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A Igreja Católica em Portugal vai viver a Semana de Oração pelas Vocações, este ano com propostas da Diocese de Bragança-Miranda, incluindo um vídeo com jovens. O guião nacional para

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Com data de 16 de Abril, D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, divulgou a seguinte mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações que se celebra este domingo, 22

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No dia 24 de Abril, a Casa de Saúde Bento Menni, na Guarda, celebra o seu patrono e fundador da Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, S.

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O Padre João Miguel de Barros foi homenageado, a título póstumo, pelos paroquianos de Póvoa do Concelho, Feital e Vale de Mouro, no último domingo, 15 de Abril. “Foi um dia

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Semana de Oração pelas Vocações apresenta proposta de felicidade pela voz dos jovens

A Igreja Católica em Portugal vai viver a Semana de Oração pelas Vocações, este ano com propostas da Diocese de Bragança-Miranda, incluindo um vídeo com jovens.
O guião nacional para iniciativa inclui a mensagem do Papa Francisco, uma proposta de rosário vocacional e Lectio Divina, uma vigília de oração e catequeses para crianças e para jovens. O Secretariado da Pastoral Juvenil e Vocacional da Diocese de Bragança-Miranda chamou os jovens no hino “É Cristo que me chama a ser Feliz”, gravado em vídeo, bem como um conjunto de propostas para apoiar as comunidades, os grupos de catequese e de formação, nomeadamente nas celebrações. A semana de Oração pelas Vocações começa a 15 de Abril e termina Domingo, 22 de Abril.

Domingo do Bom Pastor – 22 de Abril - Mensagem de D. Manuel Felício para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações

Com data de 16 de Abril, D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, divulgou a seguinte mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações que se celebra este domingo, 22 de Abril:
“Celebramos no próximo domingo, o Domingo do Bom Pastor, o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, o que acontece pela 55ª vez. Para este ano, em que se realiza, no próximo mês de Outubro, o Sínodo sobre os jovens, a Fé e o discernimento vocacional, o Papa Francisco propõe as seguintes três atitudes para todos cultivarmos: escutar, discernir e viver o chamamento do Senhor. Sobre a atitude do escutar, lembra-nos o Papa Francisco que Deus vem de forma discreta, sem se impor à nossa liberdade. Daí a redobrada atenção que cada um deve dar aos sinais discretos desta presença de Deus, que sempre interpela cada um pessoalmente para percorrer o seu caminho próprio ou seja a sua vocação. Sobre a atitude do discernir, remete-nos para o que diz o documento preparatório do Sínodo, onde se afirma que o discernimento espiritual é um processo pelo qual cada pessoa, em diálogo com Deus e na escuta da voz do Espírito, realiza as suas opções fundamentais, a começar pela do estado de vida. Temos de reconhecer que o grande défice do percurso das pessoas em geral, a começar na idade juvenil, é a falta de ambientes e de disponibilidade pessoal , mas também de alguma ajuda externa para que esta caminhada de discernimento se faça. Parece que a vocação de cada pessoa é o que menos conta nos percursos de formação oferecidos na actualidade. Sobre o viver em resposta ao chamamento do Senhor, diz o Papa que essa é a grande urgência na vida de cada pessoa. Daí ser necessário que cada um assuma o risco de fazer escolhas, segundo a certeza de que viver é escolher. Por isso, quem escolhe bem vive bem, quem escolhe mal vive mal e quem não é capaz de assumir o risco da escolha ainda vive pior. Por isso o Papa continua a dizer-nos que a vocação não é algo do passado ou que se possa adiar indefinidamente para o futuro, mas de hoje. Sendo assim, cada um é chamado a ser testemunha do mesmo Senhor, quer na vida matrimonial, que no ministério ordenado, quer na vida de especial consagração Cumpre-nos criar as condições, nas famílias, nas comunidades paroquiais e outras, e também nos ambientes da vida em sociedade, para que o discernimento vocacional possa acontecer, na vida de cada um, a começar pelas idades iniciais”.

Casa de Saúde Bento Menni celebra Dia da Família Hospitaleira

No dia 24 de Abril, a Casa de Saúde Bento Menni, na Guarda, celebra o seu patrono e fundador da Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, S. Bento Menni.
O programa começa às 11.00 horas, no momento de acção de graças e de louvor com a celebração da Eucaristia. Depois do almoço convívio de colaboradores, voluntários e irmãs segue-se o “Ringue da Hospitalidade” (14.30 horas). Uma dinâmica que envolve equipas de colaboradores na defesa dos valores institucionais. Neste 1º ringue encontram-se a ética-em-toda-a-actuação e acolhimento-libertador. As actividades terminam às 18.00 horas, com a presentação do caderno de poesia – “Um Silêncio cheio de Rosas”, da autoria de Maria de Lurdes Ribeiro, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço.

Póvoa do Concelho - Trancoso - Homenagem ao Padre João Miguel de Barros

O Padre João Miguel de Barros foi homenageado, a título póstumo, pelos paroquianos de Póvoa do Concelho, Feital e Vale de Mouro, no último domingo, 15 de Abril.
“Foi um dia verdadeiramente emotivo e perpassou o sentimento de que a homenagem a este grande homem e sacerdote já deveria ter acontecido”, disse o actual pároco destas paróquias, Carlos Manuel Helena. E acrescentou: “O tempo não conseguiu apagar as boas memórias de tantas pessoas que sentiram o cuidado e a proximidade deste sacerdote”. As paróquias de Póvoa do Concelho, Feital e Vale de Mouro, “passados 51 anos após a sua inesperada morte, quiseram manifestar o seu tributo à sua vida e obra que ainda permanece na memória de todos os que conviveram com ele”. O Padre João Miguel de Barros nasceu em 1909, na freguesia de Pousafoles, concelho do Sabugal. Aos 14 anos entrou no Seminário Menor do Espírito Santo, em Viana do Castelo. Foi ordenado sacerdote no dia 7 de Setembro de 1935. Seguiu, nesse mesmo ano, para as Missões de Angola, onde foi colocado pelos Superiores da Congregação na Missão Católica de Malange, na qual permaneceu em missão de serviço, dedicado à evangelização até 1940. Em 1941, enfrenta novo desafio missionário na Missão Católica dos Bângalas, próximo de Malange, na qualidade de professor, acumulando com o cargo de Superior da instituição e sede do Seminário com o mesmo nome. Em 1943 vem à Metrópole em gozo de período de férias e não regressou à Missão dos Bângalas, por motivo de saúde de um familiar próximo. Em 11 de Abril de 1944 foi nomeado para as paróquias de Feital, Vale de Mouro e Póvoa do Concelho. Nestes lugares do concelho de Trancoso o padre João Miguel de Barros lançou mãos à obra nas seguintes áreas de acção: Dinamização da liturgia; coordenação da catequese nos diferentes grupos etários; planeamento e ensino da disciplina de Religião e Moral Católica nas Escolas Primárias; intervenção na pastoral dos doentes; promoção das Irmandades; apoio à família; preparação de jovens casais para o casamento; estímulo na constituição do grupo coral; organização de excursões a Fátima; administração, manutenção e conservação dos bens patrimoniais da igreja. No âmbito social destacou-se na aplicação do Programa Alimentar da Cáritas Americana nas paróquias; na prestação de serviço gratuito às pessoas nos cuidados primários de saúde; na introdução de hábitos de higiene; na ampliação de intervenção no auxílio aos lavradores no campo sanitário dos animais domésticos. Morreu com 57 anos, no dia 3 de Abril 1967. Foi enterrado no cemitério de Pousafoles do Bispo.

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II Domingo da Quaresma

II Domingo da Quaresma

Para a qualidade de vida pessoal e comunitária

1. Contamos hoje o segundo degrau na subida para a Festa da Páscoa, ao celebrar o II Domingo da Quaresma. Com este degrau ficamos no primeiro patamar, pois o primeiro e os 2º domingos da Quaresma são por si mesma introdução ao espírito da renovação quaresmal. À nossa frente ficam mais dois lanços da escada: um com 3 degraus, os 3 domingos centrais da Quaresma e o último, o 3º., com as duas semanas que imediatamente antecedem o Domingo de Páscoa, envolvendo os dois domingos chamados da Paixão. Esta divisão de tempos é mais uma pedagogia de Deus que, através da Igreja, nos quer ajudar na caminhada de conversão para celebrarmos condignamente a Páscoa.

2. A Palavra de Deus hoje fala-nos de transfiguração ou grande transformação. Transfiguração de Cristo, no monte Tabor, no meio de Moisés e Elias, diante dos apóstolos Pedro, Tiago e João, que também se deixaram transfigurar pelo impacto da experiência feita; transformação de um homem, o Patriarca Abraão, pela força de Fé, o qual fica capaz de trocar tudo o que tem pela aventura da esperança que Deus lhe propõe; transformação que nos impressiona hoje, no episódio do Livro do Génesis, porque envolve o desfazer-se do Seu próprio e único Filho para se colocar inteiramente às ordens de Deus. O modelo deste gesto desconcertante de Abraão é o próprio Deus Pai que, perante a rebeldia do mundo, e movido só do Seu amor infinito, não hesitou em entregar à morte o Seu único Filho Jesus Cristo pela Salvação da Humanidade e de cada ser humano.

Pedro, Tiago e João encontraram na experiência do Tabor, no deslumbramento de Cristo manifestado na Sua Glória e a conversar com Moisés e Elias, símbolos da lei e dos Profetas, uma nova força para a missão que os esperava entre os outros discípulos e no meio do mundo. Abraão encontrou 2 nesta sua experiência dolorosa, em que a fidelidade a Deus se sobrepôs a todos os interesses e outros valores, uma nova motivação, um novo estímulo para prosseguir o caminho da esperança no cumprimento da promessa.

Todos nós que hoje participamos na Eucaristia e procuramos renovar a nossa vida em geral e a nossa fé, sobretudo durante esta caminhada quaresmal, pretendemos deixar-nos transfigurar pela Graça de Cristo para ficarmos mais capazes de dar o nosso contributo para a transformação do mundo em que vivemos.

3. E vivemos num mundo a necessitar de profundas transformações para que nele haja verdadeiramente qualidade de vida pessoal e comunitária. É cada vez mais urgente para que o desenvolvimento possa gerar condições de vida com qualidade para as pessoas e para as comunidades. Não nos interessa o crescimento material a qualquer preço; só nos interessa um crescimento que torne as pessoas felizes e a vida comunitária saudável.

A Comissão Nacional "Justiça e Paz", cuja presidente tive oportunidade de aqui citar, há 8 dias, publicou um documento, já neste mês de Março subordinado ao seguinte título – "Recuperar a alegria de viver e o nosso compromisso com o mundo". É um documento que se propõe contribuir para a melhor vivência da Quaresma.

De facto, a alegria de viver é o único objectivo válido em qualquer processo de crescimento. Onde ela não existe ou diminui, e parece ser o que está a acontecer, é preciso tudo fazer para a recuperar. E este documento da Comissão Nacional "Justiça e Paz" faz propostas concretas, na linha do nosso compromisso de cristãos e de Igreja, para transformar a sociedade e a alegria de viver. Entre as propostas, permito-me sublinhar as seguintes, que são de uma actualidade gritante:

1ª) Lutar contra o pessimismo e o desânimo;

2ª) superar as razões da exclusão social e acabar com a pobreza. De facto, como sublinha o texto, a grande desigualdade é uma afronta à Justiça e à boa convivência cívica;

3ª) superar o consumismo irresponsável;

4ª) praticar o acolhimento aos imigrantes, o que constitui dever de todos os cidadãos em todas as sociedades;

5ª) fazer esforço pela dignificação do trabalho humano;

6ª) colaborar na defesa dos bens públicos e contribuir para eles com sentido de responsabilidade social. Isto envolve uma educação generalizada para o sentido do bem comum. O respeito pela fiscalidade e o pagamento de impostos é um dos factores desta defesa dos bens públicos;

7ª) reabilitar a confiança nas instituições da sociedade civil e em particular na actividade política;

8ª) nesta Quaresma, como cristãos temos de nos converter à esperança e ajudar o mundo em geral a fazer a mesma conversão. De facto tem de ser a esperança a comandar a vida das pessoas e da sociedade; senão, não vale a pena viver.

4. Perante este bem pensado programa de renovação comunitário, porque é disso que se trata, um programa que desafia cristãos e sociedade civil em geral para objectivos de qualidade de vida necessária a todos, sentimos que a renovação, a transfiguração verdadeira tem de começar por casa, pela vida pessoal de cada cidadão, de cada pessoa. O verdadeiro desenvolvimento implica que a pessoa tenha condições para se conhecer a si mesma e se encontra consigo, no santuário da sua consciência. A partir da consciência, bem formada de acordo com os princípios elementares da lei dos homens, da lei da natureza e da Lei de Deus, que não são  leis, mas uma só Lei, cada pessoa precisa de elaborar o seu projecto pessoal de vida e de acordo com ele tomar as decisões que devem ser tomadas para gerar Vida de qualidade em si mesmo, nos outros e no mundo.

Se estamos de acordo em que o mais importante é a vida de qualidade, então pertence-nos a todos, começando pelas autoridades e instituições civis e administrativas, criar as condições indispensáveis para atingir esse objectivo. E chegados aqui precisamos de encarar de frente um problema incontornável dos nosso ambientes que é a desertificação. Infelizmente, o movimento demográfico, no nosso país, continua a ser para os grandes centros, com dois grandes pólos 4 e atracção no seu mapa geográfico, apontando as projecções já feitas para que, dentro de 20 anos, 75% da população portuguesa viverá em duas áreas metropolitanas de grande dimensão – grande Lisboa e grande Porto.

Acrescente-se a esta deslocação demográfica, o esvaziamento das povoações rurais para as cidades e vilas mais próximas. Tivemos, de facto, no censo de 2001 várias cidades do interior a crescer, mas isso aconteceu à custa das povoações vizinhas. Também com este fenómeno de fixação massissa das populações nos grandes centros ninguém fica a ganhar, a não ser os especuladores imobiliários. Se tivermos em conta uma outra previsão já feita de que em 2020 seremos em Portugal menos 700 mil portugueses, devido aos efeitos da baixa de natalidade, sentimos a urgência de introduzir factores novos neste processo que permitam inverter a marcha dos acontecimentos.

Este ano de 2006 foi declarado pela ONU ano internacional do deserto e da desertificação. Ora a desertificação começa com a saída das pessoas, passa depois pelo abandono da natureza, pela degradação do ambiente, e aqui os fogos são apenas a parte mais visível da degradação, até que as nossas terras correm o risco de ficar apenas resíduos arqueológicos de uma civilização sepultada nos escombros dessa desertificação.

Somos homens e mulheres de esperança, queremos como cristãos levar razões de esperança à nossa sociedade e por isso acreditamos que é possível evitar esta hecatombe dos nossos ambientes. Já tivemos oportunidade de nos congratular com algumas políticas de discriminação positiva para os nossos ambientes, como está a ser, por exemplo, a isenção de portagens na A23 e A25. Esta é uma forma de ajudar a pagar os custos da interioridade. Mas temos de continuar a percorrer este caminho, criando condições mais favoráveis aos empresários, em redução de impostos, para que venham montar mais algumas empresas nos nossos meios; incentivando os casais novos originários das nossas terras a fixarem-se nelas, quer porque se lhes facilita a aquisição de casa própria, quer porque se lhes oferecem meios financeiros para criarem o seu próprio emprego; precisamos de fomentar a cultura das pequenas empresas, de base familiar, em que as pessoas, na vez de se queixarem da falta de emprego e de quererem viver do desemprego, se associem e tomem iniciativas, quanto possível tirando partido das muitas potencialidades de desenvolvimento existentes nos nossos meios.

A política geral do nosso país tem a grande parte da responsabilidade quanto a medidas a tomar para inverter este fluxo demográfico do interior para os grandes centros, mas a política local, tanto autárquica como dos nossos representantes na Assembleia da República e no Governo, também não pode demitir-se. Não posso aceitar que se classifique de "destruição criadora" o despovoamento do Portugal rural tradicional, segundo declaração de um Secretário de Estado do actual Governo na semana passada. Estou mais de acordo com o Professor Universitário investigador e docente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa Mário Bandeira quando diz que este despovoamento é um crime e lamenta que mais de metade do território não faça parte dos planos destes país, dentro da política errada seguida pelos governos nos últimos 30 anos.

Precisamos também de outras condições para o crescimento da qualidade da vida nos nossos aglomerados populacionais. A relação comunitária é uma necessidade das pessoas. Cada pessoa nasce, cresce, desenvolve-se na sua verdadeira identidade principalmente criando relações gratuitas e gratificantes com os outros. A experiência da partilha de bens materiais mas também culturais e espirituais é determinante para o bem estar social; principalmente, cada pessoa precisa de ser reconhecida, de forma continuada, nos seus valores e capacidades; e sobretudo precisa de sentir que estas suas capacidades são aproveitadas. Todos temos de desenvolver esforços e criar condições para acabar com a marginalidade, seja qual for a expressão que tiver e promover a inserção social. O trabalho humano, mais do que simples factor de produção económica ou até de meio necessário para garantir a subsistência de cada um e sua família, precisa de ser experimentado, cada vez mais, como lugar da realização pessoal. Temos de impedir a comercialização dos tempos livres, que tendem par crescer e fazer deles oportunidades para a formação das pessoas e para a construção de comunidades vivas e humanizantes.

Para conseguirmos objectivos de qualidade de vida comunitária, há, sobretudo hoje, um problema que temos de encarar de frente e com coragem – é o ordenamento do território e o planeamento urbanístico. Precisamos que as nossas aldeias não percam habitantes, mas os planos directores municipais continuam a restringir exageradamente os terrenos rurais destinados à construção.

A consequência é que as pessoas vêem-se obrigadas a procurar terrenos urbanizados na cidade ou suas imediações, o que explica o crescimento demográfico nos grandes centros mesmo do nosso interior e o esvaziamento das aldeias. Por outro lado, o planeamento urbanístico dos grandes centros não pode obedecer simplesmente a objectivos de lucro imediato e fácil, como muita vezes infelizmente tem acontecido. Quantas vezes a densidade da construção em altura tem ignorado a necessidade pura e simples de ter espaço para estacionamento; mas mais do que isso, precisamos que as acessibilidades não sejam sacrificadas; que haja espaços verdes e outros a permitir contacto das pessoas com a natureza; que haja equipamentos sociais, como centros comunitários e outros, com a finalidade de desfazer o anonimato e o isolamento e promover o conhecimento e a relação entre as pessoas. O desenraizamento das pessoas que deixam a sua terra e a sua família para se fixarem na cidade é em si mesmo uma ferida, que precisa de ser curada, com acolhimento esmerado, nos novos lugares de residência. Temos o direito de pedir aos

planeamentos urbanísticos das nossas cidades que coloquem como alvo preferencial da suas opções estratégicas a criação de condições objectivas para uma vida comunitária densa e consequentemente uma sociedade civil forte onde cada pessoa e cada família se sintam acolhidas e verdadeiramente motivadas a darem o seu máximo contributo para a vida de qualidade necessária nos nossos ambientes. Atrevemo-nos a pedir que os planos directores municipais, que agora estão felizmente a ser revistos, proporcionem a fixação de casais novos e outros menos novos nas nossas aldeias tradicionais, contribuindo, assim, para inverter  a marcha implacável da desertificação.

E ainda sobre a desertificação, mais do que os choques largamente propagados, o tecnológico e outros, o nosso país precisa é da inversão desta tendência, o que, na opinião mesmo do Professor universitário citado, justificaria uma solução encarada como desígnio nacional que ele mesmo classifica assim: "um grande choque, para utilizar uma expressão usada ultimamente no discurso político".

Lembrar estes problemas e propor alguns critérios de solução é também o nosso contributo de cidadãos e de cristãos, neste tempo de renovação pessoal e comunitária que é a Quaresma, para a qualidade de vida dos indivíduos e da sociedade que a todos nos tem de preocupar.

12/3/2006

+Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda