A Liga dos Servos de Jesus celebrou, nos dias 28 e 29 de agosto, a sua Festa Anual, num encontro marcado pela oração, ação de graças e pelo início de uma nova etapa na vida da instituição.
Na Eucaristia deste sábado, no Outeiro de São Miguel, o Bispo da Guarda, D. José Pereira, propôs uma reflexão de caráter programático para o futuro da Liga, inspirada na figura de São João Batista: profecia, anúncio e martírio.
A celebração foi presidida pelo Bispo diocesano e concelebrada por D. Manuel Felício, Bispo Emérito da Guarda, e por D. António Luciano, natural da Diocese e atual Bispo de Viseu, além de vários sacerdotes.
A Festa Anual tinha começado na noite de sexta-feira, na Sé Catedral da Guarda, com a Eucaristia de Ação de Graças, seguida de Adoração ao Santíssimo Sacramento. A oração prolongou-se depois, durante a noite, nas diferentes comunidades da Liga.
«Escutar o que o Espírito diz à Liga»
Na homilia da Eucaristia deste sábado, memória litúrgica do Martírio de São João Batista, D. José Pereira colocou o novo ciclo da Liga sob a inspiração daquele que preparou os caminhos do Senhor.
A primeira dimensão apontada foi a profecia, entendida como capacidade de discernimento e de conversão. Uma denúncia que não deve ser «azeda ou cáustica», nem partir da atitude de quem considera que «eu é que sei e todos estão mal», mas da escuta verdadeira da voz do Espírito.
O Bispo convidou a Liga a fazer uma verdadeira revisão de vida, procurando reconhecer, com serenidade e liberdade interior, aquilo que necessita de mudança. Trata-se de escutar «o que o Espírito diz à Igreja» e, concretamente, «o que o Espírito diz à Liga», mantendo a frescura e a novidade interior de quem se deixa continuamente converter.
D. José Pereira recordou, neste contexto, a convicção que está na origem da própria Liga: «É preciso que Jesus reine». Uma afirmação que exige também a coragem de perguntar onde é que Jesus ainda não reina e o que precisa de ser reordenado para lhe dar verdadeiramente lugar.
«Não somos uma ONG»
A segunda dimensão é a do anúncio. O Bispo sublinhou a importância de transportar a herança recebida sem ficar simplesmente presa ao passado, projetando-a para o futuro.
Referindo o trabalho desenvolvido pela Liga nos campos educativo, social e do acompanhamento dos idosos, D. José Pereira salientou a necessidade de respeitar a justa autonomia dessas realidades, mas deixou clara a identidade que deve sustentar toda a missão: «Não somos uma ONG educativa, social ou de assistência. Somos um punhado de discípulos de Jesus.»
Por isso, cada obra e cada presença da Liga devem poder abrir caminho à possibilidade de um encontro vivo com Cristo.
O Bispo manifestou também o desejo de uma Liga cada vez mais presente e visível na vida das paróquias e capaz de formar discípulos missionários, com a «força e ousadia profética» necessárias para acolher as mudanças que o Espírito pedir.
Dar a vida todos os dias
A terceira dimensão proposta foi o martírio, não entendido como «masoquismo», mas como entrega quotidiana.
Ser fiel à missão significa aceitar que, para que Jesus reine, é necessário «dar a vida todos os dias», renunciando também ao que oferece segurança pessoal quando isso impede a disponibilidade para a missão.
D. José Pereira salientou que Deus não diminui a pessoa, mas restitui-a à sua imagem autêntica, permitindo-lhe desenvolver-se e resplandecer. Neste horizonte, apontou o desejo de que a Liga seja cada vez mais «motor na Diocese e nas paróquias», assumindo com confiança o atual tempo de transição.
Uma nova etapa também no Seminário
O Bispo abordou ainda a mudança em curso relativamente à presença de uma comunidade da Liga dos Servos de Jesus no Seminário da Guarda.
Recordou, com gratidão, o serviço generoso e abnegado ali prestado ao longo dos anos, evocando de modo particular a Irmã Cruz, recentemente falecida, e a Irmã Miquelina, atualmente em convalescença.
D. José Pereira explicou que o Seminário se encontra numa nova etapa e apontou para novas formas de serviço e compromisso, envolvendo cristãos, leigos comprometidos e pessoas disponíveis para oferecer parte do seu tempo, eventualmente através de missões temporárias.
«É preciso escutar a voz do Espírito», afirmou, manifestando o desejo de que a Diocese tenha a coragem de acolher os caminhos novos que Ele inspirar.
Padre Serafim Reis assume missão de Assistente Geral
A celebração ficou ainda marcada pela transição no acompanhamento espiritual da Liga dos Servos de Jesus.
D. José Pereira agradeceu o serviço desenvolvido pelo Padre Manuel Igreja Dinis enquanto assistente da Liga. O sacerdote continuará ligado à instituição como assistente do Centro de Espiritualidade do Outeiro de São Miguel.
No final da Eucaristia, o Padre Serafim Reis realizou o juramento de fidelidade e tomou posse como novo Assistente Geral da Liga dos Servos de Jesus.
A Irmã Irene, Coordenadora Geral da Liga, agradeceu igualmente o trabalho desenvolvido pelo Padre Manuel Igreja Dinis e saudou o novo Assistente Geral.
Nas suas primeiras palavras após a tomada de posse, o Padre Serafim Reis afirmou ter «mais de 40 razões» para ter aceitado o pedido do Bispo. E concretizou-as, evocando pelo nome cerca de 40 Servas de Jesus que conheceu ao longo da vida e que, pelo seu testemunho, serviço e amor à Igreja, marcaram o seu caminho.
A Festa Anual continuou com o almoço e a Sessão Solene e terminou, assim, entre a gratidão por uma história construída ao longo de décadas e o desafio de um novo ciclo: guardar a herança sem ficar presa a ela, discernir o que precisa de mudar e continuar a trabalhar para que Jesus reine.
Veja o vídeo da homilia:

