Património religioso a visitar na Diocese da Guarda

Património religioso a visitar na Diocese da Guarda

Igreja de São Vicente, Igreja de Vinhó e Santuário de Nossa Senhora do Desterro

Património religioso a visitar na Diocese da Guarda

 

A Agência ECCLESIA e os secretariados de comunicação das 21 dioceses de Portugal estão a sugerir locais a conhecer e a visitar nas várias regiões do país.

O roteiro sugerido pelo Secretariado da Comunicação Social da diocese da Guarda passa pela Igreja de São Vicente (Guarda), Igreja Matriz de Vinhó (Gouveia) e Santuário de Nossa Senhora do Desterro (São Romão – Seia).

 

Igreja de São Vicente

 

Na Guarda, a Igreja de São Vicente, apesar de documentada desde o século XIII, nada preserva do templo medieval. O edifício é uma reconstrução do final do século XVIII, sob o mecenato do prelado episcopal, D. Jerónimo Rogado do Carvalhal e Silva. No exterior do templo destaca-se o portal sobre o qual se encontra colocada a pedra de armas do responsável pela reedificação. No interior da igreja, à tonalidade aurifulgente da talha, executada no século XVIII, contrapõe-se a sobriedade cromática da série de painéis de azulejos figurados setecentistas, onde se expõem cenas da Paixão de Cristo, na capela-mor, e cenas da vida de Nossa Senhora no corpo da igreja. Estes painéis azulejares são atribuídos a Salvador de Sousa Carvalho (ca. 1727-1810), artista nascido em Lisboa, uma figura marcante na produção azulejar coimbrã da segunda metade de setecentos. Os painéis, na sua dimensão maior, ao centro, atingem os 26 azulejos de altura e são envolvidos por uma densa e exuberante decoração, animados por concheados volumosos e sinuosos rococós, com pintura em tons de azul mais carregado na cercadura e mais ténue ao centro, avivados, no enquadramento, com marmoreados amarelos e manganês, aparecendo, na parte superior a compor todo o conjunto, “coroamento de flores e folhagens verdes de cobre”. Na parte inferior, uma cartela, tipicamente rococó, centra toda a composição.

 

Igreja Matriz de Vinhó

 

O Convento da Madre Deus foi mandado edificar em 1567 pelo cavaleiro Francisco de Sousa e sua mulher, Dona Antónia, para recolhimento de Freiras Clarissas. Do primitivo templo subsiste a igreja de nave única e o portal lateral que era o primitivo acesso à entrada principal da igreja, utilizado pelas clarissas, e sobre o qual foi colocado a pedra de armas dos fundadores. No interior, assistimos à integridade entre a talha e a pintura de caixotão, sendo a abóbada da nave o prolongamento dos retábulos de Estilo Joanino e a abóbada da capela-mor o prolongamento do retábulo de Estilo Nacional. O retábulo do Evangelho recebe uma pintura do século XVI (?). O arco triunfal é totalmente revestido a talha, tendo no fecho as insígnias da Ordem Franciscana: dois braços estigmatizados o da dextra sobreposto e nu, o da sinistra sotoposto e vestido de “burel”. Aquelas armas têm origem na bênção dada por São Francisco na hora da sua morte aos frades que haviam aderido ao seu modo de vida; naquele momento o Santo cruzou os braços e estendeu por cima deles a cruz assim formada, benzendo-os a todos, presentes e ausentes, em poder e nome de Cristo. “O braço nu alude pois a Cristo, em cujo nome se realizou a bênção por intermédio de Francisco, e encontra-se sobreposto para assinalar a Sua primazia. O braço vestido de burel identifica o santo fundador da Ordem, uma vez que este tecido havia sido escolhido para a composição do respectivo hábito em sinal de despojamento, de humildade e de sacrifício, pois tratava-se do tecido mais rude, mais barato e menos confortável. Ambos os braços apresentam mãos com chagas: a de Cristo alude naturalmente à crucificação; a de Francisco aos estigmas.” Os caixotões executados no final do século XVII foram pintados com narrativa hagiográfica e bíblica. No interior da igreja encontramos, ainda, a Capela do Menino Jesus da Tia Baptista.

 

Santuário de Nossa Senhora do Desterro

 

De acordo com a tradição o aparecimento, em diferentes locais, das imagens da Virgem, de São José e do Menino Jesus, deram origem à construção do Santuário de Nossa Senhora do Desterro, em São Romão, Seia, formado por dez capelas edificadas entre o século XVII e XIX. Este santuário, considerado o mais célebre das terras beirãs, ergue-se num local aprazível e de particular beleza natural.

Do conjunto fazem parte a Capela de Nossa Senhora do Desterro (edificada no século XVII foi totalmente reconstruída e ampliada entre o final do século XVIII e início do século XIX); a

Capela de Nossa Senhora dos Prazeres ou dos Doutores; e a Capela da Anunciação; a Capela da Apresentação; a Capela de Jesus no Horto ou Capela da Agonia; a Capela do Encontro; a Capela do Calvário; e a Capela de Nossa Senhora da Piedade. Do santuário fazem ainda parte a Capela de Nossa Senhora das Dores e a Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem.

 

Quarta, 1 de Setembro de 2021