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Caminho de Páscoa

A Quaresma é o caminho que conduz à Páscoa. Não é apenas um tempo de penitência; também é um tempo de alegria. O hino de vésperas da Liturgia das Horas exprime-o com uma imagem muito bela: “crescem nas asperezas do caminho pequenas flores brancas de esperança; não podem os espinhos afogá-las, pois foi o amor que as chamou à vida.” Mesmo na aspereza do caminho, Deus faz nascer sinais de esperança.

Desde os primeiros séculos, este Tempo foi vivido como preparação para o Baptismo.

Por isso, a liturgia dos Domingos da Quaresma apresenta três grandes imagens que iluminam o coração humano: a água, a luz e a vida.

Junto ao poço de Sicar, Jesus encontra a mulher samaritana. Ela vem buscar água, mas traz consigo uma sede mais profunda. Muitas vezes, o coração humano procura saciar-se em poços sem água viva. Cristo promete a água que verdadeiramente sacia: uma fonte que brota no interior do homem e o conduz a Deus.

Depois surge a figura do cego de nascença. Jesus abre-lhe os olhos e devolve-lhe a luz. Mas a luz de Cristo abre também o olhar do coração para reconhecer a presença de Deus na própria vida.

Por fim, diante do túmulo de Lázaro, revela-se o sinal maior. Jesus chama o amigo para fora da morte e manifesta que Deus não abandona o homem ao poder do sepulcro.

Neste gesto antecipa-se aquilo que a Páscoa revelará plenamente: a vida é mais forte do que a morte.

Ao longo da Quaresma, a Igreja conduz-nos passo a passo: da sede à água viva, da escuridão à luz, da morte à vida.

Este é o nosso caminho.

Cristo vive. N’Ele há paz e esperança para o mundo.

 

P. João Marçalo