Na continuidade do livro apresentado por ocasião do Natal de 2025, chega agora uma nova obra que convida crianças, famílias e comunidades a mergulharem no sentido profundo da Quaresma e do Tempo Pascal, pela voz simples, curiosa e tantas vezes inquieta do Egitaninho.
Da autoria de Ilda Manso e Marco Ramos, este livro propõe um percurso catequético acessível e pedagógico, ajudando a compreender o significado dos gestos, símbolos e tradições que marcam o ciclo pascal.
A Quaresma é apresentada como um tempo de recolhimento, oração, penitência e caridade — um verdadeiro caminho interior de preparação para a grande festa da Páscoa. Ao longo das páginas, explica-se o simbolismo dos 40 dias, evocando os quarenta dias de Jesus no deserto, e compreende-se por que razão o Aleluia deixa de ser cantado neste tempo, como expressão de sobriedade, espera e preparação.
A obra ajuda também a descobrir o sentido dos sinais visíveis na Igreja:
- a ausência de flores, que exprime sobriedade e silêncio;
- a cor roxa dos paramentos, sinal de penitência e conversão;
- a cinza imposta na Quarta-feira de Cinzas, que recorda a fragilidade humana e o apelo à mudança de vida;
- os ramos do Domingo de Ramos, que assinalam a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.
Entre tradições populares e vivências comunitárias, são recordadas as antigas encomendação das almas, expressão musical da fé do povo, bem como a Missa Crismal celebrada na Sé, momento em que o Senhor Bispo se reúne com os sacerdotes da Diocese. No Domingo de Páscoa, o Egitaninho alegra-se com a presença do Sr. Bispo na sua paróquia, reforçando o sentido de Igreja viva, reunida à volta do seu Pastor.
O Tríduo Pascal ocupa um lugar central na narrativa: o Lava-pés e a Última Ceia, que revelam o amor feito serviço; a Adoração da Cruz, sinal supremo da entrega de Cristo; e o compasso pascal, tradição que leva a alegria da Ressurreição às casas das famílias.
A história não ignora as interrogações do mundo atual. Fala-se dos ovos de chocolate e do coelho da Páscoa, explicando a sua origem simbólica ligada à fertilidade e à vida nova — tradições de matriz cultural anterior ao cristianismo que foram sendo integradas nos costumes populares, mas que não substituem o verdadeiro centro da celebração: a Ressurreição de Cristo.
Num dos capítulos mais marcantes, o Egitaninho chega mesmo a zangar-se com Jesus. A partir dessa experiência de incompreensão, o livro explica, de forma simples e tocante, o perdão e a infinita Misericórdia de Deus — um Deus que nunca desiste e que acolhe sempre quem regressa.
Ao longo da Quaresma, o Egitaninho cumpre as tarefas dos Passinhos, participa na Via-Sacra, aprende o significado da Paixão de Cristo e descobre o que simboliza o Sacrário: a presença real e silenciosa de Jesus na Eucaristia. O caminho culmina na Vigília Pascal, com o ritual do fogo novo e da luz — símbolo de Cristo Ressuscitado que vence as trevas — e com a renovação das promessas do Batismo, recordando que cada cristão é chamado a viver como filho da luz.
Esta nova publicação constitui, assim, um convite a redescobrir o sentido profundo das tradições quaresmais e pascais, a viver a fé com maior consciência e a deixar-se transformar pela Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo — não como memória distante, mas como realidade viva que ilumina e renova o presente.
No prefácio da obra, o Senhor Bispo Diocesano, D. José Pereira, sublinha a importância deste caminho espiritual:
“Chegados agora ao ciclo da Páscoa, que se inicia com a Quaresma em Quarta-feira de Cinzas e terminará no Pentecostes, tendo o seu auge no Tríduo Pascal que se prolonga pelo Tempo Pascal, os autores desta publicação trazem-nos de novo a simplicidade de uma criança na sua procura de respostas para os gestos e tradições deste importante período que anualmente nos pode interpelar.
Desde práticas populares devocionais até a alguns gestos litúrgicos não imediatamente conhecidos e compreendidos, podemos encontrar nestes diálogos simples o estímulo que desperte o apetite para um aprofundamento mais cuidado de muitas práticas religiosas cujo sentido esquecemos ou desconhecemos, e que tantas vezes acabam por nos parecer frios ou vazios.
Num tempo que procura ‘figuras messiânicas’ ou respostas imediatas como solução para tantos desencontros e dificuldades duras da vida, possa este ciclo da Páscoa abrir luz e caminho para acolher a renovação inaugurada pela Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, e que tem a força salvadora de transformar as pessoas e o mundo até à sua consumação.
Os autores partilham aqui um caderno com passatempos para os mais novos. Apostamos que vão gostar e que em muito podem ajudar as nossas catequeses. CLIQUE AQUI e faça o download
O livro estará em breve disponível na Casa Véritas – Guarda; na Cúria da Diocese; no Fotoacadémico – Covilhã ou diretamente aos autores.
