Hoje, dia 31 de janeiro de 2026, o Departamento da Catequese da Diocese da Guarda promoveu, no auditório da Casa de Saúde Bento Menni, uma ação de formação subordinada ao tema “Evangelizar em ambientes seguros – Da prevenção ao compromisso”, reunindo catequistas, agentes pastorais e responsáveis diocesanos.
A iniciativa teve como principal objetivo sensibilizar para a importância da criação de ambientes seguros, saudáveis e transparentes, especialmente no trabalho pastoral com crianças, jovens e pessoas vulneráveis, reforçando uma cultura de prevenção, responsabilidade e compromisso.
⸻
A intervenção do Dr. João Inácio Monteiro
A sessão iniciou-se com a intervenção do Dr. João Inácio Monteiro, coordenador da Comissão Diocesana de Proteção de Menores e Pessoas Vulneráveis da Diocese da Guarda e juiz desembargador jubilado.
Na sua comunicação, apresentou o percurso e o trabalho da Comissão, criada em 2020 por decreto episcopal, sublinhando a sua autonomia real e efetiva, apesar de instituída pela Igreja. Destacou ainda a importância do regulamento interno, da metodologia e dos procedimentos adotados.
O coordenador partilhou dados relativos à realidade diocesana, referindo denúncias recebidas, processos acompanhados, apoios psicológicos prestados e compensações financeiras em análise, sublinhando a necessidade de rigor, clareza e registo escrito em todos os procedimentos.
Alertou também para a falta de articulação entre diferentes estruturas, defendendo uma maior coordenação, evitando duplicações de trabalho, e frisou que a missão da Comissão deve ser sempre marcada pela credibilidade, lealdade e cooperação, no respeito pelo direito civil, canónico e pelo regulamento interno.
A prevenção foi apresentada como palavra-chave de todo este trabalho, recordando que “só com seriedade, transparência e rigor se constrói confiança”.
⸻
“Da prevenção ao compromisso”: a comunicação da Dra. Marta Sofia Capelo
Seguiu-se a intervenção da Dra. Marta Sofia Capelo, psicóloga clínica e membro da Comissão Diocesana, que refletiu sobre o tema “Da prevenção ao compromisso”, sublinhando que cuidar e proteger é missão e dever de todos.
A oradora destacou que a criação de ambientes seguros é uma responsabilidade pessoal e comunitária, exigente e permanente, baseada no respeito, na humildade, no amor e na entrega.
Abordou a importância da intimidade, distinguindo o que é individual, privado e íntimo, e salientou que respeitar os limites é uma forma concreta de valorizar o outro.
Foram ainda apresentados diferentes tipos de abuso — físico, psicológico, negligência e abuso sexual —, bem como comportamentos potencialmente abusivos, alertando para situações que podem violar a intimidade e causar danos físicos, emocionais ou espirituais.
A psicóloga sublinhou que, na dúvida, é sempre preferível optar pela prudência, mantendo uma postura próxima, mas respeitadora.
⸻
Boas práticas para ambientes seguros
Na parte final da sua comunicação, a Dra. Marta Sofia Capelo apresentou várias práticas para a criação de ambientes seguros, entre as quais:
• Existência de regras e procedimentos claros;
• Política de tolerância zero em relação a qualquer forma de abuso;
• Registo de incidentes, mesmo os aparentemente banais;
• Código de conduta definido e conhecido;
• Espaços visíveis, iluminados e adequados;
• Regra dos dois adultos e portas entreabertas;
• Comunicação transparente, também no meio digital;
• Afeto com limites, evitando favoritismos e segredos;
• Formação contínua dos agentes pastorais.
Foram igualmente referidas diversas ferramentas de prevenção e sensibilização, provenientes da Igreja, de instituições nacionais e internacionais, destinadas a promover a proteção e a consciencialização.
⸻
A palavra do Bispo da Guarda
Na sua intervenção final, o Bispo da Guarda, D. José Pereira, começou por dar graças a Deus pela realização desta ação de formação, destacando a importância de transmitir a fé em tempos exigentes, com coragem e responsabilidade.
Agradeceu o trabalho da Comissão Diocesana, sublinhando o seu papel como espaço visível de confiança, acolhimento e encaminhamento, ao serviço das pessoas e das comunidades.
O Prelado recordou que a Igreja não quer ser fria ou distante, mas promotora de relações humanas marcadas pela ternura de Cristo, apoiadas em planos de conduta e boas práticas.
Encorajou ainda a Comissão a continuar próxima das comunidades, dos grupos, dos arciprestados, dos escuteiros e da disciplina de EMRC, afirmando que é “localmente que estas realidades se curam e ajudam a caminhar com alegria e esperança”.
⸻
Um compromisso para o futuro
Esta ação de formação constituiu um passo significativo no fortalecimento da cultura de prevenção na Diocese da Guarda, reforçando o compromisso de todos com a proteção dos mais frágeis e com a construção de ambientes pastorais seguros, transparentes e confiáveis.
Os participantes manifestaram o desejo de que esta seja a primeira de muitas iniciativas, promovendo uma Igreja cada vez mais consciente, responsável e fiel à sua missão de cuidar, proteger e evangelizar.
