Skip to content Skip to footer

Jornadas do Clero do Centro 2026 – Dia 3

Espiritualidade, fragilidade e cuidado no ministério ordenado

O terceiro e último dia das Jornadas do Clero das Dioceses do Centro, a 29 de janeiro, foi dedicado à reflexão sobre a espiritualidade, a fragilidade e o cuidado humano e pastoral dos ministros ordenados, no contexto de uma Igreja sinodal.

Na sua intervenção, Emilio Lavaniegos González apresentou uma reflexão sobre a espiritualidade do ministério ordenado, sublinhando que a sinodalidade — o “caminhar juntos” — não é uma moda nem uma estratégia organizativa, mas faz parte da mais autêntica tradição cristã. Recordou que “o ministério sacerdotal é para servir e não para ser servido”, apontando como finalidade última do ministério o cuidado e o pastoreio do Povo de Deus.

O orador destacou que a espiritualidade sinodal se caracteriza pelo cuidado solícito das comunidades e pela promoção da participação de todos os batizados, apelando a uma constante conversão pessoal e pastoral.

No âmbito das jornadas, foi também promovido um inquérito ao clero participante sobre a sua situação pessoal e ministerial, abordando dimensões como a saúde física e espiritual, bem como as relações com a hierarquia e com os irmãos no presbitério, servindo de base para a reflexão conjunta.

Durante a tarde, Margarida Neto, médica psiquiatra, apresentou o tema “O ministério ordenado: entre a espiritualidade, a fragilidade e o burnout”, esclarecendo o conceito de burnout e os seus principais sinais de alerta. Alertou para a importância de reconhecer os limites pessoais, afirmando que um cansaço permanente sem sentido positivo é sinal de desequilíbrio.

Na sua segunda intervenção, Emilio Lavaniegos González aprofundou o tema “O ministério ordenado: entre a espiritualidade e a fragilidade”, sublinhando que a fragilidade não é um fracasso, mas uma condição permanente do ministro ordenado. Referiu ainda que o exercício do ministério se tornou, em muitos contextos, uma “profissão de risco”, marcada pela exposição pública e por estilos de vida exigentes.

Sublinhou a importância da correção fraterna, da partilha e da abertura do coração como caminhos para integrar a fragilidade de forma saudável e evangélica.

Concluídas as Jornadas, no seu terceiro ano consecutivo, ficou reforçado o compromisso de continuar a promover a conversão das relações, a comunhão fraterna e o caminho conjunto na missão, ao serviço do Povo de Deus.

Foto: secretariado de comunicação das jornadas do clero do centro – SN