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Balanço da Formação do Clero – Região Centro

Padres e Diáconos das seis dioceses do centro reuniram-se em Fátima, durante três dias, de 30.1 a 1.2.2024, para fazerem formação sobre “Evangelização e comunidades”.

Começaram por tomar consciência das diferenças que marcam a vida pessoal e social, na atualidade; diferenças religiosas e culturais, de competências e de identidade pessoal e comunitária, hoje acentuadas pelos encontros que a nova mobilidade humana impõe.

A grande interpelação que ficou  é para fazer das diferenças complementaridade entre pessoas e grupos. E, por outro lado, impedir que as mesmas diferenças sejam geradoras de conflitos e de guerras, como infelizmente continua a acontecer. Também não ignoramos as pretensões ideológicas de acabar com as diferenças, em nome do igualitarismo, que tem hoje na ideologia do género uma das sua expressões mais desumanas.

O grande apelo que nos deixaram estas jornadas  foi o de fazer das nossas comunidades comunidades evangelizadoras, em vez de simplesmente conservarem tradições e distribuírem serviços. Essa interpelação vem desde o início do Cristianismo, quer da primeira geração de evangelizadores ligada ao período apostólico – desde a Morte e Ressurreição de Jesus até ao ano setenta; quer da segunda geração, que se prolongou por mais 40 anos, até ao início do século segundo, também chamado período sub-apostólico ou geração dos anónimos. 

Se a primeira destas duas evangelizações  apostou na conversão da mente e do coração, com os olhos muito voltados para  eminente segunda vinda de Jesus; a segunda, que se prolongou até ao ano 110, procurou consolidar as comunidades e motivar para a transformação da sociedade, principalmente através do testemunho do novo estilo de vida inaugurado por Jesus.

Fica-nos a pergunta sobre o quê e como fazer com que as nossas comunidades respondam ao apelo vindo das primeira gerações cristãs para serem cada vez mais evangelizadoras e missionárias.

A nossa resposta implica passar de uma pastoral de manutenção à pastoral de discípulos missionários.

Este é também o insistente apelo que o Papa Francisco nos vem fazendo, desde o início do seu Pontificado, nomeadamente com a publicação da “Evangelii Gaudium”.

Ele propõe-nos a atitude de saída para ir ao encontro do mundo e levar-lhe a diferença do Evangelho. Para tal precisamos de valorizar a espiritualidade da encarnação, o que implica encontrar e conhecer as pessoas reais com suas virtudes e defeitos, procurando apontar-lhes os caminhos a seguir e não as ideais, porque estas não existem.

São muitos os que nos aparecem pela frente com suas interrogações e nós não podemos ceder à tentação de dar respostas a perguntas que eles, de facto, não fazem, embora possam ter sido feitas em outras épocas.

E cada comunidade tem de saber, nas diferentes situações, discernir os caminhos que deve percorrer para cumprir a sua missão. Aqui, o pastor tem papel decisivo, não para substituir ninguém mas para promover o empenho de todos com vista a identificar e seguir os caminhos do Espírito. O Espírito Santo é quem, de facto, governa a Igreja, atuando também fora dos seus limites e antecipando-se na preparação das pessoas para a sua chegada, em cumprimentos do mandato missionário. O discernimento próprio do Cristão é ver Deus em ação nas realidades concretas do mundo que habitamos, sabendo identificar e interpretar bem os seus sinais, os sinais dos tempos.

Entre muitas outras interpelações que nos deixou, esta formação convida-nos à conversão pastoral em chave missionária. Convida-nos a identificar o melhor possível os destinatários da evangelização, para levarmos as respostas do Evangelho às perguntas reais que eles fazem e não a quaisquer outras que eles não fazem, embora possam estar na nossa cabeça.

A meta da evangelização, como de toda a vida comunitária, é o encontro com a Pessoa de Jesus, que realmente salva.

Foram três dias intensos, de conferências e diálogos, de celebrações conjuntas e de encontros informais entre sacerdotes e diáconos, que em muito vão ajudar a cumprir o serviço de pastores que nos está confiado.

3.2.2024