Bispo de Viseu, Dom António Luciano dos Santos Costa

JavaScript is disabled!
To display this content, you need a JavaScript capable browser.

Ver Todos
Ver Todos

Ver Todos
II Domingo da Quaresma
http://www.diocesedaguarda.pt/components/com_gk3_photoslide/thumbs_big/651951bras__o_final_12.jpglink
http://www.diocesedaguarda.pt/components/com_gk3_photoslide/thumbs_big/683401Ordena____o_D._Luciano_023.JPGlink
http://www.diocesedaguarda.pt/components/com_gk3_photoslide/thumbs_big/457644bula_1.jpglink
http://www.diocesedaguarda.pt/components/com_gk3_photoslide/thumbs_big/448340Ordena____o_D._Luciano_068.JPGlink

A Palavra de Deus ocupa o lugar central do Brasão de D. António Luciano. A Bíblia é fonte de vida e de graça. A Palavra do Senhor é espírito

Ver Mais

Sé da Guarda, 17.6.2017 Irmãos e Irmãs Saúdo-vos a todos fraternalmente na alegria e na Esperança do Senhor Jesus Cristo ressuscitado e vivo no meio de nós. Saúdo, de forma especialíssima, o nosso

Ver Mais

FRANCISCO, BISPO SERVO DOS SERVOS DE DEUS, ao amado Filho António Luciano dos Santos Costa, do clero da Sé Catedral Egitaniense e aí até agora Vigário Episcopal para o Clero,

Ver Mais

“Alegrai-vos e exultai” (Mt 5,12), comigo no Senhor, pelas maravilhas que Ele operou em favor do seu Povo. “A santidade é o rosto mais belo da Igreja“. Cristo

Ver Mais

Brasão de D. António Luciano

A Palavra de Deus ocupa o lugar central do Brasão de D. António Luciano. A Bíblia é fonte de vida e de graça. A Palavra do Senhor é espírito e verdade. O Livro aberto significa que a primeira missão do Bispo é ensinar e anunciar a alegria do Evangelho a todos. O Alfa e o Omega falam-nos da pessoa de Jesus Cristo, Aquele que nos revela a Palavra criadora e misericordiosa do Pai, o que na “água viva” nos oferece o Espírito que santifica.
Os rios de água viva evocam o rio Alva e o Mondego, cujas águas descem da Serra para banharem a Beira Alta e depois se misturarem na imensidão do mar. Mistério incomparável de amor, de comunhão e de unidade. O brasão tem duas cores. O azul e o amarelo. O azul revela o acto criador de Deus. Lembra o firmamento do céu, a vida nova em Cristo Ressuscitado e o desejo de “aspirar às coisas do alto” (Col 3, 2), a glória de Deus. Evoca a figura de Maria de Nazaré, a Mulher do tempo novo, a Senhora do Fiat. A Serra da Estrela, a mais alta, aparece como símbolo de uma meta a atingir, de uma espiritualidade cristã a escalar. A neve branca, pura e cristalina, aponta o ideal das Bem-Aventuranças. “Felizes os puros de coração porque verão a Deus” (Mt 5, 8). A vocação cristã é uma experiência de vida, de serviço, de amor, de entrega, um caminho de santidade a atingir por todos e em cada dia. A Estrela, coroada ao centro em fundo azul, mostra-nos Nossa Senhora, a Mãe de Jesus, a Estrela da “Nova Evangelização”, a Senhora da Assunção, a Mãe da Igreja e Rainha dos Apóstolos, que, com o seu manto de graça, de luz e de virtude, nos protege. O amarelo lembra a Igreja que está no mundo como luz e sinal de salvação para construir o Reino de Deus entre os homens. Na parte superior, o granito cortado evoca a beleza arquitectónica, única e singular das catedrais. Os traços, em figura de montanha, lembram os pontos mais altos da Sé da Guarda, que nos desafiam a fazer um caminho para Deus. A Candeia acesa é Cristo, luz do mundo. Ele veio para iluminar a humanidade e dissipar as trevas do erro. Ela é sinal da fé viva dos cristãos. “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 14). O símbolo da Enfermagem representado na candeia acesa recorda o serviço na promoção e defesa da vida humana, e a entrega abnegada aos doentes e a todos os que sofrem. Recorda também ao Bispo que Ele deve iluminar, vigiar, amar, cuidar e estar próximo do seu rebanho, imitando a Cristo o Bom Pastor, o bom Samaritano da humanidade. “Fiat Voluntas Tua” (Mt 6, 10) – é uma prece da oração do Pai-Nosso.

Ordenação Episcopal de D. António Luciano dos Santos Costa - Homilia de D. Manuel Felício

Sé da Guarda, 17.6.2017 Irmãos e Irmãs Saúdo-vos a todos fraternalmente na alegria e na Esperança do Senhor Jesus Cristo ressuscitado e vivo no meio de nós. Saúdo, de forma especialíssima, o nosso Irmão António Luciano que hoje, recebendo a plenitude do Espírito Santo, e revestido com os seus dons, vai ficar especialmente configurado com Cristo para exercer o ministério Episcopal.
De facto, pela imposição de mãos dos Bispos presentes ele é constituído cabeça e pastor de uma Igreja particular, neste caso, a Diocese de Viseu, mas também e ao mesmo tempo membro do Colégio Episcopal e portanto corresponsável com a Igreja no seu todo. De facto, para cumprir o maravilhoso desígnio de salvação dirigido a todas as pessoas, povos e nações, Deus enviou o Seu Filho Único, que inaugurou o anúncio da Boa Nova, vivendo entre nós e partilhando a nossa condição. Quis depois que essa Sua Missão fosse continuada pelo ministério dos Doze, constituídos em Colégio Apostólico, presidido pelo Apóstolo Pedro. Estes, por sua vez, transmitiram aos seus sucessores, pela imposição de mãos e a oração, o mesmo mandato recebido do Senhor Jesus. Por isso, os Bispos, cada um a presidir à sua Igreja particular e todos constituídos em colégio episcopal transportam consigo a responsabilidade de garantir a Tradição da Fé que nos vem dos Apóstolos e por eles do próprio Jesus Cristo. E cumpriram esta missão quer quando cada um deles preside à Igreja particular quer quando, em comunhão com os outros Bispos, em colégio episcopal presidio pelo Sucessor de Pedro, vivem a corresponsabilidade pela condução de vida da Igreja universal. Jesus Cristo é, de facto, o único Bom Pastor, como lembra o Evangelho de S. João que escutámos. Hoje, através dos Bispos e seus colaboradores mais diretos, a começar pelos que com eles partilham o Sacramento da Ordem mas também de outros ministérios e serviços, é o mesmo Cristo quem continua a pastorear a Sua Igreja. Sendo assim, na pessoa do Bispo, rodeado principalmente dos seus presbíteros e diáconos, é o mesmo Jesus Cristo que está presente para continuar a anunciar o Evangelho, a oferecer-nos os mistérios da fé e a conduzir-nos através da história, em peregrinação, rumo à pátria eterna. E enquanto único Bom Pastor, Jesus Cristo diz aos Bispos e seus colaboradores quais as posturas que hão-de assumir para construção daa vida da Igreja e a conduzirem pelos caminhos da salvação. Ora, a Sua Palavra hoje escutada no Evangelho de S. João é clara e vai direta ao assunto, quando nos diz: “O Bom Pastor dá a vida pelas Suas ovelhas”. É mesmo essa disposição de dar a vida que em breve, tu, irmão D. António Luciano nos vais manifestar, respondendo à pergunta: “Queres consagrar-te até à morte ao Ministério Episcopal?”. Contrariamente ao mercenário, que explora as ovelhas e as abandona, o Bom Pastor conhece-as e é conhecido de cada uma delas. Lembrando recomendações do Papa Francisco, o Pastor que o é de verdade procura estar próximo das suas ovelhas para as acompanhar de perto e defendê-las dos lobos que tentam desgarrar o rebanho (cf. Evg. 17, 1). E se estamos preocupados com os fiéis que constituem o tecido das nossas comunidades, não o podemos estar menos com os que estão fora. É o próprio Cristo quem nos alerta, ao dizer: “Tenho ainda outras ovelhas que não estão neste redil e preciso de as reunir”. E aqui, todos nós Bispos nos sentimos interpelados pela pergunta que vai ser feita ao que hoje é ordenado, nos seguintes termos: “Queres, como bom pastor, procurar as ovelhas dispersas e conduzi-las ao redil do Senhor?” Sempre, mas hoje mais do que nunca, é para nós urgente “primeirear” a responsabilidade missionária da Igreja, usando a expressão muito própria do Papa Francisco. Concretizando ainda mais, como Bispos responsáveis pela condução das nossas Igrejas particulares e corresponsáveis pela vida da Igreja universal, temos a especial obrigação de despertar em nós, como também nos nossos mais diretos colaboradores e nos fiéis em geral, o dinamismo missionário. Não queremos uma Igreja à defesa, mas sim uma Igreja empenhada em cumprir o Sonho do Papa Francisco, colocando todas as suas capacidades mais ao serviço da evangelização do mundo atual do que da sua auto-preservação (7.Eg, 27). O especial Outubro missionário de 2019 proclamado pelo Papa Francisco bem como o especial ano missionário (2018-2019) declarado pela Conferência Episcopal Portuguesa constituem também para nós Bispos forte interpelação. O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou” – escutámos nós na leitura do Profeta Isaías. De facto o Espírito Santo ungiu a Pessoa de Cristo e presidiu ao cumprimento de toda a Sua missão messiânica de evangelizar os pobres, consolar os aflitos e de proclamar o ano da justiça divina, que substitui o luto pela alegria. Hoje o mesmo Espírito Divino, como cantaremos em breve, pela imposição das nossas mãos, desce abundantemente sobre o novo Bispo, fazendo dele verdadeiro Sacerdote do Senhor, servidor da Nova Aliança estabelecida em Cristo Jesus. Sim, é para servir que o Senhor hoje te faz Bispo, Irmão D. António Luciano, como lembra o Pontifical Romano de Ordenação Episcopal, nos seguintes termos: “O Episcopado significa trabalho e não honra; e o Bispo, mais do que presidir tem obrigação de servir”. E nesse serviço inclui-se o tríplice múnus de ensinar, santificar e governar. Sendo assim, e sobre o múnus de ensinar ressoa em nós, particularmente neste momento, a exortação do Apóstolo dirigido a seu discípulo Timóteo: Proclama a Palavra, a tempo e fora de tempo; exorta com toda a paciência e doutrina. Quanto à função de santificar que nos está confiada, nós Bispos vamos escutar hoje de novo o convite para perseverar na oração a Deus Pai Todo-poderoso em favor do Povo Santo de Deus e a exercer a plenitude do Sacerdócio com toda a fidelidade. Na Ordenação Episcopal é-nos também entregue a missão de governar em ordem à edificação do Corpo de Cristo que é a Igreja, permanecendo em unidade com a Ordem dos Bispos e sob a autoridade do Sumo Pontífice (P.R., n.40) Por isso, compreendemos a recomendação que o Pontifical Romano faz ao novo Bispo na hora da Sua Ordenação Episcopal, com os seguintes termos – “Com amor paterno e fraterno, ama todos quantos Deus confia ao ter cuidado pastoral, sobretudo os presbíteros e os diáconos que têm parte contigo no ministério de Cristo…exorta os fiéis a colaborarem contigo no trabalho apostólico e dispõe-te a ouvi-los de bom grado” (P.R, 39). Aceitando e ponto em prática estas sábias recomendações, saberemos promover a verdadeira comunhão de ministérios, ao serviço da comunhão da Igreja dentro de cada uma das suas comunidades, como também das mesmas comunidades entre si, sempre focada no mandato missionário recebido do próprio Cristo. Mas as palavras do profeta Isaías que hoje escutámos privilegiam, de facto, a atenção que temos de continuar a dar aos pobres, aos atribulados, aos prisioneiros, aos cativos necessitados de libertação, aos que se encontram envolvidos pelo luto da dor. Numa palavra, chamam a nossa atenção para as periferias da pobreza, mas também da dor e do abandono ou simplesmente da marginalidade, como são referidas pelo Papa Francisco. Também nós Bispos hoje contigo, irmão D. António Luciano, queremos responder à pergunta que te vai ser assim feita: “Queres ser, pelo nome do Senhor, bondoso e compassivo com os pobres, os deslocados e todos os que precisam?”. Diante desta forte interpelação que a Liturgia nos faz, queremos escutar mais uma vez, palavras do Papa Francisco, lembrando a cada cristão e a cada comunidade cristã o encargo de serem instrumento do Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres para que possam integrar-se plenamente na Sociedade (Eg, 187). Perante a experiência que Paulo nos conta na sua II carta aos Coríntios, também nós não esperamos facilidades no cumprimento da missão episcopal que o Senhor Jesus Cristo nos confia para, em Seu nome, pastorearmos a Igreja. Foram muitas as dificuldades que o Apóstolo experimentou e das quais nos dá testemunho, desde a perseguição, à perplexidade, passando pelo abatimento e pelo abandono. Uma luz, porém, bastou para dar sentido a todos os seus sofrimentos e tribulações. Essa luz para ele e para nós hoje vem-nos da certeza da Ressurreição de Cristo, garantia da nossa Ressurreição, pois, como lembra a referida carta, “Aquele que ressuscitou Jesus também nos há-de ressuscitar com Ele e nos levará para junto d’Ele”. Sendo assim, saberemos compreender igualmente como os nossos sofrimentos são oportunidade para participarmos nos sofrimentos de Cristo. Finalmente diante da mesma experiência de Paulo lembramos a nossa grande fragilidade, por levarmos em vasos de barro um grande tesouro, o tesouro do ministério que nos está confiado. Cumpre-nos ao mesmo tempo, a obrigação de transformar as nossas múltiplas fragilidades em oportunidades para deixar brilhar em nós e em tudo o que fazemos a grandeza e a força do próprio Deus, única fonte de todo o bem que nós possamos realizar. De facto, uma só coisa é necessária – Que Ele reine nos nossos corações, na vida da Igreja e na vida do mundo. Que Deus seja louvado, Sua Mãe Maria Santíssima e nossa Padroeira, seja honrada com todos os santos, na comunhão da Igreja, para que o mundo creia. Amén.

Bula do Nomeação

FRANCISCO, BISPO SERVO DOS SERVOS DE DEUS, ao amado Filho António Luciano dos Santos Costa, do clero da Sé Catedral Egitaniense e aí até agora Vigário Episcopal para o Clero, eleito Bispo de Viseu, saúde e Bênção Apostólica.
Sendo necessário prover de Pastor a diocese de Viseu, vaga após a renúncia do Venerável Irmão Ilídio Pinto Leandro, ouvida a Congregação para os Bispos, tu, amado Filho, ornado com as devidas qualidades, perito em teologia moral e nos assuntos eclesiásticos, és considerado digno de a governar. Por isso, Nós, ocupando a Cátedra do bem-aventurado Pedro e com a solicitude por toda a grei do Senhor, com o Nosso supremo poder Apostólico, nomeamos-te Bispo de Viseu, com todos os direitos e obrigações. Permitimos que recebas a Ordenação por qualquer Bispo católico fora da cidade de Roma, observando as leis litúrgicas e antecedida da profissão da Fé católica e do Juramento de Fidelidade dirigido a Nós e aos Nossos Sucessores, segundo os sagrados cânones. Mandamos, além disso, que esta Carta seja dada a conhecer ao clero e ao povo da tua Sede própria; e exortamo-los a que te recebam com alegria e permaneçam continuamente unidos a ti. Finalmente, dilecto Filho, procura cumprir o gravíssimo ofício de Bispo, de tal modo que os fiéis a ti confiados cresçam continuamente na Fé, na Esperança e, acima de tudo, na Caridade, a rainha de todas as virtudes. A paz e a alegria de Cristo, com a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, estejam continuamente contigo e com esta caríssima comunidade eclesial, no amado Portugal. Dado em Roma, junto de S. Pedro, aos três dias do mês de Maio do ano de dois mil e dezoito, sexto do Nosso Pontificado. Francisco, Papa.

MENSAGEM DE D. ANTÓNIO LUCIANO DOS SANTOS COSTA

“Alegrai-vos e exultai” (Mt 5,12), comigo no Senhor, pelas maravilhas que Ele operou em favor do seu Povo. “A santidade é o rosto mais belo da Igreja“. Cristo caminha connosco e surpreende-nos. “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt. 28,20), cumpriram-se nesta tarde, aqui na Sé da Guarda, estas Palavras de Jesus. Agora, posso “partir e servir com aquela atitude de coragem que o Espírito Santo suscitava nos Apóstolos, impelindo-os a anunciar Jesus Cristo”(Gaudete et Exsultate nº 129).
A oração é o verdadeiro respiro de Deus nas nossas vidas, e, eu senti-o do modo particular na minha Ordenação Episcopal. Esta leva-nos ao coração de Deus e traz o coração de Deus à nossa frágil condição humana. Ao rezar ao Pai, “Venha o teu reino e “seja feita a Tua vontade”, a Igreja reunida entra no coração de Deus Pai, fonte de vida, de amor e de paz. Assim foi a oração de Maria, a serva humilde e fiel, a cuidadora das feridas da humanidade sofredora, a Senhora da Piedade, que nos ensina a amar e a servir o Seu Filho, o Bom Pastor, presente na fragilidade do género humano. Peço a São José, o dom do silêncio prudente e fiel, que me ajude a guardar, a administrar bem a Igreja e a vigiar pela sua unidade e integridade. Que a coragem e o testemunho dos Apóstolos e de todos os Santos me ajudem a cantar convosco eternamente as maravilhas do Senhor. Reitero profunda gratidão, comunhão, obediência na fé e veneração filial à Igreja, na pessoa do Papa Francisco, sucessor do Apóstolo São Pedro, que me chamou para fazer parte do Colégio Apostólico. Agradeço cordialmente ao Senhor Núncio Apostólico a sua presença amiga e carinhosa manifestada desde a primeira hora. Peço-lhe que seja portador destes meus sentimentos de gratidão e comunhão ao Santo Padre. Um obrigado de filho e irmão ao Senhor D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, ao Senhor D, Jorge Ortiga Arcebispo de Braga, ao Senhor D. Ilídio Leandro, Administrador da Diocese de Viseu, aos meus irmãos Bispos presentes, aos sacerdotes, diáconos, religiosos (as) consagrados (as), aos seminaristas e leigos empenhados na vida da Igreja, aos amigos e pessoas de bem. Às Autoridades civis, académicas, institucionais, militarizadas e outras aqui presentes, aos representantes dos Meios de Comunicação Social, a todos os que foram meus paroquianos e colaboradores na Capelania da UBI, Faculdade de Ciências da Saúde, Hospital da Guarda, no Instituto Politécnico, Escola Superior de Saúde da Guarda, na Pastoral da Saúde, Associação Católica dos Enfermeiros, Capelanias Hospitalares, Movimentos e Obras, Associações Académicas e tantas pessoas amigas que comigo privaram e trabalharam, alunos, professores e colegas dos vários estabelecimentos de ensino, hospitais, comissões de ética e instituições, com quem tive o privilégio de trabalhar e com quem muito aprendi. A todas as pessoas amigas, conhecidas e anónimas que participaram nesta bela celebração Eucarística e a todos os que estão unidos espiritualmente um bem-haja sincero e beirão! Que Deus vos recompense por tanto bem realizado e o transforme em graça e dom de novas vocações para a Igreja. Uma palavra de gratidão de, esperança e estima às crianças, adolescentes, jovens, casais, idosos, frágeis, doentes, abandonados e a todos os que experimentam a dor e a solidão. Que nunca vos faltem bons cuidadores! Deus ama-vos muito. Há sempre um receber e um dar. Dai sem medida e sereis felizes! A comunhão fraterna, a proximidade, a gratuidade e a solidariedade são muito mais que gestos importantes, são a base sólida de uma sociedade sadia e de uma Igreja renovada. À minha família, às minhas imãs, cunhados, sobrinhos, sobrinha, aos que não puderam vir, um grande abraço, tenho vos a todos no meu coração. Um bem haja sincero: Aos meus paroquianos de hoje e de sempre, aos amigos vindos de tantos pontos do país, aos diocesanos de Viseu e da Guarda, aos que vieram de Coimbra, conterrâneos de Corgas e de toda a paróquia de Sandomil; Ao nosso pároco o Padre Carlos Dionísio, a todo o arciprestado de Seia, que comigo louva o Senhor, pelo dom da minha Ordenação Episcopal; À Equipa nomeada pelo Senhor Bispo para preparar esta belíssima festa com todos os seus membros presidida pelo Vigário Geral, Cónego Manuel Pereira de Matos; À paróquia da Sé e de S. Vicente, à Casa Veritas, à Editora Paulus, ao Seminário Maior e sua Equipa, às Servas de Jesus, às empregadas (os), a todos os que me manifestaram a sua amizade, oração e presença amiga ao longo deste mês e meio e nesta semana de tanto trabalho, oração e preocupações; Ao arciprestado da Guarda com os seus padres, consagradas e leigos que puseram tanto empenho e beleza nesta festa e na sua ornamentação, à equipa de liturgia e paramentaria ao grupo coral, aos que trabalharam muito, rezaram no silêncio e clausura, aos doentes e seus cuidadores, aos que estão aqui e aos que não podem estar. Um obrigado do coração a todos. Rezarei sempre por vós ao Senhor, que Deus vos recompense. Ousadia dioceses da Guarda e de Viseu, renovação, força, confiança, coragem e muita esperança em Cristo Ressuscitado, o Bom Pastor. Deus está connosco, em tudo “amar e servir”, eis o desafio feito à Igreja. Deus está connosco e espera com zelo apostólico a nossa colaboração. Que Maria, a Virgem das mãos orantes, a Senhora da Assunção guie sempre os nossos passos. “Para maior honra e glória de Deus” rezemos, “Fiat Voluntas Tua”. + António Luciano dos Santos Costa, Bispo de Viseu

Galeria Multimédia

Bispo de Viseu, Dom António Luciano dos Santos Costa

JavaScript is disabled!
To display this content, you need a JavaScript capable browser.

Ver Todos
Ver Todos

Ver Todos

Receba a nossa newsletter:


Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
II Domingo da Quaresma

II Domingo da Quaresma

Para a qualidade de vida pessoal e comunitária

1. Contamos hoje o segundo degrau na subida para a Festa da Páscoa, ao celebrar o II Domingo da Quaresma. Com este degrau ficamos no primeiro patamar, pois o primeiro e os 2º domingos da Quaresma são por si mesma introdução ao espírito da renovação quaresmal. À nossa frente ficam mais dois lanços da escada: um com 3 degraus, os 3 domingos centrais da Quaresma e o último, o 3º., com as duas semanas que imediatamente antecedem o Domingo de Páscoa, envolvendo os dois domingos chamados da Paixão. Esta divisão de tempos é mais uma pedagogia de Deus que, através da Igreja, nos quer ajudar na caminhada de conversão para celebrarmos condignamente a Páscoa.

2. A Palavra de Deus hoje fala-nos de transfiguração ou grande transformação. Transfiguração de Cristo, no monte Tabor, no meio de Moisés e Elias, diante dos apóstolos Pedro, Tiago e João, que também se deixaram transfigurar pelo impacto da experiência feita; transformação de um homem, o Patriarca Abraão, pela força de Fé, o qual fica capaz de trocar tudo o que tem pela aventura da esperança que Deus lhe propõe; transformação que nos impressiona hoje, no episódio do Livro do Génesis, porque envolve o desfazer-se do Seu próprio e único Filho para se colocar inteiramente às ordens de Deus. O modelo deste gesto desconcertante de Abraão é o próprio Deus Pai que, perante a rebeldia do mundo, e movido só do Seu amor infinito, não hesitou em entregar à morte o Seu único Filho Jesus Cristo pela Salvação da Humanidade e de cada ser humano.

Pedro, Tiago e João encontraram na experiência do Tabor, no deslumbramento de Cristo manifestado na Sua Glória e a conversar com Moisés e Elias, símbolos da lei e dos Profetas, uma nova força para a missão que os esperava entre os outros discípulos e no meio do mundo. Abraão encontrou 2 nesta sua experiência dolorosa, em que a fidelidade a Deus se sobrepôs a todos os interesses e outros valores, uma nova motivação, um novo estímulo para prosseguir o caminho da esperança no cumprimento da promessa.

Todos nós que hoje participamos na Eucaristia e procuramos renovar a nossa vida em geral e a nossa fé, sobretudo durante esta caminhada quaresmal, pretendemos deixar-nos transfigurar pela Graça de Cristo para ficarmos mais capazes de dar o nosso contributo para a transformação do mundo em que vivemos.

3. E vivemos num mundo a necessitar de profundas transformações para que nele haja verdadeiramente qualidade de vida pessoal e comunitária. É cada vez mais urgente para que o desenvolvimento possa gerar condições de vida com qualidade para as pessoas e para as comunidades. Não nos interessa o crescimento material a qualquer preço; só nos interessa um crescimento que torne as pessoas felizes e a vida comunitária saudável.

A Comissão Nacional "Justiça e Paz", cuja presidente tive oportunidade de aqui citar, há 8 dias, publicou um documento, já neste mês de Março subordinado ao seguinte título – "Recuperar a alegria de viver e o nosso compromisso com o mundo". É um documento que se propõe contribuir para a melhor vivência da Quaresma.

De facto, a alegria de viver é o único objectivo válido em qualquer processo de crescimento. Onde ela não existe ou diminui, e parece ser o que está a acontecer, é preciso tudo fazer para a recuperar. E este documento da Comissão Nacional "Justiça e Paz" faz propostas concretas, na linha do nosso compromisso de cristãos e de Igreja, para transformar a sociedade e a alegria de viver. Entre as propostas, permito-me sublinhar as seguintes, que são de uma actualidade gritante:

1ª) Lutar contra o pessimismo e o desânimo;

2ª) superar as razões da exclusão social e acabar com a pobreza. De facto, como sublinha o texto, a grande desigualdade é uma afronta à Justiça e à boa convivência cívica;

3ª) superar o consumismo irresponsável;

4ª) praticar o acolhimento aos imigrantes, o que constitui dever de todos os cidadãos em todas as sociedades;

5ª) fazer esforço pela dignificação do trabalho humano;

6ª) colaborar na defesa dos bens públicos e contribuir para eles com sentido de responsabilidade social. Isto envolve uma educação generalizada para o sentido do bem comum. O respeito pela fiscalidade e o pagamento de impostos é um dos factores desta defesa dos bens públicos;

7ª) reabilitar a confiança nas instituições da sociedade civil e em particular na actividade política;

8ª) nesta Quaresma, como cristãos temos de nos converter à esperança e ajudar o mundo em geral a fazer a mesma conversão. De facto tem de ser a esperança a comandar a vida das pessoas e da sociedade; senão, não vale a pena viver.

4. Perante este bem pensado programa de renovação comunitário, porque é disso que se trata, um programa que desafia cristãos e sociedade civil em geral para objectivos de qualidade de vida necessária a todos, sentimos que a renovação, a transfiguração verdadeira tem de começar por casa, pela vida pessoal de cada cidadão, de cada pessoa. O verdadeiro desenvolvimento implica que a pessoa tenha condições para se conhecer a si mesma e se encontra consigo, no santuário da sua consciência. A partir da consciência, bem formada de acordo com os princípios elementares da lei dos homens, da lei da natureza e da Lei de Deus, que não são  leis, mas uma só Lei, cada pessoa precisa de elaborar o seu projecto pessoal de vida e de acordo com ele tomar as decisões que devem ser tomadas para gerar Vida de qualidade em si mesmo, nos outros e no mundo.

Se estamos de acordo em que o mais importante é a vida de qualidade, então pertence-nos a todos, começando pelas autoridades e instituições civis e administrativas, criar as condições indispensáveis para atingir esse objectivo. E chegados aqui precisamos de encarar de frente um problema incontornável dos nosso ambientes que é a desertificação. Infelizmente, o movimento demográfico, no nosso país, continua a ser para os grandes centros, com dois grandes pólos 4 e atracção no seu mapa geográfico, apontando as projecções já feitas para que, dentro de 20 anos, 75% da população portuguesa viverá em duas áreas metropolitanas de grande dimensão – grande Lisboa e grande Porto.

Acrescente-se a esta deslocação demográfica, o esvaziamento das povoações rurais para as cidades e vilas mais próximas. Tivemos, de facto, no censo de 2001 várias cidades do interior a crescer, mas isso aconteceu à custa das povoações vizinhas. Também com este fenómeno de fixação massissa das populações nos grandes centros ninguém fica a ganhar, a não ser os especuladores imobiliários. Se tivermos em conta uma outra previsão já feita de que em 2020 seremos em Portugal menos 700 mil portugueses, devido aos efeitos da baixa de natalidade, sentimos a urgência de introduzir factores novos neste processo que permitam inverter a marcha dos acontecimentos.

Este ano de 2006 foi declarado pela ONU ano internacional do deserto e da desertificação. Ora a desertificação começa com a saída das pessoas, passa depois pelo abandono da natureza, pela degradação do ambiente, e aqui os fogos são apenas a parte mais visível da degradação, até que as nossas terras correm o risco de ficar apenas resíduos arqueológicos de uma civilização sepultada nos escombros dessa desertificação.

Somos homens e mulheres de esperança, queremos como cristãos levar razões de esperança à nossa sociedade e por isso acreditamos que é possível evitar esta hecatombe dos nossos ambientes. Já tivemos oportunidade de nos congratular com algumas políticas de discriminação positiva para os nossos ambientes, como está a ser, por exemplo, a isenção de portagens na A23 e A25. Esta é uma forma de ajudar a pagar os custos da interioridade. Mas temos de continuar a percorrer este caminho, criando condições mais favoráveis aos empresários, em redução de impostos, para que venham montar mais algumas empresas nos nossos meios; incentivando os casais novos originários das nossas terras a fixarem-se nelas, quer porque se lhes facilita a aquisição de casa própria, quer porque se lhes oferecem meios financeiros para criarem o seu próprio emprego; precisamos de fomentar a cultura das pequenas empresas, de base familiar, em que as pessoas, na vez de se queixarem da falta de emprego e de quererem viver do desemprego, se associem e tomem iniciativas, quanto possível tirando partido das muitas potencialidades de desenvolvimento existentes nos nossos meios.

A política geral do nosso país tem a grande parte da responsabilidade quanto a medidas a tomar para inverter este fluxo demográfico do interior para os grandes centros, mas a política local, tanto autárquica como dos nossos representantes na Assembleia da República e no Governo, também não pode demitir-se. Não posso aceitar que se classifique de "destruição criadora" o despovoamento do Portugal rural tradicional, segundo declaração de um Secretário de Estado do actual Governo na semana passada. Estou mais de acordo com o Professor Universitário investigador e docente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa Mário Bandeira quando diz que este despovoamento é um crime e lamenta que mais de metade do território não faça parte dos planos destes país, dentro da política errada seguida pelos governos nos últimos 30 anos.

Precisamos também de outras condições para o crescimento da qualidade da vida nos nossos aglomerados populacionais. A relação comunitária é uma necessidade das pessoas. Cada pessoa nasce, cresce, desenvolve-se na sua verdadeira identidade principalmente criando relações gratuitas e gratificantes com os outros. A experiência da partilha de bens materiais mas também culturais e espirituais é determinante para o bem estar social; principalmente, cada pessoa precisa de ser reconhecida, de forma continuada, nos seus valores e capacidades; e sobretudo precisa de sentir que estas suas capacidades são aproveitadas. Todos temos de desenvolver esforços e criar condições para acabar com a marginalidade, seja qual for a expressão que tiver e promover a inserção social. O trabalho humano, mais do que simples factor de produção económica ou até de meio necessário para garantir a subsistência de cada um e sua família, precisa de ser experimentado, cada vez mais, como lugar da realização pessoal. Temos de impedir a comercialização dos tempos livres, que tendem par crescer e fazer deles oportunidades para a formação das pessoas e para a construção de comunidades vivas e humanizantes.

Para conseguirmos objectivos de qualidade de vida comunitária, há, sobretudo hoje, um problema que temos de encarar de frente e com coragem – é o ordenamento do território e o planeamento urbanístico. Precisamos que as nossas aldeias não percam habitantes, mas os planos directores municipais continuam a restringir exageradamente os terrenos rurais destinados à construção.

A consequência é que as pessoas vêem-se obrigadas a procurar terrenos urbanizados na cidade ou suas imediações, o que explica o crescimento demográfico nos grandes centros mesmo do nosso interior e o esvaziamento das aldeias. Por outro lado, o planeamento urbanístico dos grandes centros não pode obedecer simplesmente a objectivos de lucro imediato e fácil, como muita vezes infelizmente tem acontecido. Quantas vezes a densidade da construção em altura tem ignorado a necessidade pura e simples de ter espaço para estacionamento; mas mais do que isso, precisamos que as acessibilidades não sejam sacrificadas; que haja espaços verdes e outros a permitir contacto das pessoas com a natureza; que haja equipamentos sociais, como centros comunitários e outros, com a finalidade de desfazer o anonimato e o isolamento e promover o conhecimento e a relação entre as pessoas. O desenraizamento das pessoas que deixam a sua terra e a sua família para se fixarem na cidade é em si mesmo uma ferida, que precisa de ser curada, com acolhimento esmerado, nos novos lugares de residência. Temos o direito de pedir aos

planeamentos urbanísticos das nossas cidades que coloquem como alvo preferencial da suas opções estratégicas a criação de condições objectivas para uma vida comunitária densa e consequentemente uma sociedade civil forte onde cada pessoa e cada família se sintam acolhidas e verdadeiramente motivadas a darem o seu máximo contributo para a vida de qualidade necessária nos nossos ambientes. Atrevemo-nos a pedir que os planos directores municipais, que agora estão felizmente a ser revistos, proporcionem a fixação de casais novos e outros menos novos nas nossas aldeias tradicionais, contribuindo, assim, para inverter  a marcha implacável da desertificação.

E ainda sobre a desertificação, mais do que os choques largamente propagados, o tecnológico e outros, o nosso país precisa é da inversão desta tendência, o que, na opinião mesmo do Professor universitário citado, justificaria uma solução encarada como desígnio nacional que ele mesmo classifica assim: "um grande choque, para utilizar uma expressão usada ultimamente no discurso político".

Lembrar estes problemas e propor alguns critérios de solução é também o nosso contributo de cidadãos e de cristãos, neste tempo de renovação pessoal e comunitária que é a Quaresma, para a qualidade de vida dos indivíduos e da sociedade que a todos nos tem de preocupar.

12/3/2006

+Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda