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Memorando – ADRO: 1.ª Assembleia Diocesana ‘Reunir e Ouvir’

Diocese da Guarda – ano pastoral 2025/2026

21 de abril

No dia 21 de abril realizou-se, no Café-Concerto do Teatro Municipal da Guarda, a ADRO – Assembleia Diocesana Reunir e Ouvir, promovida pela Diocese da Guarda. Esta iniciativa, realizada pela primeira vez, reuniu cerca de 30 representantes de diversos setores da sociedade civil – educação, ação social, segurança, justiça, poder autárquico, saúde e confissões religiosas, sob o tema: “Que atenções prioritárias se pedem à Diocese da Guarda na sua presença e ação no nosso território comum?”.

A ADRO nasce como sinal concreto de abertura da Igreja ao território e às instituições que nele atuam. Com vocação de continuidade, pretende afirmar-se como um espaço estável de encontro, escuta e colaboração, a realizar anualmente, fortalecendo caminhos de comunhão e corresponsabilidade ao serviço do bem comum.

Inspirada no dinamismo sinodal promovido pelo Papa Francisco, esta assembleia constituiu um verdadeiro exercício de Igreja em saída, que escuta, dialoga e procura discernir em conjunto. A escolha da data, evocando o aniversário do término do ministério do Papa Francisco, reforça o desejo da Diocese de continuar a concretizar, no contexto local, os desafios de uma Igreja mais próxima, participativa e missionária.

Na abertura dos trabalhos, o Bispo da Guarda, D. José Miguel, agradeceu a presença de todos e sublinhou o sentido profundo deste encontro: “Queremos conhecer escutando. Este é um caminho que desejamos fazer convosco, para melhor responder, em conjunto, aos desafios do nosso território, cada um na sua área, em ordem ao bem comum.”

Também o coordenador do Secretariado de Coordenação Pastoral, Padre Jorge Castela, sublinhou que a Diocese se encontra num verdadeiro processo de discernimento e escuta, orientado para fazer mais e melhor pelas pessoas e pelas comunidades. Recordou ainda o significado simbólico dos “adros” junto às igrejas, tradicionalmente entendidos como espaços de encontro e diálogo, onde a comunidade se reunia, partilhava a vida e fortalecia laços – uma imagem que inspira hoje este caminho de proximidade e construção comum.

Ao longo da assembleia, o diálogo entre os diversos setores revelou uma convergência significativa na identificação dos desafios do território e no reconhecimento da Igrejacomo parceira de proximidade, com uma capacidade única de presença junto das populações, especialmente das mais vulneráveis.

No âmbito da segurança e justiça, foi sublinhado o papel da Igreja como verdadeiro “radar social”, capaz de identificar situações de risco – como o isolamento de idosos, a violência doméstica ou a exclusão social, e de colaborar no encaminhamento célere dessas situações. Destacou-se ainda a importância da prevenção e da sensibilização comunitária, numa ação conjunta que promova uma cultura de cuidado e responsabilidade.

No setor da saúde, emergiu com particular urgência a necessidade de respostas de “retaguarda social”, sobretudo para pessoas que, apesar de terem alta clínica, não encontram suporte familiar ou social. Foi amplamente reconhecido o valor do acompanhamento espiritual como dimensão essencial do cuidado integral da pessoa humana, bem como o contributo da Igreja na promoção da literacia em saúde e na humanização dos contextos de doença.

O setor social evidenciou desafios profundos relacionados com a pobreza invisível, a solidão e a exclusão, apelando ao reforço de redes de proximidade e de acompanhamento contínuo. Neste contexto, a Igreja foi reconhecida como agente privilegiado na identificação de situações de vulnerabilidade, graças à relação de confiança que estabelece com as comunidades.

Por sua vez, o poder local ressaltou a importância da colaboração com a Igreja, nomeadamente na valorização do património eclesiástico devoluto, apontando-o como uma oportunidade concreta para responder a necessidades habitacionais, acolher migrantes e dinamizar projetos comunitários que contribuam para a coesão territorial.

No campo da educação, foi lançado o desafio de encontrar novas linguagens e formas de presença capazes de chegar às gerações mais jovens, valorizando o uso das ferramentas digitais, o envolvimento em projetos de voluntariado e a promoção de uma formação integral que ajude os jovens a encontrar sentido, pertença e compromisso com a comunidade.

No setor da religião, foi particularmente significativa a presença do representante da Igreja Ortodoxa Ucraniana – Vicariato da Europa Ocidental, o Protopresbítero Mykolai Kozachevskyi, que, na sua intervenção, destacou a importância da fé comum no mesmo Deus e sublinhou que, mesmo perante as vicissitudes do mundo atual, existem valores que unem todos os cristãos, como a fraternidade, a solidariedade e o cuidado mútuo. A sua participação reforçou a dimensão ecuménica deste encontro e a urgência de caminhos de diálogo e colaboração entre Igrejas.

De forma transversal, foi ainda evidenciada a necessidade de fortalecer respostas no acolhimento e integração de migrantes, bem como na criação de redes colaborativas que articulem os diferentes agentes do território numa ação mais eficaz e coordenada.

Na sua intervenção final, D. José Miguel reforçou a necessidade de “construir conjuntamente melhores formas de serviço”, sublinhando que qualquer reforma pastoral deve traduzir-se não num afastamento, mas numa reconfiguração da presença da Igreja: “Não é para sair, mas para multiplicar redes de proximidade.” Manifestou ainda gratidão pela confiança demonstrada, reconhecendo como comovente o facto de as instituições continuarem a ver na Igreja um parceiro credível e comprometido.

Dos contributos recolhidos, D. José destacou quatro eixos fundamentais que orientam o caminho futuro: fraternidade, paz e justiça, espiritualidade e esperança. Num mundo marcado por tensões e incertezas, torna-se essencial promover espaços de encontro e reconciliação, afirmar uma presença que responda às necessidades concretas das pessoas, valorizar a dimensão espiritual como parte integrante da vida humana e cultivar a esperança como horizonte de sentido.

A Assembleia encerrou com um renovado compromisso de continuidade, assumindo-se o propósito de realizar anualmente este encontro, não apenas como momento de diagnóstico, mas como espaço de avaliação e definição de caminhos concretos.

Como afirmou o Bispo da Guarda: “Que a fraternidade que aqui experimentámos nos conduza.” Deste modo, a ADRO afirma-se como um passo significativo na construção de uma Igreja mais próxima, dialogante e comprometida com o território: uma Igreja que escuta para agir, que caminha com todos e que se faz presença viva de esperança no coração da sociedade.