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N(ã)o deserto, avanço – 1º Dom. Quaresma (B)

LECTIO DIVINA – Um Roteiro

0. Preparo-me

Procuro um lugar adequado e uma boa posição corporal. Respiro lenta e suavemente.
Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.

1. O que diz o texto
– Leio pausadamente Mc 1, 12-15.
– Sublinho e anoto o mais significativo.
Após ser batizado, Jesus é impelido pelo Espírito ao deserto. Aí é tentado durante quarenta dias. Depois disso, inicia a sua vida pública, anunciando o Reino de Deus.

2. O que me diz Deus

– Que pensamentos e sentimentos despertam em mim esta passagem?
Antes da missão e das multidões, Jesus vai para o deserto. Nunca perderá esse desejo de estar só. Uma certa solidão, desejada, é necessária. O deserto, na Bíblia, é lugar de encontro: consigo próprio e com Deus. Nos meus desertos, experimento-me tentado. Descubro-me débil mas também forte, capaz de escolha. A Quaresma chama ao deserto espiritual. Aí encontrarei Deus. Com Ele, à semelhança de Jesus – e aprendendo d’Ele –, recupero a paz entre o céu e a terra.

3. O que digo a Deus

– Partindo do que senti, dirijo-me a Deus, orando (de preferência com palavras minhas).
Senhor, em cada Quaresma me chamas à conversão. Esta implica luta espiritual e sou tentado a resistir à mudança. Mas é confrontando-me com as minhas limitações, medos e falhas que cresço. Mais do que quarenta dias, é toda uma vida. Foi o que fizeste: lutar e vencer o mal; afirmar e semear o bem. Isso requer liberdade.
Senhor Jesus, como Tu, quero retirar-me para me reencontrar. Experimentando Deus, no silêncio da oração e na meditação da Palavra, acharei inspiração para as respostas quotidianas. É isso que cada provação ou dificuldade me desafiam a discernir.
Este é o tempo “favorável” que me dás para ousar novos caminhos: na fé conTigo, na esperança de ser cristão com os outros e na caridade de ser irmão para todos. Não quero esperar que tudo passe. Quero viver a espera; antecipar o que espero.

4. O que a Palavra faz em mim

– Contemplo Deus, saboreando e agradecendo.
Senhor, liturgicamente, caminho para a Páscoa. Espiritualmente, tua Páscoa me faz caminhar pela minha quaresma existencial. Assim Te louvo, agradeço e contemplo.
Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Apoiado em Ti, comprometo-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.

PROVOCAÇÕES

– Como viverei esta quaresma?
– Espiritualmente, que retiro dos tempos de prova?
– Que “desertos” enfrento? Atravesso-os com Deus?
– Procuro tempo e espaço para estar a sós com Deus?

UM PENSAMENTO

“O que torna belo o deserto, é que ele esconde um poço algures.” (Antoine de Saint-Exupéry)

UM DESAFIO

Pedir ao Espírito Santo a graça de viver os meus “desertos” com Deus.

UMA ORAÇÃO-POEMA

No deserto deste árido tempo,
não deserto. Avanço.
Decerto provisório,
todo ele, por essência,
desaconselha estância:
nele, o passo é obrigatório.
E se da existência a sede
me consome, sedenta,
é ela que à travessia alenta.
Se perdido me sinto
de verdade me experimento,
entre debilidades, muitas
e essencialidade, única.
De tão despojado,
mais abonado me descubro.
ConTigo, Deus,
das minhas cinzas renasço.
No deserto deste favorável tempo
não deserto. Avanço.

UMA CANÇÃO
Casting Crowns – Desert Road

Uma proposta do Rev. Pe. Serafim Reis, Sac. Diocesano