Antigos alunos dos Seminários do Fundão e Guarda

Antigos alunos dos Seminários do Fundão e Guarda

Antigos alunos dos Seminários do Fundão e Guarda

(Re)encontro dos 50 anos – 1968/2018

 

     17 de Novembro

     A imponência majestosa da serra da Gardunha continua a dominar o sopé onde o vasto casarão do Seminário, quase deserto, dormita. Novidade são as cerejeiras que chegam aos contrafortes mais cimeiros da serra e lhe dão, neste dia de um novembro cinzento, um colorido de tons outonais entre o amarelo e o roxo. Forma-se assim uma paisagem agreste e multiforme.

     Há cinquenta anos atrás – 1968 – trazia-nos a ânsia de aprender e de crescer. Chamados para um destino que julgávamos traçado, vínhamos ansiosos e temerosos perante aquilo que seria o início de uma caminhada longa de cinco anos. Hoje, a vinda é uma romagem de saudade e reencontro. Dos que viemos, naquele distante ano, voltamos vinte e sete e famílias. Por que vimos? Por razões diversas e múltiplas. Desde logo pela incontornável saudade com que a experiente idade dos sessenta nos faz olhar para trás. Mas também pelo desejo de rever aqueles que foram ficando pelo caminho derivando por ramais que a vida lhes foi apontando como o destino correcto. Daquela prevista caminhada de cinco anos, iniciada por sessenta, uns cumpriram um, outros dois e apenas cerca de uma vintena cumpriríamos a etapa na totalidade. O regresso deu-se também por uma questão de gratidão: a casa e as pessoas que a enformavam deram-nos as bases da cultura e dos valores que ainda hoje nos norteiam. Da equipa formadora inicial não resta ninguém; dos prefeitos, entrados posteriormente, quis estar connosco o único que ainda não foi chamado para Deus. O senhor Padre Registo, que nos acompanhou durante um ano – o terceiro –, reviveu com alegria essa passagem pelo Seminário e a recordação que ainda tem de alguns de nós.

     A jornada iniciou-se com a recepção por parte dos elementos da Associação dos Antigos Alunos dos Seminários do Fundão e Guarda (AAASFG), aos elementos que iam chegando aos poucos, pois alguns vieram de longe, e que se iam dispersando pelos espaços do Seminário onde as saudades nos chamavam. Alguns, pois outros estão hoje fechados. E aí residiu a diferença sentida neste espaço de cinquenta anos: os corredores, naquela década de sessenta, completamente cheios de gente e vida, hoje completamente desertos e áridos e frios. Depois seguiu-se a Eucaristia comemorativa, concelebrada pelos dois presbíteros ordenados desse ano – o Padre António Carlos Marques Gonçalves, Cónego da Sé da Guarda e o Padre António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro. A tarde foi passando rápida com o almoço de confraternização que serviu para reavivar, em pequenos grupos, histórias há muito vividas e já meio esquecidas. Trocaram-se impressões, dificuldades e alegrias que a vida foi proporcionando a cada um nestas cinco décadas. Após o convívio em cada mesa, o coordenador do encontro, simultaneamente cinquentanista e membro da AAASFG, Jorge Bernardino Simão, propôs que recordássemos, brevemente, o que marcou a passagem pelo Seminário. E assim desfilaram perante nós memórias mais felizes ou menos felizes que emocionaram os presentes quer antigos alunos, quer as suas famílias. E, porque os momentos vividos foram plenos de boas recordações, ficou a promessa de que os reencontros terão de ser mais frequentes.

     Partido o bolo da comemoração, olhámos uma última vez a imponência da Gardunha, já coberta pelas sombras transparentes de uma noite chuviscosa, guardámos cuidadosamente as memórias partilhadas e dispersámos para os caminhos que a vida nos foi dando de presente. As emoções, essas, mudaram com certeza ao longo do dia e todos partimos mais ricos e apaziguados por um dia pleno de recordações.

Quarta, 28 de Novembro de 2018