JavaScript is disabled!
To display this content, you need a JavaScript capable browser.

Ver Todos
Ver Todos

Ver Todos
II Domingo da Quaresma
http://www.diocesedaguarda.pt/components/com_gk3_photoslide/thumbs_big/306594Mossul.jpglink
http://www.diocesedaguarda.pt/components/com_gk3_photoslide/thumbs_big/363483paul_2017_a.pnglink
http://www.diocesedaguarda.pt/components/com_gk3_photoslide/thumbs_big/417028DSC09728.JPGlink
http://www.diocesedaguarda.pt/components/com_gk3_photoslide/thumbs_big/888963Paix__o_horizontal.jpglink

A Quaresma, com o número simbólico dos seus quarente dias, é convite de conversão a Deus, não só para recusarmos o pecado na nossa vida, mas também para fortalecermos a

Ver Mais

O Movimento dos Cursos de Cristandade da Diocese da Guarda vai realizar um Curso de Cristandade (nº 79 – homens) de 28 de Abril a 1 de Maio, no Centro

Ver Mais

O Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, e a Coordenadora Geral da Liga, Irmã Graça Afonso, estiveram em Angola, na Quilenda, de 7 a 14 de Março, para tratar de

Ver Mais

Dia: Domingo de Ramos, 9 de Abril de 2017 Hora: 21.00 horas Local: Entre a Sé Catedral e a Torre de Menagem Organização: Paróquias do Arciprestado da Guarda e Câmara Municipal da Guarda As

Ver Mais

Mensagem de D. Manuel Felício para a Quaresma 2017 - A Quaresma: Tempo de conversão a Deus e ao outro

A Quaresma, com o número simbólico dos seus quarente dias, é convite de conversão a Deus, não só para recusarmos o pecado na nossa vida, mas também para fortalecermos a amizade com Ele. É o tempo favorável para intensificarmos a nossa vida espiritual, através dos meios tradicionais que a Igreja nos oferece, como são o jejum, a oração e a esmola, mas principalmente pelo acolhimento da Palavra de Deus que havemos de saber escutar, meditar e partilhar com mais assiduidade ao longo destes 40 dias.
A nossa conversão não ficaria completa se não incluísse a conversão ao outro que é, por si mesmo, sinal e presença de Deus para cada um de nós. Se, como sublinha o Papa na Sua mensagem, “fechar o coração ao dom de Deus que fala tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão”, o contrário também é verdade. Quanto mais abrimos o coração a Deus mais sentimos necessidade de ir ao encontro dos irmãos, sobretudo dos mais fragilizados. Para aprofundarmos o caminho da nossa conversão a Deus, precisamos que durante este tempo de Quaresma, haja momentos fortes, nas comunidades cristãs, de encontro com a Palavra de Deus. Por isso é importante que, de semana a semana, os grupos que preparam a liturgia dominical dediquem tempo significativo a ler a palavra de Deus própria desse domingo, a meditá-la, com ajuda de algum comentário, a partilhá-la e a contemplá-la em termos que possam motivar atitudes de vida nova. Recomenda-se que esta preocupação chegue não apenas aos grupos corais; mas também a grupos de leitores, de acólitos e de outros serviços paroquiais. O apoio de comentário pode ser aquele que é publica¬do semanalmente no jornal diocesano A GUARDA, procurando nós que seja colocado também no site da Diocese. Na medida em que se consolidar esta prática nas nossas comunidades, também as homilias dos sacerdotes e dos diáconos, sobretudo nas assembleias dominicais, sairão beneficiadas. Para aprofundar a nossa espiritualidade, neste tempo especialmente favorável, é bom que em cada arciprestado, dentro da nossa tradição diocesana, se organize pelo menos um retiro, que seja anunciado em todas as paróquias. Não esqueceremos que esta quaresma precede imediatamente a celebração do centenário das Aparições de Fátima. E como lembra a carta pastoral da Conferência Episcopal sobre este centenário, a mensagem de Nossa Senhora aos três pastorinhos é uma bênção para a Igreja e para o mundo. E, como tal, interpela-nos para uma atitude orante diante da Santíssima Trindade. Convida-nos à contemplação, à compaixão e ao anúncio da Boa Nova, segundo o modelo das três crianças. Por sua vez, a presença e o olhar de Maria, como o sentiram os videntes, é mensagem de ternura e misericórdia que o mundo de hoje precisa, mais que nunca. E é bom lembrar que, no centro da mensagem de Fátima, está o convite à conversão para que a guerra pudesse acabar e a paz regressasse à vida das pessoas e das Famílias. O Papa insiste, na sua mensagem, em que é preciso “abrir a porta do nosso coração ao outro, “seja ele o nosso vizinho, seja o pobre desconhecido. Ora, todos nós, ao longo dos últimos tempos, temos sentido o drama dos refugiados que fogem da guerra que se instalou nas suas terras e insistentemente batem às portas da Europa, sobretudo atravessando as águas do Mediterrâneo, onde muitos milhares já perderam a vida. É necessário encontrar formas de acolher estes irmãos nossos, mas é ainda mais necessário tentar que voltem a ter condições de vida nas suas terras. No meio dos muitos dramas que afectam aqueles que fogem há o drama específico das comunidades cristãs do Iraque e da Síria que, sendo lugares com comunidades cristãs que remontam ao tempo dos apóstolos, agora estão em risco de desaparecer. Só a título de exemplo, em 2003 havia 1 milhão de cristãos no Iraque, agora não chegam a 250 mil, muitos deles deslocados das suas terras e das suas casas. Nos lugares onde se implantou o chamado Estado Islâmico, consta que os Jiha¬distas davam três saídas possíveis aos cristãos que ali viviam, a saber, ou deixa¬rem o cristianismo e converterem-se ao Islão radical que eles propõem, ou pagarem uma quantia mensal em dinheiro ou irem embora. Perante situações como estas, o Bispo de Mossul (antiga cidade bíblica de Nínive) desabafou assim: “Não há cristãos na minha diocese. Sou um Bispo sem diocese”. Mas acrescentava que surpreende a constância na Fé de muitos destes cristãos. Perante o quadro dramático das comunidades cristãs do Iraque e também da Síria, este ano vamos destinar-lhes a nossa renúncia quaresmal. E far-lha-emos chegar através da Fundação “Ajuda à Igreja que sofre” que o Papa Francisco expressamente convida a “fazer por todo o mundo uma obra de misericórdia”. Guarda, 19-02.2017 +Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda

Paul - Curso de Cristandade

O Movimento dos Cursos de Cristandade da Diocese da Guarda vai realizar um Curso de Cristandade (nº 79 – homens) de 28 de Abril a 1 de Maio, no Centro Pastoral do Santuário de Nossa Senhora da Dores, no Paul, concelho da Covilhã.
Os interessados em participar podem fazer a inscrição, junto do pároco, até ao dia 17 de Abril. “Os Cursilhos de Cristandade são um movimento de leigos, um movimento de Igreja que, mediante um método próprio, possibilitam a vivência e a convivência do fundamental cristã, ajudam a descobrir e a realizar a vocação pessoal e tornam possível a criação de núcleos de cristãos que vão fermentando de Evangelho os ambientes”, explica o padre António Martins, responsável pelo Movimento na Diocese da Guarda. Recorde-se que os Cursilhos de Cristandade começaram em Palma de Maiorca (Espanha), no final da década de quarenta, do século passado. Em Portugal, o primeiro Cursilho teve lugar em Fátima, em 30 de Novembro de 1960.

Quilenda – Angola - Bispo da Guarda presidiu à abertura do ano escolar, na Escola D. João de Oliveira Matos

O Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, e a Coordenadora Geral da Liga, Irmã Graça Afonso, estiveram em Angola, na Quilenda, de 7 a 14 de Março, para tratar de assuntos relacionados com a Escola Católica D. João de Oliveira Matos, nomeadamente com o Bispo da Diocese do Sumbe, D. Luzízila Kiala, “que nos acolheu com grande simpatia e disponibilidade” e com o Governador da zona, “que muito tem ajudado e apoiado a criação da Escola”.
A Irmã Graça Afonso disse ao Jornal A GUARDA que o Bispo da Diocese do Sumbe “mostrou grande interesse pela obra que a Liga está a desenvolver na sua Diocese e deu-nos orientações que considero serem eficazes no alcance dos objetivos que se pretendem: a criação de uma equipa missionária formada pelos dois párocos e as irmãs; a direção da escola segundo o protocolo existente entre a CEAST e o Ministério da Educação; e ainda a criação de um Centro Catequético a funcionar no Centro Missionário”. A Irmã Graça Afonso destacou ainda os contactos estabelecidos com os docentes da Escola D. João, com os alunos e Encarregados de Educação. “Participámos no louvor da manhã, que se faz cada dia logo às 7.45 horas, em que os alunos e professores, reunidos no ondjango, cantam o hino nacional, o hino da escola e, por fim, cânticos de mensagem como oração de louvor, indo depois para as respectivas salas de aula”, explicou. A abertura do ano lectivo foi assinalada com a celebração da Eucaristia presidida por D. Manuel Felício, em que concelebrou o padre Isaac, um dos párocos. Estiveram presentes muitos meninos e meninas (alunos da escola), professores e um significativo número de encarregados de educação. “Foi uma Eucaristia muito participada e vivida com os ritmos africanos que nos encantou e elevou”, disse a Irmã Graça Afonso que acredita que “esta visita vai ser fecunda em flores e frutos”.

Guarda - Paixão de Jesus segundo S. Mateus

Dia: Domingo de Ramos, 9 de Abril de 2017 Hora: 21.00 horas Local: Entre a Sé Catedral e a Torre de Menagem Organização: Paróquias do Arciprestado da Guarda e Câmara Municipal da Guarda
As paróquias do Arciprestado da Guarda vão promover a “Paixão de Jesus segundo S. Mateus”. A encenação realizar-se-á na noite de Domingo de Ramos, dia 9 de Abril, às 21h00, e percorrerá as ruas da cidade da Guarda entre a Sé Catedral e a Torre de Menagem. A entrada é livre. A iniciativa vai contar com a colaboração de cerca de 250 actores amadores, naturais das paróquias do Arciprestado da Guarda. Os actores estarão trajados à época de modo a conferir maior realismo à representação. O texto da encenação é adaptado do Evangelho segundo São Mateus, o evangelista que se lê nas Eucaristias dominicais deste ano litúrgico. A representação corresponde ao texto evangélico que vai da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, até à sua Paixão e Morte. A encenação está dividida em cinco actos e decorre em cinco espaços da cidade: I Acto: Sé Catedral da Guarda: A entrada triunfal em Jerusalém e a Ceia Pascal. II Acto: Largo Dr. Amândio Paul: A agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras. III Acto: Solar de Alarcão: Jesus no tribunal judaico. IV Acto: Escola de Santa Clara: Jesus levado a Pilatos. V Acto: Torre de Menagem: Calvário. Após a condenação de Jesus à morte, ao longo do percurso que vai da Escola de Santa Clara até à Torre de Menagem, serão reproduzidas cenas religiosas que a piedade cristã conserva na sua tradição. Nestes quadros da Via-Sacra, grupos de cantares, provenientes das paróquias do arciprestado da Guarda, irão cantar cantos quaresmais apropriados às cenas representadas: o encontro com Verónica; as quedas de Jesus; o encontro com Maria, sua Mãe; o encontro com as mulheres de Jerusalém. No final da encenação, na Torre de Menagem, um grupo de crianças fará uma coreografia. A iniciativa é das paróquias do Arciprestado da Guarda. A organização é do Arciprestado da Guarda, representado pelas Paróquias da Sé e S. Vicente, e da Câmara Municipal da Guarda. A parte técnica de luz e som está a cargo de uma empresa de audiovisual sedeada na Guarda. Sabia que… No concelho da Guarda há dois arciprestados: o arciprestado da Guarda e o arciprestado do Rochoso. O arciprestado da Guarda é constituído por 39 paróquias, 3 urbanas e 36 rurais. Estas paróquias estão ao cuidado de 12 párocos. Além das paróquias existem também diversas capelanias na cidade da Guarda, ao cuidado dos respectivos capelães. As paróquias do arciprestado da Guarda são as seguintes: Aldeia do Bispo, Aldeia Viçosa, Alvendre, Arrifana, Avelãs de Ambom, Avelãs da Ribeira, Benespera, Cavadoude, Codeceiro, Corujeira, Faia, Famalicão, Fernão Joanes, Golçalbocas, Guarda - Sé, Guarda - S. Vicente, Guarda - S. Miguel, Jarmelo - S. Miguel, Jarmelo - S. Pedro, João Antão, Maçaínhas, Meios, Misarela, Panóias, Pêra do Moço, Pêro Soares, Porto da Carne, Ramela, Ribeira dos Carinhos, Rocamondo, Sant’Ana da Azinha, Sobral de S. Miguel, Trinta, Vale de Estrela, Vela, Videmonte, Vila Cortêz do Mondego, Vila Franca do Deão, Vila Soeiro. Contacto: paixaodejesus.guarda@gmail.com Direcção Geral: P. Carlos Lages, Arcipreste da Guarda Direcção Técnica: P. Francisco Barbeira Direcção Artística: P. Hélder Lopes

Galeria Multimédia

JavaScript is disabled!
To display this content, you need a JavaScript capable browser.

Ver Todos
Ver Todos

Ver Todos

Receba a nossa newsletter:


Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
II Domingo da Quaresma

II Domingo da Quaresma

Para a qualidade de vida pessoal e comunitária

1. Contamos hoje o segundo degrau na subida para a Festa da Páscoa, ao celebrar o II Domingo da Quaresma. Com este degrau ficamos no primeiro patamar, pois o primeiro e os 2º domingos da Quaresma são por si mesma introdução ao espírito da renovação quaresmal. À nossa frente ficam mais dois lanços da escada: um com 3 degraus, os 3 domingos centrais da Quaresma e o último, o 3º., com as duas semanas que imediatamente antecedem o Domingo de Páscoa, envolvendo os dois domingos chamados da Paixão. Esta divisão de tempos é mais uma pedagogia de Deus que, através da Igreja, nos quer ajudar na caminhada de conversão para celebrarmos condignamente a Páscoa.

2. A Palavra de Deus hoje fala-nos de transfiguração ou grande transformação. Transfiguração de Cristo, no monte Tabor, no meio de Moisés e Elias, diante dos apóstolos Pedro, Tiago e João, que também se deixaram transfigurar pelo impacto da experiência feita; transformação de um homem, o Patriarca Abraão, pela força de Fé, o qual fica capaz de trocar tudo o que tem pela aventura da esperança que Deus lhe propõe; transformação que nos impressiona hoje, no episódio do Livro do Génesis, porque envolve o desfazer-se do Seu próprio e único Filho para se colocar inteiramente às ordens de Deus. O modelo deste gesto desconcertante de Abraão é o próprio Deus Pai que, perante a rebeldia do mundo, e movido só do Seu amor infinito, não hesitou em entregar à morte o Seu único Filho Jesus Cristo pela Salvação da Humanidade e de cada ser humano.

Pedro, Tiago e João encontraram na experiência do Tabor, no deslumbramento de Cristo manifestado na Sua Glória e a conversar com Moisés e Elias, símbolos da lei e dos Profetas, uma nova força para a missão que os esperava entre os outros discípulos e no meio do mundo. Abraão encontrou 2 nesta sua experiência dolorosa, em que a fidelidade a Deus se sobrepôs a todos os interesses e outros valores, uma nova motivação, um novo estímulo para prosseguir o caminho da esperança no cumprimento da promessa.

Todos nós que hoje participamos na Eucaristia e procuramos renovar a nossa vida em geral e a nossa fé, sobretudo durante esta caminhada quaresmal, pretendemos deixar-nos transfigurar pela Graça de Cristo para ficarmos mais capazes de dar o nosso contributo para a transformação do mundo em que vivemos.

3. E vivemos num mundo a necessitar de profundas transformações para que nele haja verdadeiramente qualidade de vida pessoal e comunitária. É cada vez mais urgente para que o desenvolvimento possa gerar condições de vida com qualidade para as pessoas e para as comunidades. Não nos interessa o crescimento material a qualquer preço; só nos interessa um crescimento que torne as pessoas felizes e a vida comunitária saudável.

A Comissão Nacional "Justiça e Paz", cuja presidente tive oportunidade de aqui citar, há 8 dias, publicou um documento, já neste mês de Março subordinado ao seguinte título – "Recuperar a alegria de viver e o nosso compromisso com o mundo". É um documento que se propõe contribuir para a melhor vivência da Quaresma.

De facto, a alegria de viver é o único objectivo válido em qualquer processo de crescimento. Onde ela não existe ou diminui, e parece ser o que está a acontecer, é preciso tudo fazer para a recuperar. E este documento da Comissão Nacional "Justiça e Paz" faz propostas concretas, na linha do nosso compromisso de cristãos e de Igreja, para transformar a sociedade e a alegria de viver. Entre as propostas, permito-me sublinhar as seguintes, que são de uma actualidade gritante:

1ª) Lutar contra o pessimismo e o desânimo;

2ª) superar as razões da exclusão social e acabar com a pobreza. De facto, como sublinha o texto, a grande desigualdade é uma afronta à Justiça e à boa convivência cívica;

3ª) superar o consumismo irresponsável;

4ª) praticar o acolhimento aos imigrantes, o que constitui dever de todos os cidadãos em todas as sociedades;

5ª) fazer esforço pela dignificação do trabalho humano;

6ª) colaborar na defesa dos bens públicos e contribuir para eles com sentido de responsabilidade social. Isto envolve uma educação generalizada para o sentido do bem comum. O respeito pela fiscalidade e o pagamento de impostos é um dos factores desta defesa dos bens públicos;

7ª) reabilitar a confiança nas instituições da sociedade civil e em particular na actividade política;

8ª) nesta Quaresma, como cristãos temos de nos converter à esperança e ajudar o mundo em geral a fazer a mesma conversão. De facto tem de ser a esperança a comandar a vida das pessoas e da sociedade; senão, não vale a pena viver.

4. Perante este bem pensado programa de renovação comunitário, porque é disso que se trata, um programa que desafia cristãos e sociedade civil em geral para objectivos de qualidade de vida necessária a todos, sentimos que a renovação, a transfiguração verdadeira tem de começar por casa, pela vida pessoal de cada cidadão, de cada pessoa. O verdadeiro desenvolvimento implica que a pessoa tenha condições para se conhecer a si mesma e se encontra consigo, no santuário da sua consciência. A partir da consciência, bem formada de acordo com os princípios elementares da lei dos homens, da lei da natureza e da Lei de Deus, que não são  leis, mas uma só Lei, cada pessoa precisa de elaborar o seu projecto pessoal de vida e de acordo com ele tomar as decisões que devem ser tomadas para gerar Vida de qualidade em si mesmo, nos outros e no mundo.

Se estamos de acordo em que o mais importante é a vida de qualidade, então pertence-nos a todos, começando pelas autoridades e instituições civis e administrativas, criar as condições indispensáveis para atingir esse objectivo. E chegados aqui precisamos de encarar de frente um problema incontornável dos nosso ambientes que é a desertificação. Infelizmente, o movimento demográfico, no nosso país, continua a ser para os grandes centros, com dois grandes pólos 4 e atracção no seu mapa geográfico, apontando as projecções já feitas para que, dentro de 20 anos, 75% da população portuguesa viverá em duas áreas metropolitanas de grande dimensão – grande Lisboa e grande Porto.

Acrescente-se a esta deslocação demográfica, o esvaziamento das povoações rurais para as cidades e vilas mais próximas. Tivemos, de facto, no censo de 2001 várias cidades do interior a crescer, mas isso aconteceu à custa das povoações vizinhas. Também com este fenómeno de fixação massissa das populações nos grandes centros ninguém fica a ganhar, a não ser os especuladores imobiliários. Se tivermos em conta uma outra previsão já feita de que em 2020 seremos em Portugal menos 700 mil portugueses, devido aos efeitos da baixa de natalidade, sentimos a urgência de introduzir factores novos neste processo que permitam inverter a marcha dos acontecimentos.

Este ano de 2006 foi declarado pela ONU ano internacional do deserto e da desertificação. Ora a desertificação começa com a saída das pessoas, passa depois pelo abandono da natureza, pela degradação do ambiente, e aqui os fogos são apenas a parte mais visível da degradação, até que as nossas terras correm o risco de ficar apenas resíduos arqueológicos de uma civilização sepultada nos escombros dessa desertificação.

Somos homens e mulheres de esperança, queremos como cristãos levar razões de esperança à nossa sociedade e por isso acreditamos que é possível evitar esta hecatombe dos nossos ambientes. Já tivemos oportunidade de nos congratular com algumas políticas de discriminação positiva para os nossos ambientes, como está a ser, por exemplo, a isenção de portagens na A23 e A25. Esta é uma forma de ajudar a pagar os custos da interioridade. Mas temos de continuar a percorrer este caminho, criando condições mais favoráveis aos empresários, em redução de impostos, para que venham montar mais algumas empresas nos nossos meios; incentivando os casais novos originários das nossas terras a fixarem-se nelas, quer porque se lhes facilita a aquisição de casa própria, quer porque se lhes oferecem meios financeiros para criarem o seu próprio emprego; precisamos de fomentar a cultura das pequenas empresas, de base familiar, em que as pessoas, na vez de se queixarem da falta de emprego e de quererem viver do desemprego, se associem e tomem iniciativas, quanto possível tirando partido das muitas potencialidades de desenvolvimento existentes nos nossos meios.

A política geral do nosso país tem a grande parte da responsabilidade quanto a medidas a tomar para inverter este fluxo demográfico do interior para os grandes centros, mas a política local, tanto autárquica como dos nossos representantes na Assembleia da República e no Governo, também não pode demitir-se. Não posso aceitar que se classifique de "destruição criadora" o despovoamento do Portugal rural tradicional, segundo declaração de um Secretário de Estado do actual Governo na semana passada. Estou mais de acordo com o Professor Universitário investigador e docente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa Mário Bandeira quando diz que este despovoamento é um crime e lamenta que mais de metade do território não faça parte dos planos destes país, dentro da política errada seguida pelos governos nos últimos 30 anos.

Precisamos também de outras condições para o crescimento da qualidade da vida nos nossos aglomerados populacionais. A relação comunitária é uma necessidade das pessoas. Cada pessoa nasce, cresce, desenvolve-se na sua verdadeira identidade principalmente criando relações gratuitas e gratificantes com os outros. A experiência da partilha de bens materiais mas também culturais e espirituais é determinante para o bem estar social; principalmente, cada pessoa precisa de ser reconhecida, de forma continuada, nos seus valores e capacidades; e sobretudo precisa de sentir que estas suas capacidades são aproveitadas. Todos temos de desenvolver esforços e criar condições para acabar com a marginalidade, seja qual for a expressão que tiver e promover a inserção social. O trabalho humano, mais do que simples factor de produção económica ou até de meio necessário para garantir a subsistência de cada um e sua família, precisa de ser experimentado, cada vez mais, como lugar da realização pessoal. Temos de impedir a comercialização dos tempos livres, que tendem par crescer e fazer deles oportunidades para a formação das pessoas e para a construção de comunidades vivas e humanizantes.

Para conseguirmos objectivos de qualidade de vida comunitária, há, sobretudo hoje, um problema que temos de encarar de frente e com coragem – é o ordenamento do território e o planeamento urbanístico. Precisamos que as nossas aldeias não percam habitantes, mas os planos directores municipais continuam a restringir exageradamente os terrenos rurais destinados à construção.

A consequência é que as pessoas vêem-se obrigadas a procurar terrenos urbanizados na cidade ou suas imediações, o que explica o crescimento demográfico nos grandes centros mesmo do nosso interior e o esvaziamento das aldeias. Por outro lado, o planeamento urbanístico dos grandes centros não pode obedecer simplesmente a objectivos de lucro imediato e fácil, como muita vezes infelizmente tem acontecido. Quantas vezes a densidade da construção em altura tem ignorado a necessidade pura e simples de ter espaço para estacionamento; mas mais do que isso, precisamos que as acessibilidades não sejam sacrificadas; que haja espaços verdes e outros a permitir contacto das pessoas com a natureza; que haja equipamentos sociais, como centros comunitários e outros, com a finalidade de desfazer o anonimato e o isolamento e promover o conhecimento e a relação entre as pessoas. O desenraizamento das pessoas que deixam a sua terra e a sua família para se fixarem na cidade é em si mesmo uma ferida, que precisa de ser curada, com acolhimento esmerado, nos novos lugares de residência. Temos o direito de pedir aos

planeamentos urbanísticos das nossas cidades que coloquem como alvo preferencial da suas opções estratégicas a criação de condições objectivas para uma vida comunitária densa e consequentemente uma sociedade civil forte onde cada pessoa e cada família se sintam acolhidas e verdadeiramente motivadas a darem o seu máximo contributo para a vida de qualidade necessária nos nossos ambientes. Atrevemo-nos a pedir que os planos directores municipais, que agora estão felizmente a ser revistos, proporcionem a fixação de casais novos e outros menos novos nas nossas aldeias tradicionais, contribuindo, assim, para inverter  a marcha implacável da desertificação.

E ainda sobre a desertificação, mais do que os choques largamente propagados, o tecnológico e outros, o nosso país precisa é da inversão desta tendência, o que, na opinião mesmo do Professor universitário citado, justificaria uma solução encarada como desígnio nacional que ele mesmo classifica assim: "um grande choque, para utilizar uma expressão usada ultimamente no discurso político".

Lembrar estes problemas e propor alguns critérios de solução é também o nosso contributo de cidadãos e de cristãos, neste tempo de renovação pessoal e comunitária que é a Quaresma, para a qualidade de vida dos indivíduos e da sociedade que a todos nos tem de preocupar.

12/3/2006

+Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda