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Homilia da Celebração de Ordenações Sacerdotais na Catedral da Guarda
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A Diocese da Guarda quer saber a opinião dos jovens no âmbito da preparação do Sínodo sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” que a Igreja Católica

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1. Cumprimos hoje a 3ª sessão da nossa assembleia Diocesana. E reunimos, das 3 sessões até agora realizadas, 89 proposições aprovadas, na sua maioria por unanimidade, as quais são recomendações

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Preparação do Sínodo sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” - Diocese promove inquérito para saber a opinião dos jovens

A Diocese da Guarda quer saber a opinião dos jovens no âmbito da preparação do Sínodo sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” que a Igreja Católica vai realizar em Roma, em 2018. O inquérito está disponível online (www.diocesedaguarda.pt) e pretende recolher dados, segundo os “lineamenta” que preparam o próximo Sínodo, “para serem posteriormente tratados e deles resultar a reflexão sobre o mundo juvenil”.
O inquérito é destinado aos jovens, com idades compreendidas entre os 16 e os 29 anos, a educadores, formadores, catequistas, sacerdotes e outros agentes da acção pastoral juvenil. De acordo com a introdução do inquérito, que estará disponível até ao fim do mês de Junho, “ele surge de uma releitura do questionário elaborado pelo Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, para, a pedido do Papa Francisco, ajudar a Igreja a que se interrogue sobre o modo como acompanha os jovens, no seu percurso de fé e de discernimento vocacional”. Ao longo do inquérito, os participantes são convidados a assinalar, com uma cruz, as respostas que lhes pareçam as mais adequadas. Ao longo do inquérito, os jovens são convidados a pronunciarem-se sobre três pontos centrais: Jovens, Igreja e Sociedade; A pastoral juvenil vocacional; Os Acompanhadores. Em relação ao primeiro ponto são formuladas as seguintes questões: Em que âmbitos/ espaços pode a Igreja escutar os jovens?; Quais os maiores desafios para os jovens da nossa Diocese? Quais as maiores oportunidades para os jovens da nossa Diocese?; Quais os lugares e formas de reunião para os jovens, dentro da Igreja? Quais os lugares e formas de reunião mais vocacionados para os jovens, fora do contexto da Igreja?; O que pedem os jovens à Igreja da Diocese da Guarda?; Em que âmbitos participam os jovens na vida cristã da Diocese da Guarda?; Como encontrar os jovens que estão “fora” da Igreja?; Em que espaços os podemos encontrar? No segundo ponto são estas as perguntas: Como participam as famílias e as comunidades cristãs no discernimento vocacional dos jovens?; Como participam os estabelecimentos de ensino na formação e desenvolvimento do discernimento vocacional dos jovens? Qual o valor do desenvolvimento tecnológico na mudança cultural a que assistimos?; Que importância têm os acontecimentos juvenis nacionais e internacionais na pastoral juvenil?; Como se projecta o futuro da pastoral juvenil e vocacional?; Como valorizar o passado cristão da Europa para pensar o futuro com esperança?; Como valorizar a insatisfação dos jovens face ao contexto socio-económico e político a fim de que essa insatisfação transforme os jovens nos agentes da mudança que eles mesmos desejam? Que níveis de relação inter-geracional permanecem ainda?; Das práticas de acompanhamento e discernimento vocacional desenvolvidas pela Diocese da Guarda quais as que consideras mais importantes? O último ponto pretende respostas para as seguintes perguntas: De que forma os sacerdotes acompanham o discernimento vocacional dos jovens?; Como promover a formação dos que acompanham os jovens no seu discernimento vocacional?; Que acompanhamento pessoal se deverá propor com maior preocupação nos Seminários?

Educação - Bispo da Guarda apela à matrícula nas aulas de Educação Moral e Religiosa Católica

O Bispo da Guarda publicou uma mensagem na qual convida “os pais e encarregados de educação que matriculam os seus educandos no Ensino Básico e Secundário” a fazerem a matrícula nas aulas de Educação Moral e Religiosa Católica.
D. Manuel Felício refere que está em preparação o novo ano escolar, “que todos desejamos seja de verdadeiro crescimento para as nossas crianças, adolescentes e jovens, nas suas escolas”. Lembra que “em todos os programas do Ensino Básico e Secundário, desde o primeiro ano, a lei prevê a oferta da disciplina curricular de Educação Moral e Religiosa Católica”. E acrescenta: “Pretende esta oferta proporcionar aos nossos educandos, desde o primeiro ano do Ensino Básico, um desenvolvimento no qual os valores morais e religiosos acompanhem e iluminem os diferentes saberes que são propostos na escola e também ajudar as nossas crianças, adolescentes e jovens a abrirem o seu entendimento para as dimensões mais belas da vida”. D. Manuel Felício diz ainda que “esta é a hora de lembrar aos pais e encarregados de educa¬ção, como também aos próprios alunos, que vale a pena gas¬tar tempo e fazer esforço para descobrir e abraçar com entusiasmo as dimensões moral e religiosa da vida e que sem elas a componente verdadeiramente humana do ensino fica incompleta”. Na mensagem aos pais e encarregados de educação, o Bispo da Guarda lembra “o exercício da responsabilidade pes¬soal no momento da matrícula, onde se propõe a escolha desta disciplina curricular”.

ASSEMBLEIA DIOCESANA 3ª sessão (17/5/2017)

1. Cumprimos hoje a 3ª sessão da nossa assembleia Diocesana. E reunimos, das 3 sessões até agora realizadas, 89 proposições aprovadas, na sua maioria por unanimidade, as quais são recomendações que precisamos de implementar no futuro próximo.
Estamos agradecidos não apenas aos delegados, mas a quantos, ao longo destes 4 anos pastorais fizeram esforço por intervir na caminhada sinodal que nos conduziu às proposições que agora temos aprovadas. E lembramos neste momento principalmente cada Pároco com a sua equipa de colaboradores pastorais; cada Conselho Pastoral arciprestal; o Conselho Pastoral Diocesano O conselho Presbiteral e, por fim, o trabalho realizado pela Mesa da assembleia Diocesana. 2. Temos agora pela frente a tarefa de aplicar estas recomendações, ajustando-lhes o melhor possível as nossas práticas pastorais, corrigindo umas, potenciando outras ou introduzindo novas, quando as circunstâncias o aconselharem. É, de facto, uma nova etapa do caminho sinodal em que nos envolveu a assembleia diocesana, etapa esta que agora está à nossa frente. E para cumprirmos bem esta nova etapa, começo por verificar que encontrarmos nas proposições aprovadas a recomendação de um novo modelo de paroquialidade. E apontam-se aí algumas linhas de concretização desse novo modelo de paroquialidade que vale a pena registar, entre as quais destaco as seguintes: - Que se valorizem os arciprestados e os órgãos de participação, como os conselhos pastorais arciprestais. - Que os presbíteros conjuguem mais e melhor o princípio da jurisdição com o da cooperação - Que haja mais corresponsabilidade quer com as paróquias mais pequenas, carenciadas de meios humanos ou outros, quer com as paróquias que venham a ser confiadas a diáconos ou mesmo a leigos - Que se caminhe para a criação de unidades pastorais E apontam-se alguns critérios que definem as unidades pastorais, tais como os seguintes: . um pároco moderador . um mesmo programa pastoral . um conjunto comum de ministérios e serviços . um fundo comum de solidariedade E a estes critérios podemos acrescentar outros, que já estão bastante estudados, tais como: . um conselho pastoral comum . um centro comum onde se reúne a documentação, se recebem as pessoas e se realiza a formação. E como forma de continuarmos a fazer caminho conjunto para aplicação das proposições aprovadas é-nos feita a recomendação de que se crie “uma comissão diocesana multidisciplinar integrada por clérigos, religiosos e leigos para a elaboração de uma proposta de reorganização pastoral da Diocese”. E esse é, de facto, o primeiro passo que vamos dar. A essa comissão confiamos o encargo de: 1º) Estabelecer os critérios para que dos atuais conjuntos de paróquias que temos confiadas ao mesmo pároco possamos progredir para as desejadas unidades pastorais; 2º) Rever a dimensão e o número dos arciprestados, tendo em conta as sugestões já feitas quer pelos sacerdotes e diáconos dos actuais arciprestados quer pelo Conselho Pastoral Diocesano; 3º) Verificar se os nossos serviços diocesanos estão a responder bem ao que lhes é pedido, nomeadamente: a) os Secretariados estruturantes da pastoral diocesana, a saber – Liturgia, Educação cristã, serviço organizado da caridade, administração ligada à Cúria Diocesana b) os outros secretariados e departamentos c) analisar os diferentes movimentos, serviços e obras de apostolado que temos na Diocese para verificar se estão a cumprir a missão que lhes é pedida e se não haverá outros movimentos de apostolado, entre os novos movimentos eclesiais, que nos estão a fazer falta. Como disse, este é um trabalho que não parte de zero. E para o potenciar houve a preocupação de colher o sentir dos actuais arciprestes sobre os respectivos arciprestados, mas também sobre critérios de organização pastoral diocesana, de que se destacam os seguintes pontos: 1º) Atendendo já ao nosso presente pastoral, mas sobretudo tendo em conta o futuro, é necessário continuar a apostar na formação de coordenadores das assembleias dominicais na ausência do Presbítero. 2º) Cada um dos arciprestes deu indicação de caminhos a seguir no tecido dos actuais arciprestados para chegarmos às desejadas unidades pastorais, incluindo com a definição de centros de formação para a catequese da infância e adolescência. E temos boas experiências quanto à centralização dos serviços da catequese. 3º) Deram-me indicação de serviços comuns às diferentes paróquias e conjuntos de Paróquias que devem ser organizados a nível arciprestal, tais como CPM, CPB, Escola arciprestal de Ministérios. 4º) Para todos é um bem muito conseguido o funcionamento do respectivo Conselho pastoral arciprestal. E esse funcionamento deve manter-se regular, insistem os arciprestes. 5º) Verifica-se a sensação de que continua a ser difícil motivar as pessoas para a formação na Fé, mas também há recomendação de que a nossa prioridade de sacerdotes tem de ser a de formar as consciências, formar as pessoas na Fé. De facto, nós sacerdotes precisamos de continuar a cultivar a atitude de maior proximidade às pessoas e às famílias, sempre com a preocupação de educar. 6º) Insistiu-se também em que no nosso trabalho de sacerdotes temos de progredir na fidelidade a critérios pastorais comuns. E sobre este assunto referiu-se que há mecanismos de correcção fraterna que temos de saber aceitar e usar também entre nós sacerdotes 7º) Foi referido que cultivar a espiritualidade sacerdotal entre nós sacerdotes é a realidade mais decisiva para o êxito da nossa acção pastoral. E a esse propósito também foi sugerido que se motivem os párocos para escolherem viver em casas paroquiais com outros párocos e evitem assim viver sozinhos. 8º) Também as várias comunidades religiosas que temos espalhadas pela diocese estamos longe de conseguir a sua plena integração no conjunto da pastoral diocesana, o mais possível de acordo com o respectivo carisma. Este é também um desafio que se coloca à nossa reorganização pastoral. 9º) Temos muitos lugares de culto espalhados pela diocese, graças a Deus. Cada um deles com tradições ligadas a eventos determinados sobretudo a festas de santos padroeiros. Sem esquecemos as dificuldades inerentes, temos a responsabilidade pastora de os aproveitar o mais possível para a formação e para a celebração da Fé. Vivemos a convicção de que os bons resultados de qualquer reorganização pastoral dependem sobretudo destas e de outras atitudes novas que precisamos todos de cultivar nos sacerdotes, nos diáconos, nos religiosos, nos leigos e nas famílias. 3. Para não corrermos o risco de que as 87 proposições aprovadas nestas 3 sessões da assembleia diocesana passem às prateleiras e por lá fiquem à espera de que algum investigador, num futuro longínquo, as venha redescobrir, determina-se o seguinte: 1º) O nosso ano pastoral 2016-17 não vai terminar como é habitual no final do mês de Julho. Vamos prolongá-lo até ao mês de Outubro próximo. 2º) Vai ser nomeada, nos próximos dias, a solicitada “Comissão diocesana multidisciplinar, integrando clérigos, religiosos e leigos”, com mandato para apresentar uma reorganização pastoral da Diocese e sem prazo limite para concluir este seu trabalho. 3º) Na nossa peregrinação diocesana a Fátima, calendarizada para os dias 23 e 24 de Agosto, apresentaremos a Nossa Senhora as 87 proposições aprovadas nesta assembleia, pedindo especial bênção para a sua aplicação. 4º) Convido os delegados da assembleia diocesana para uma 4ª sessão, possibilidade prevista desde o início, a qual não terá a finalidade de aprovar mais proposições, mas sim de reflectir critérios de aplicação destas mesmas proposições incluindo o estabelecimento de prioridades. Para essa quarta sessão esperamos que haja já algum contributo da Comissão mandatada para pensar a reorganização pastoral da Diocese. Essa quarta sessão de assembleia diocesana realizar-se-á no dia 5 de Outubro próximo, sendo oportunamente convocada, enviando a respectiva agenda. 5º No domingo seguinte, dia 8 de Outubro, serão formalmente apresentadas à Diocese as 89 proposições juntamente com alguns critérios de prioridade na sua aplicação. Essa apresentação será feita em celebração que se realizará na nossa catedral com a melhor representação dos grupos de cooperadores pastorais de cada pároco que intervieram no processo sinodal, ao longo destes 4 anos. 6º) Ao nosso Secretariado Diocesano da Coordenação Pastoral confia-se, desde já o encargo de pensar a melhor maneira de apresentar estas 89 proposições, assim como de programar o ano pastoral 2017-18, a iniciar nessa data e que será o ano da recepção das proposições. 7º) Entretanto, o Bispo Diocesano, com os aconselhamos que entender oportunos, pensará também, ao longo deste ano pastoral 2017-18, a prevista carta pastoral para dirigir à Diocese, com linhas de orientação inspiradas nestas proposições. Desejamos que todo este tempo de recepção da nossa Assembleia Diocesana seja, em toda a Diocese, sobretudo um tempo de abertura às inspirações do Espírito Santo, vivido na oração intensa, segundo o programa que será apresentado para o ano pastoral 2017-18. Que Deus nos ajude a levar por diante estes nossos propósitos. Guarda, 17/06/2017 +Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda

Homilia de D. Manuel Felício - Bispo da Guarda - Ordenação sacerdotal, em 18/06/2017 - Sé da Guarda

Senhor D.S. António, Sacerdotes concelebrantes e diáconos Seminaristas Estimado candidato à Ordenação Bruno António, teus pais e restantes familiares Irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo Alegremo-nos, com esta Sé catedral e toda a nossa diocese em festa, pela ordenação sacerdotal de mais um dos seus filhos. Consideramos este acontecimento e a celebração em que estamos a participar um verdadeiro presente de Deus e a garantia de que Ele está sempre connosco, apontando-nos os caminhos que devemos seguir para darmos cumprimento, nos tempos de hoje ao mandato missionário recebido do próprio Cristo.
Irmãs e irmãos é de grande transcendência o passo em frente que este nosso irmão Bruno António vai dar em direção ao único sacerdócio de Cristo. É verdade que todo o povo de Deus se torna, em Cristo e pelo batismo, um verdadeiro sacerdócio real. Porém o mesmo Jesus Cristo, eterno e único sacerdote, escolher alguns discípulos para desempenharem na Igreja, em seu nome, o ministério sacerdotal ao serviço dos homens. Enviado pelo Pai, Ele mesmo enviou os Apóstolos por todo o mundo, a fim de continuar, por meio deles e dos Bispos que lhes haviam de suceder, a sua missão única de Mestre, Sacerdote e de Pastor. Ora acontece que os presbíteros, na ordem dos quais o nosso irmão Bruno António hoje vai entrar pelo sacramento da ordem sacerdotal, são constituídos cooperadores dos Bispos para serviço do povo de Deus, no exercício da tríplice missão de ensinar, santificar e governar. A passagem do profeta Isaías que acabámos de escutar dá-nos a verdadeira dimensão do serviço sacerdotal que vai ser confiado a este nosso irmão pelo Sacramento da Ordem. Trata-se de um serviço a todo o povo de Deus cuja origem está no Espírito Santo, derramado em abundância sobre a pessoa do novo sacerdote através do sacramento da Ordem. Por isso, a unção com que vão ser marcadas as suas mãos após a oração consecratória não tem outra finalidade senão lembrara-lhe que, a partir de hoje ele é ungido do Espírito Santo por um novo título e como tal enviado, como lembra o profeta, para anunciar a Boa Nova, curar os corações feridos levar a redenção aos cativos e proclamar o ano da graça do Senhor. Pelo exercício do ministério sacerdotal que hoje lhe fica confiado, o luto na vida das pessoas será substituído pela alegria e os corações abatidos ganharão nova coragem. Estas são as razões de esperança que o mundo espera da Igreja e em particular de nós sacerdotes. A nós sacerdotes está confiada a missão de interpretarmos da melhor maneira os verdadeiros sentimentos de Cristo, que também sentiu dor e aflição diante das necessidades das pessoas. É o caso que o Evangelho nos apresenta hoje. Jesus percorria as aldeias e cidades, ensinando, pregando e curando; portanto, estando muito atento à vida real das pessoas que o procuravam para encontrar remédio para as suas múltiplas dores e necessidades. E Jesus não é insensível à realidade e às razões desta procura. Por isso tem o seguinte desabafo para quantos o seguiam mais de perto: “A messe é grande, os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da messe que mande mais trabalhadores para a sua seara”. Irmãos e irmãs, este desabafo de Cristo para os seus mais diretos colaboradores vence as barreiras do templo e hoje é repetido para cada um de nós. A oração pelas vocações sacerdotais têm de ser por isso a nossa preocupação diária constante. Com a diminuição drástica das ordenações sacerdotais nos últimos anos, pensamos já ter entendido a mensagem que o mesmo Senhor dirige à sua Igreja de que é necessário conjugar bem o ministério sacerdotal com os outros ministérios, incluindo os ministérios não ordenados. Agora, escutando de novo o apelo de Cristo no Evangelho de hoje precisamos de reforçar a nossa oração para que o Senhor nos dê os sacerdotes necessários. Na verdade, todos sabemos que, sem eucaristia e sacerdotes que a celebrem as nossas comunidades perdem vitalidade e correm o risco de esmorecer. É certo que a nossa vida, tanto pessoal como comunitária, está sempre nas mãos de Deus, mas Ele pede o nosso empenho, e empenho redobrado, na promoção das vocações sacerdotais. E nesta nossa oração precisamos de incluir também os sacerdotes que já o somos. Isto porque levamos embrulhado nas nossas muitas fragilidades o grande presente de Deus para todo o seu povo . Como nos lembra o apóstolo Paulo levamos connosco um tesouro maravilhoso, mas em vasos de barro. E isto par que sintamos que todo o bem realizado não é devido às nossas forças, mas tão só ao amor de Deus que opera em nós. Na próxima sexta-feira solenidade do Coração de Jesus é também jornada mundial de oração pela santificação dos sacerdotes. Confiamo-nos por isso, à oração de todo o povo de Deus para que o nosso ministério sacerdotal seja cada vez mais rosto bem visível do único bom Pastor Jesus Cristo. Estimado Bruno António, dentro de momentos vais dizer solenemente diante desta vasta assembleia que queres ser padre para cooperar com a Ordem dos Bispos apascentando o Povo do Senhor sob ação do Espírito Santo. Vais prometer que exercerás dignamente o ministério da Palavra, sobretudo na pregação e na formação da Fé; e também que, através da oração e da celebração dos Santos mistérios serás instrumento de Deus para santificação de todo o Seu Povo. E dir-nos-ás do teu propósito de viver o ministério Sacerdotal em união com Cristo, Sumo Sacerdote que, por nós se ofereceu ao Pai como vítima Santa. Alegramo-nos com este teu propósito hoje solenemente declarado de te consagrares inteiramente a Deus, com Cristo para Salvação das pessoas. E a passagem bíblica da 1ª carta de S. Pedro hoje proclamada deixa-nos algumas recomendações plenas de oportunidade no acontecimento que estamos a viver. São recomendações aos presbíteros, testemunhas dos sofrimentos de Cristo, mas também vivendo a alegria antecipada de participarem na sua glória. E recomendações para apascentarem o rebanho de Cristo não por ganância, ou seja por qualquer desejo de lucro, mas tão só por espírito de serviço e de dedicação ao seu povo; não por qualquer espírito de domínio, mas segundo tão só o modelo do próprio Cristo que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para que todos tenham vida em abundância. Estimado Bruno António, e dentro de momentos Pe. Bruno, depois da imposição de mãos de todos os sacerdotes presentes e depois da oração consecratória própria da Ordenação, o Senhor toma conta de ti de uma maneira especial. Nunca tenhas receio de seguir as orientações que Ele te for dando; orientações essas que terás de discernir no diálogo em Presbitério e com o teu Bispo. Lembra-te constantemente das palavras que vão acompanhar a entrega do cálice e da patena depois da oração consecratória : Toma consciência de que vais fazer, imita o que vais realizar e conforma a tua vida com o mistério da cruz de Cristo. Interrompemos a leitura do Evangelho de hoje, com o desabafo de Jesus e o convite à oração pelas vocações. A seguir, encontramos o relato em que o mesmo Jesus escolheu os doze, chamando-os a cada um pelo seu nome e os envia com a seguintes recomendação: “Recebestes de graça, dai de graça. Bruno António que a nossa vida de sacerdotes seja cada vez mais o cumprimento desta recomendação de Jesus, em clara rotura com as formas de viver comuns na cultura e no mundo de hoje. E a propósito, cito a escritora contemporânea – Sofia de Melo Breyner quando diz: “Porque os outros se compram e se vendem/e os seus gestos dão sempre dividendos/Porque os outros fazem cálculos/ Mas tu não Mas tu não. Que o nosso único devidendo seja sempre e só o louvor de Deus e o serviço dos irmãos +Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda

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Homilia da Celebração de Ordenações Sacerdotais na Catedral da Guarda

1. Vivemos esta celebração Diocesana Jubilosa em clima de Vigília de Oração, conforme foi pedida a toda a nossa Diocese há duas semanas.

É nesta atitude de Vigília e de escuta atenta que queremos hoje receber os dois novos sacerdotes que o Senhor oferece ao Presbitério e às comunidades da nossa Diocese. Louvado seja o Senhor que, assim, dá mais uma prova do amor que nos dedica e do acompanhamento esmerado que faz à Sua Igreja. Mas se os dois sacerdotes que vão, dentro de momentos, ser ordenados, constituem para todos nós um grande dom de Deus, são também uma grande responsabilidade. Responsabilidade, antes de mais para o nosso Presbitério Diocesano, porque o Senhor nos pede para os recebermos na verdadeira fraternidade Sacramental que é nosso dever realizar cada vez mais; porque nos convida a oferecer-lhes o nosso acolhimento e a nossa colaboração como sacerdotes do mesmo Presbitério e a estarmos dispostos a receber deles a sua colaboração e empenho na grande causa que nos une à volta do mesmo Cristo; porque nos convida a aprofundar mais com eles a nossa comunhão em Presbitério. Mas o mesmo dom destes 2 novos Padres constitui também uma nova responsabilidade para as comunidades da nossa Diocese. Antes de mais pelo acolhimento e colaboração que lhes são devidos nos distintos serviços e actividades necessários ao crescimento da Fé; depois pela solidariedade na oração e no acompanhamento fraterno sempre necessário; depois ainda pela aceitação de que o serviço do Sacerdote às comunidades tem de ser prestado de acordo com as orientações da Igreja inspiradas nas grandes linhas de renovação definidas há mais de quatro décadas, pelo Concílio Vaticano II (50 anos, em 2012). Isto quer dizer que o Padre é enviado ao meio das comunidades como educador e para educar segundo os valores da Fé traduzidos para nós hoje nas grandes orientações conciliares do Vaticano II. E de acordo com estas orientações, cada comunidade cristã é chamada a ser verdadeiramente sacramento da Salvação de Deus ou seja sinal e instrumento de realização entre as pessoas daquela comunhão que tem a sua fonte em Deus.

Também de acordo com as mesmas orientações conciliares, cada comunidade tem de ser cada vez mais, ouvinte da Palavra de Deus que não pretende transmitir-nos apenas a mensagem muito bela do Evangelho, mas que pretende sobretudo pôr-nos em comunicação profunda com o mesmo Jesus Cristo, vivo e fonte de vida. Para dar cumprimento às mesmas orientações conciliares, cada comunidade tem de saber estar sempre em diálogo com o mundo, com as pessoas, suas tradições e maneiras de estar na vida, conhecendo suas possibilidades e também dificuldades. Tem de saber oferecer continuamente a todos a sua disponibilidade e o seu serviço para crescimento da vida com verdadeira qualidade.

A comunhão com Deus e em Deus das pessoas entre si celebrada principalmente na Eucaristia; o encontro com Cristo e a mensagem do Evangelho através da Sua Palavra escutada, meditada e aplicada à vida; O diálogo com o mundo e a colaboração no seu verdadeiro desenvolvimento são as grandes propostas do Concílio Vaticano II através de 3 dos seus mais importantes documentos que nós sacerdotes queremos ter como prioridades na nossa acção à frente das comunidades. E precisamos que as mesmas comunidades colaborem connosco na descoberta dos caminhos novos mais adaptados ao cumprimento desta tarefa.

 

2. A Palavra de Deus começa por nos falar hoje do Espírito Santo. Espírito Santo que desce sobre o ungido de Deus e o envia para anunciar e realizar uma grande cura. Ora, só se justifica a cura quando há doença e a doença que atinge indiscriminadamente as pessoas é definida na passagem de Isaías como sendo a dos corações atribulados, a dos cativos que precisam de redenção, a dos prisioneiros que precisam de ser libertados, a dos aflitos que precisam de ser consolados, a dos que precisam de substituir o luto pela alegria, a dos espíritos abatidos que precisam de recuperar ânimo para serem capazes de cantar de novo um cântico de louvor.

Ora nós sacerdotes e vós que o ides ser dentro de momentos não estamos apenas do lado de quem anuncia a cura e na força do Espírito Santo contribui para a realização. Estamos também do lado dos que precisam de ser curados. E isto porque somos, como todas as pessoas, sujeitos a enfermidades físicas, mas também vítimas de fragilidades que podem afectar o nosso entusiasmo e bem estar pessoais, e ainda a saúde da nossa relação com os outros e com Deus. Só depois de nos deixarmos curar pela força do Espírito, abrindo-lhe as portas da nossa vida, sobretudo através de uma espiritualidade bem cuidada, estaremos capazes de, como ungidos do Senhor, espalhar a Sua cura, ou seja a sua salvação à nosso volta. Também aqui vale o princípio de que ninguém dá o que não tem.

S. Paulo, na Sua II carta aos Coríntios, começa hoje por nos fazer o seguinte apelo: “Não desanimemos no exercício do ministério que nos está confiado”. Nunca é demais lembrar que o ministério ordenado que nos está confiado a nós Sacerdotes e vai ser também entregue aos 2 ordenandos não é nosso. É do Único Senhor da Igreja e da história, Jesus Cristo. Por isso é a Ele que temos de anunciar e não a nós próprios; é a vontade dele que temos de fazer e não a nossa; é o modelo e o estilo de vida dele que queremos seguir e não o que sugere a nossa vontade pessoal ou a nossa sensibilidade ou então o que o mundo nos propõe.

Como Sacerdotes incondicionalmente entregues à causa de Jesus Cristo e da Igreja, temos de viver pessoalmente e em Presbitério a grande missão que o mesmo S. Paulo hoje nos recorda, a saber, deixar que o esplendor da luz de Deus brilhe nas nossas vidas para, depois, iluminar os caminhos da história. Por isso só a relação forte e continua com Deus Trindade Santíssima, através de uma espiritualidade bem cuidada, nos poderá permitir responder ao apelo de Paulo – não desanimemos no exercício deste ministério. Também não podemos esquecer, como ele claramente nos recorda, que trazemos em vasos de barro o tesouro do nosso ministério. Esquecer as nossas fragilidades ou a necessidade de constantemente as corrigir pela abertura do coração ao amor e à infinita misericórdia de Deus é entrarmos por caminhos errados que só podem levar ao fracasso.

O ser Padre é, para nós sacerdotes ordenados, sempre e só estar incondicionalmente para servir, segundo o modelo de Jesus Cristo que, como lembra o Evangelho de hoje, não veio para ser servido mas para servir e dar a Sua vida pela redenção das pessoas. E nunca é demais pararmos diante deste apelo que nos é feito pelo mesmo Jesus Cristo no Seu Evangelho. O modelo para nós não pode ser a lógica do poder existente no nosso mundo, mas sim a lógica contrária do Serviço, ao ponto de o Evangelho de hoje afirmar aquilo que, de facto, é um verdadeiro escândalo para o nosso mundo, quando diz: “ Quem entre vós quiser ser o primeiro seja vosso escravo”. E não devemos suavizar ou mesmo temperar exageradamente a radicalidade desta afirmação Evangélica. Escravo é o que só se sente com deveres e não argumenta com direitos. Ora nós vivemos hoje mergulhados numa cultura onde parece que só há direitos e não há deveres ou pelo menos estes são silenciados. Também aqui o exercício do nosso ministério há-de ser oportunidade para oferecermos às comunidades que nos são confiadas e ao mundo o gesto profético de quem, à maneira de Jesus Cristo, está para servir e não para ser servido.

Que o Senhor nos ajude, particularmente a nós sacerdotes, a dar cumprimento a este desígnio de Deus para salvação do mundo, através de uma Igreja renovada segundo as orientações do Concílio Vaticano II.

 

Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda

 

Guarda, 3 de Julho de 2011