de nos preocupar nesta assembleia. De facto, nós estamos aqui como delegados à assembleia diocesana, transportando connosco um mandato missionário recebido do próprio Jesus Cristo; mandato esse que o Papa Francisco concretiza, convidando-nos a ser cada vez mais uma Igreja em saída para as diferentes periferias da nossa sociedade; e com desejo e capacidade para nos tornarmos hospital de campanha, na medida em que as diferentes necessidades e sofrimentos das pessoas o exigirem. Queremos, de facto, ser cada vez mais uma Igreja em comunhão para a missão, como se propõe, desde o seu início, a nossa caminhada sinodal. Para isso, durante toda esta nossa assembleia, começando já na sua primeira sessão vamos procurar escutar bem as moções do Espírito Santo, para identificarmos os caminhos que Ele, de facto, nos aponta. Confiamos a Nossa Senhora, a Virgem Maria, no centenário das aparições de Fátima, todos os nossos trabalhos, pedindo-lhe, como lembra a oração, que nos ajude a progredir “no testemunho da comunhão, no espírito de serviço, na Fé ardente e generosa, na justiça e no amor aos pobres”. 29.4.2017 +Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

Homenagem ao director do Jornal A GUARDA, Padre Eugénio da Cunha Sério

O jornal A GUARDA vai homenagear o Director, padre Eugénio da Cunha Sério, no dia 22 de Maio. Por ocasião das comemorações dos 113 anos de publicação, o semanário mais antigo do distrito e da diocese da Guarda pretende destacar o trabalho incansável do seu director, que antes foi colaborador e chefe de redacção e director adjunto.
Do programa da homenagem faz parte a celebração de uma Missa de Acção de Graças, às 19.00 horas, na Igreja da Misericórdia, presidida pelo Bispo da Diocese, D. Manuel Felício. Segue-se um jantar de confraternização, na Quinta de Santo António (Maçainhas – Guarda) e a apresentação do livro “Uma vida de Missão”. O Padre Eugénio da Cunha Sério, Director do Semanário Católico Regionalista A GUARDA, tem sido um timoneiro incansável, na divulgação e promoção de valores. Mentor de campanhas solidárias, nomeadamente a favor das obras do Centro Apostólico D. João de Oliveira Matos e do Seminário Maior da Guarda, dedicou muitos dos artigos, que escrevia com regularidade, no Semanário A GUARDA, aos acontecimentos que iam marcando o quotidiano da vida. De uma cultura geral invejável, o Padre Eugénio sempre soube transmitir, com leveza, educação e grande profundidade, os conhecimentos adquiridos em longas e meditadas leituras que ainda hoje o definem. Atento e conhecedor da realidade que o rodeia, num mundo que é cada vez mais uma aldeia global, não se poupa a esforços para ajudar a desvendar os mistérios dos tempos. Há muito que se impunha o reconhecimento público deste Homem que tanto tem feito pela GUARDA. A homenagem ao Director do Jornal A GUARDA é aberta a toda a comunidade. Os interessados em participar podem fazer a inscrição na Casa VERITAS (Guarda), até ao dia 18 de Maio.

Preparação do Sínodo sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” - Diocese promove inquérito para saber a opinião dos jovens

A Diocese da Guarda quer saber a opinião dos jovens no âmbito da preparação do Sínodo sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” que a Igreja Católica vai realizar em Roma, em 2018. O inquérito está disponível online (www.diocesedaguarda.pt) e pretende recolher dados, segundo os “lineamenta” que preparam o próximo Sínodo, “para serem posteriormente tratados e deles resultar a reflexão sobre o mundo juvenil”.
O inquérito é destinado aos jovens, com idades compreendidas entre os 16 e os 29 anos, a educadores, formadores, catequistas, sacerdotes e outros agentes da acção pastoral juvenil. De acordo com a introdução do inquérito, que estará disponível até ao fim do mês de Junho, “ele surge de uma releitura do questionário elaborado pelo Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, para, a pedido do Papa Francisco, ajudar a Igreja a que se interrogue sobre o modo como acompanha os jovens, no seu percurso de fé e de discernimento vocacional”. Ao longo do inquérito, os participantes são convidados a assinalar, com uma cruz, as respostas que lhes pareçam as mais adequadas. Ao longo do inquérito, os jovens são convidados a pronunciarem-se sobre três pontos centrais: Jovens, Igreja e Sociedade; A pastoral juvenil vocacional; Os Acompanhadores. Em relação ao primeiro ponto são formuladas as seguintes questões: Em que âmbitos/ espaços pode a Igreja escutar os jovens?; Quais os maiores desafios para os jovens da nossa Diocese? Quais as maiores oportunidades para os jovens da nossa Diocese?; Quais os lugares e formas de reunião para os jovens, dentro da Igreja? Quais os lugares e formas de reunião mais vocacionados para os jovens, fora do contexto da Igreja?; O que pedem os jovens à Igreja da Diocese da Guarda?; Em que âmbitos participam os jovens na vida cristã da Diocese da Guarda?; Como encontrar os jovens que estão “fora” da Igreja?; Em que espaços os podemos encontrar? No segundo ponto são estas as perguntas: Como participam as famílias e as comunidades cristãs no discernimento vocacional dos jovens?; Como participam os estabelecimentos de ensino na formação e desenvolvimento do discernimento vocacional dos jovens? Qual o valor do desenvolvimento tecnológico na mudança cultural a que assistimos?; Que importância têm os acontecimentos juvenis nacionais e internacionais na pastoral juvenil?; Como se projecta o futuro da pastoral juvenil e vocacional?; Como valorizar o passado cristão da Europa para pensar o futuro com esperança?; Como valorizar a insatisfação dos jovens face ao contexto socio-económico e político a fim de que essa insatisfação transforme os jovens nos agentes da mudança que eles mesmos desejam? Que níveis de relação inter-geracional permanecem ainda?; Das práticas de acompanhamento e discernimento vocacional desenvolvidas pela Diocese da Guarda quais as que consideras mais importantes? O último ponto pretende respostas para as seguintes perguntas: De que forma os sacerdotes acompanham o discernimento vocacional dos jovens?; Como promover a formação dos que acompanham os jovens no seu discernimento vocacional?; Que acompanhamento pessoal se deverá propor com maior preocupação nos Seminários?

Educação - Bispo da Guarda apela à matrícula nas aulas de Educação Moral e Religiosa Católica

O Bispo da Guarda publicou uma mensagem na qual convida “os pais e encarregados de educação que matriculam os seus educandos no Ensino Básico e Secundário” a fazerem a matrícula nas aulas de Educação Moral e Religiosa Católica.
D. Manuel Felício refere que está em preparação o novo ano escolar, “que todos desejamos seja de verdadeiro crescimento para as nossas crianças, adolescentes e jovens, nas suas escolas”. Lembra que “em todos os programas do Ensino Básico e Secundário, desde o primeiro ano, a lei prevê a oferta da disciplina curricular de Educação Moral e Religiosa Católica”. E acrescenta: “Pretende esta oferta proporcionar aos nossos educandos, desde o primeiro ano do Ensino Básico, um desenvolvimento no qual os valores morais e religiosos acompanhem e iluminem os diferentes saberes que são propostos na escola e também ajudar as nossas crianças, adolescentes e jovens a abrirem o seu entendimento para as dimensões mais belas da vida”. D. Manuel Felício diz ainda que “esta é a hora de lembrar aos pais e encarregados de educa¬ção, como também aos próprios alunos, que vale a pena gas¬tar tempo e fazer esforço para descobrir e abraçar com entusiasmo as dimensões moral e religiosa da vida e que sem elas a componente verdadeiramente humana do ensino fica incompleta”. Na mensagem aos pais e encarregados de educação, o Bispo da Guarda lembra “o exercício da responsabilidade pes¬soal no momento da matrícula, onde se propõe a escolha desta disciplina curricular”.

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Homilia na abertura do Ano lectivo do Instituto Superior de Teologia

Homilia na abertura do Ano lectivo do Instituto Superior de Teologia

 

 

Sr.s Bispos

Reitores dos Seminários envolvidos no IST

Diretor do IST

Senhores Professores

Caros seminaristas

 

 

1.            Fazemos a abertura solene do ano lectivo do nosso Instituto Superior de Teologia (IST). E desejamos fazê-lo com a especial invocação do Espírito Santo nesta celebração Eucarística.

O Espírito Santo que é amor ardente, Benfeitor Supremo e nosso alento; Ele que vem para animar os tristes e guiar os errantes, deseja, de facto, guiar-nos, com os seus sete dons, no percurso deste novo ano. E é este  um ano especial, pelo facto de ser o ano da Fé.

Ontem, o Santo Padre inaugurou –o em Roma para toda a Igreja e nós vamos inaugura-lo amanhã, a partir de Fátima, para a Igreja em Portugal. Esta preocupação do Santo Padre e da Igreja universal não podia deixar indiferente o nosso IST e daí a escolha do tema das nossas próximas jornadas teológicas, a realizar em Novembro. Queremos também como IST responder ao apelo de Bento XVI, quando, na “Porta Fidei”, nº 9, propõe que este ano suscite em cada crente o desejo de “confessar a Fé”  mais plenamente, mas também o de “intensificar a celebração da Fé na Liturgia”, mas também de testemunhar a Fé com mais convicção e expressar a mesma Fé na oração mais intensa.

A Fé constituirá, assim, para cada um de nós e para as comunidades cristãs a autêntica relação com Cristo Vivo e ressuscitado que desabrocha em Fé confessada, em Fé  celebrada, em Fé rezada e em Fé vivida, o que também é expresso pelo catecismo da Igreja Católica .

Coincide este ano com a realização de um Sínodo sobre a nova evangelização, que está na fase da reunião de Bispos em Roma

vindos de todo o mundo e representantes de toda a Igreja.

Nele a Igreja pergunta-se a si própria como está a viver e a testemunhar o Evangelho de sempre para iluminar as grandes questões da actualidade,  muitas das quais são realmente novas. É, por isso, em contexto novo e de  profundas mudanças de mentalidade  e sociais que nós assumimos a responsabilidade de viver e transmitir a Fé. E estas grandes mudanças e transformações sociais, na actualidade, têm nome. Assim continua a perder significado e relevância pública a presença da Igreja na sociedade,  regressando nós os cristãos à condição de  pequeno rebanho e a uma Fé mais por decisão do que por herança cultural.  Apesar de as estatísticas dizerem que 80 % de população portuguesa se afirma católica e 89% dizer que baptiza os filhos na Igreja Católica, o  certo é que o nosso serviço à comunidade se tem de fazer cada vez mais por via da presença discreta e do testemunho.

E esta é também para nós uma nova oportunidade para cultivarmos a proximidade e o acolhimento na relação personalizada com cada indivíduo. E na hora  de dificuldade presente que a sociedade portuguesa atravessa, em que se destroem sistematicamente laços de vizinhança e relações de proximidade, com progressivo abandono das pessoas à  sua sorte, sem as protecções a que estavam habituadas, nós, em nome da Fé, temos de estar juntos delas a testemunhar aí o rosto misericordioso de Deus que é companhia para todos.

 

2.            Naquela manhã do Pentecostes, os apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar, diz o livro dos Actos, com medo dos judeus, certamente. Procuravam, na força da Fé e na memória do Ressuscitado, encontrar saídas para anunciar o Evangelho  naquela situação muito complicada, em que a oposição dos judeus parecia uma barreira intransponível. De repente tudo mudou, com a descida do Espírito Santo. Mudou a mentalidade e o estado de ânimo dos apóstolos; mudou a atitude dos destinatários. É que o mesmo Espírito Santo estava na vida dos Apóstolos, dos evangelizadores, mas também estava na vida dos destinatários da Evangelização, pois os ouviam proclamar a Boa Nova nas suas próprias línguas, dizem os Actos dos Apóstolos. Na  luz e na força do Espírito Santo, a Igreja e os cristãos sabem que não são pregadores no deserto, mas, com o seu dinamismo evangelizador, sabem-se  precedidos, no coração das pessoas e do próprio mundo, pelo Espírito do Pentecostes.

Como os apóstolos, naquele primeiro dia  de semana, sentimo-nos enviados; e enviados com a difícil missão de anunciar valores  a um  mundo e a uma cultura que parecem a quilómetros de  distância de compreenderem e aceitarem esses valores e, em muitas circunstâncias,  teimam mesmo em virar-nos  as costas. É em situações como estas, muitas vezes geradoras de desconforto, que queremos, de novo, escutar as palavras do Senhor ressuscitado aos seus discípulos – “recebei o Espírito Santo”.

Ele vem trazer-nos uma  nova sabedoria, que completa a sabedoria dos livros, sem, todavia, a substituir. Daí a razão e a importância do nosso esmerado estudo da Teologia. Ele vem para fazer de nós um corpo vivo, como seu princípio de actividade e unificador;  vem para nos manter sempre orientados para o objectivo comum que é construir a Igreja para serviço da comunidade humana; e vem para valorizar as diversidades e motivar cada um a dar o seu contributo pessoal, que é  único e insubstituível, para  a obra comum. Isto lembra-no-lo a carta aos Coríntios, ao falar na diversidade de dons e  ministérios suscitados na Igreja pelo mesmo Espírito, que é dinamismo de unidade.

 

3.            Abre o ano da Fé na data em que se completam 50 anos passados sobre  a abertura do Concílio Vaticano II. Como diz o Papa na “Porta Fidei”, citando-se a si próprio,  “se o lermos e  recebermos  guiados por uma justa hermenêutica , o  Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais um a grande força para a renovação sempre necessária  da Igreja”. Ora é a prática desta justa hermenêutica  na compreensão do Concílio que nós queremos pedir também ao  nosso Instituto  Superior de Teologia para serviço das nossas Dioceses e das nossas comunidades cristãs. E  para  isso vamos ter  à nossa  frente não apenas o ano da Fé, mas também pelo manos todo o tempo que decorre até às comemorações do encerramento do mesmo Concílio Vaticano II, em 2015. E o que está em causa, com a prática desta justa hermenêutica  recomendada pelo Papa é ajudar os nossos cristãos  a relançarem-se na autêntica recepção do Concílio, nas suas grandes intuições e propósitos, que estão por cumprir,  em grande parte, das nossas vivências da Fé, tanto pessoais como comunitárias.

Em entrevista dada há uma semana, o Presidente da Conferência Episcopal  Portuguesa diz que “o Concílio foi um acontecimento empolgante que mobilizou a Igreja toda”.

E disso tivemos nós muitos  sinais nas nossas dioceses e na s nossas comunidades. Mas acrescente o Cardeal Policarpo, na mesma entrevista, mais à frente, que, de facto, “houve muita euforia conciliar que não tem nada a ver com a solidez da mensagem conciliar”.

Recuperar esta solidez da mensagem conciliar para retomarmos a autêntica recepção do Concílio é tarefa de todos nós e específica do nosso Instituto Superior  de Teologia. Como lembra o Presidente da Conferência episcopal na citada entrevista, “a recepção do Concílio tem de ser feita em clave positiva”.  E com isso quer dizer que precisamos de conhecer a realidade para sabermos como lhe anunciar o Evangelho. Daí a importância da justa hermenêutica  do Concílio pedida pelo Papa Bento XVI; justa hermenêutica que tem como chave  a Fé da Igreja e a nova evangelização.

Quando celebramos o ano da Fé e decorre, em Roma, um Sínodo sobre a Nova Evangelização e a transmissão da Fé,  desejo recordar o tema da mensagem do Santo Padre para o próximo dia mundial das comunicações  já anunciado e que é o seguinte: “Redes sociais: portas da Verdade e da Fé” O Papa pede-nos, nesta sua mensagem, para usarmos as novas tecnologias aplicadas à informação como meios de evangelizar. Mas pede-nos mais do que isso. Pede-nos para marcarmos presença nas redes sociais, com a novidade do Evangelho. E, a propósito, desejo recordar o que diz o fundador da Internet, o americano Berners-Lee em entrevista que lhe foi feita por ocasião dos 20  anos da Internet, fundada em 1992.

Perguntaram-lhe o que mais o chocava quanto ao uso da Internet na actualidade. E ele sublinhou o facto de pessoas da mesma cidade comunicarem entre si   sistematicamente  pela internet,  que de facto muitas vezes substitui a relação  interpessoal. Esta é mais uma prova de que vivemos já na aldeia global que temos a responsabilidade de evangelizar. Resta-nos meter mãos à obra.

Para terminar desejo convosco, nesta hora da abertura solene do ano académico,  invocar o Espírito Santo para juntos tentarmos esta justa hermenêutica do Concílio que o Papa nos recomenda  para fortalecimento da Fé e sua transmissão nos novos contextos culturais da actualidade.

 

+Manuel Rocha Felício, Bispo da Guarda

12 - 10 - 2012