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Bispo da Guarda participou no XI Simpósio do Clero em Fátima

O Bispo da Guarda, D. José Miguel Pereira, participou, juntamente com vários sacerdotes da Diocese, no XI Simpósio do Clero de Portugal, que decorreu entre 31 de agosto e 3 de setembro, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima.

Subordinado ao tema «Irmãos no sacerdócio e testemunhas do Evangelho», o encontro reuniu sacerdotes de várias dioceses portuguesas para quatro dias de reflexão, oração, partilha e aprofundamento da fraternidade sacerdotal.

A sessão de abertura ficou marcada pela mensagem que o Papa Leão XIV dirigiu aos participantes, divulgada pelo Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso.

O Santo Padre convidou os sacerdotes a prosseguirem o seu caminho sem se deixarem dominar por «entusiasmos ingénuos» nem por «medos estéreis», reconhecendo que também a diversidade e as tensões podem ser ocasião para a ação criativa do Espírito Santo e para renovar o zelo pela missão comum.

Leão XIV invocou para o clero português «a sabedoria divina para o caminho conjunto», o «entusiasmo para os passos vacilantes» e «o dom da unidade para todos».

«Nenhum pastor existe sozinho»

Na sua intervenção, o Núncio Apostólico colocou a fraternidade e a comunhão no centro da autenticidade da vida sacerdotal, recordando que «nenhum pastor existe sozinho».

D. Andrés Carrascosa Coso salientou a importância do acompanhamento espiritual, advertindo que quem deixa de ser acompanhado corre o risco de perder a capacidade de reconhecer aquilo que acontece no seu próprio interior e, consequentemente, de acompanhar verdadeiramente os outros.

O representante do Papa em Portugal alertou também para o clericalismo, que classificou como uma «ferida na comunhão», insistindo que a Igreja precisa de bispos, presbíteros e diáconos que coloquem a caridade no centro da sua vida e da sua ação pastoral.

«A Igreja precisa de ministros que levem a sério, com radicalidade, o coração do Evangelho», afirmou, defendendo que a caridade deve estar na base de todas as atividades e preceder as próprias ocupações pastorais.

Mais do que programas bem preparados

O Núncio deixou ainda um alerta particularmente dirigido à vida pastoral: podem existir «celebrações belíssimas» e «programas pastorais muito bem preparados» que sejam expressão de uma realidade de comunhão que, na verdade, não existe.

Neste sentido, sublinhou a importância da partilha das experiências de vida cristã, da ajuda mútua e até da comunhão dos bens materiais, advertindo para os perigos de uma vida sacerdotal excessivamente individualista.

«Às vezes, no interior do presbitério diocesano, infelizmente, não é o amor recíproco aquilo que nos distingue», reconheceu, apontando como caminho a necessidade de «formar para a comunhão, formar para o trabalho em conjunto».

A participação de D. José Pereira e dos sacerdotes da Diocese da Guarda neste XI Simpósio insere-se também neste desafio lançado a todo o clero português: fortalecer a fraternidade sacerdotal, cuidar da vida espiritual e fazer da comunhão uma realidade concreta ao serviço da missão e do anúncio do Evangelho.

Na fotografia: participantes no XI Simpósio do Clero de Portugal, realizado em Fátima, de 31 de agosto a 3 de setembro de 2026. CEP