Skip to content Skip to footer

Conselho Presbiteral reuniu-se em sessão ordinária

O Conselho Presbiteral da Diocese da Guarda reuniu-se hoje, 4 de fevereiro de 2026, em sessão ordinária, num encontro marcado pela oração, pela reflexão pastoral e pela partilha fraterna.

A reunião teve início com a Oração da Hora Intermédia, seguida da leitura e aprovação da ata anterior e da eleição do novo Secretariado Permanente.

Um dos momentos centrais foi o testemunho da Diocese de Coimbra sobre a renovação da organização pastoral e a implementação das Unidades Pastorais, apresentado pelo Pe. Manuel Cavalheiro Dias. (Ver artigo em anexo).

Antes de almoço foi apresentado pela ecónoma o balanço simplificado das contas diocesanas.

Durante a tarde, os sacerdotes participaram nos grupos de conversação no âmbito do Itinerário Sinodal, refletindo sobre as prioridades no exercício do ministério sacerdotal na Diocese da Guarda, seguindo-se o plenário com intervenções livres.

Foram ainda abordados diversos assuntos, entre os quais o destino da Renúncia Quaresmal e a situação do Seminário Maior.

O encontro terminou com a oração final, num clima de comunhão, corresponsabilidade e renovado compromisso pastoral ao serviço do Povo de Deus.

– – –

 

Padre Manuel Cavalheiro Dias partilha na Diocese da Guarda a experiência pastoral de Coimbra

O Padre Manuel Cavalheiro Dias, Vigário Episcopal para a Pastoral da Diocese de Coimbra, apresentou hoje dia 04 de fevereiro, no Conselho Presbiteral da Diocese da Guarda, a experiência daquela diocese na implementação das Unidades Pastorais.

A sua intervenção centrou-se na necessidade de a Igreja olhar com realismo para a atualidade e responder aos desafios de um mundo profundamente diferente daquele de há cinquenta anos. Partindo da questão “Que Igreja somos e que Igreja queremos ser?”, sublinhou que a Igreja é chamada a ser uma “Igreja em caminho”, em permanente atitude missionária.

O caso da Diocese de Coimbra: Reorganização pastoral como resposta à realidade

Na Diocese de Coimbra, foi necessário proceder a uma reorganização pastoral, passando das antigas regiões pastorais para os arciprestados, durante o episcopado de Dom Virgílio do Nascimento Antunes.

Esta reorganização procurou responder às dificuldades demográficas e à diminuição do número de sacerdotes. Em 2023, a Diocese contava com 63 padres diocesanos e 23 sacerdotes provenientes de outras dioceses ou congregações, para servir 271 paróquias, tornando inevitável a criação das Unidades Pastorais.

Dados sobre a realidade diocesana de Coimbra

O sacerdote apresentou os resultados do recenseamento realizado em 2022:

• A Diocese tinha cerca de 525 mil habitantes

• Aproximadamente 36 mil praticantes dominicais (7%)

• Mais de 20% da população com mais de 70 anos

• Cerca de 30% com formação superior

• Elevada fidelização às comunidades

Referiu ainda que cerca de 25% dos fiéis frequentam paróquias fora da sua área de residência, refletindo a crescente mobilidade.

Desafios e papel dos leigos nas unidades pastorais

Entre os principais desafios, destacou:

• Envelhecimento da população

• Concentração demográfica

• Mobilidade

• Diminuição do envolvimento ativo do laicado

Sublinhou que os leigos são chamados não apenas a dar pareceres, mas a assumir responsabilidades na construção de soluções pastorais.

Organização económica das Unidades Pastorais

O Padre Manuel Cavalheiro Dias abordou também a dimensão económica das Unidades Pastorais. Reconhecendo que a sua constituição pode ser exigente, afirmou que este processo favorece a comunhão e a corresponsabilidade.

No seu caso concreto cada paróquia é representada por um elemento da respetiva fábrica da Igreja, habitualmente o tesoureiro. Na sua perspetiva, esta área será uma das mais simples de implementar, quando existe espírito de colaboração.

Equipa de Animação Pastoral

Outro aspeto central apresentado foi a criação da Equipa de Animação Pastoral, composta:

• Pelo clero da Unidade Pastoral

• Por três ou quatro leigos escolhidos pelo pároco

Esta equipa, distinta do Conselho Pastoral (que é eleito), deve funcionar como verdadeiro motor da pastoral, independentemente de quem a compõe.

Deve ter entre cinco e nove elementos e assumir funções de:

• Reflexão pastoral

• Programação

• Dinamização

• Acompanhamento

• Avaliação

O seu trabalho deve articular-se com o Conselho Pastoral, promovendo uma pastoral integrada.

Vida espiritual e corresponsabilidade

O sacerdote destacou ainda a importância das reuniões mensais da equipa, como espaço de proximidade, confiança e oração em comum.

Mais do que órgãos consultivos, estas estruturas devem ser lugares de ação concreta, capazes de promover decisões e iniciativas pastorais.

“Não basta dar conselhos; é necessário agir”, afirmou.

Um contributo para o caminho da Diocese da Guarda

A partilha da experiência da Diocese de Coimbra constituiu um importante momento de reflexão no Conselho Presbiteral da Guarda, contribuindo para o discernimento pastoral e para a construção de respostas ajustadas aos desafios atuais.

As Unidades Pastorais foram apresentadas como um caminho de comunhão, corresponsabilidade e renovação missionária, ao serviço da evangelização no século XXI.