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Páscoa: a vida abre caminho

A Quaresma conduziu-nos por um caminho. A Páscoa ajuda-nos a perceber para onde esse caminho nos leva. Não é apenas o fim de um percurso. É a descoberta de que a vida se abre precisamente onde parecia ter terminado.

A Carta aos Hebreus lembra-nos que Deus falou muitas vezes e de muitos modos ao seu povo. E continua a falar. Não ficou no passado. Fala na História, mas também nos dias concretos de cada um de nós, nas situações onde tantas vezes não esperamos encontrá-Lo.

Fala-nos por meio de Jesus, Palavra viva e encarnada. Não como uma ideia, mas como uma vida. Uma vida feita de encontros, de proximidade, de compaixão e também de sofrimento e de entrega. É nesse chão, tantas vezes frágil, que Deus se deixa escutar.

Na Última Ceia, Jesus não nos deixa apenas um gesto para repetir. Entrega-se. E quem é capaz de O acolher mergulhanesse movimento: uma vida que se faz dom, que se reparte, que se oferece como serviço. A fé pascal não é apenas acreditar em algo. É aprender uma forma nova de viver.

O nosso tempo está marcado por palavras duras e imagens de ruína. A guerra, a divisão e o medo fazem-se presentes todos os dias. Há momentos em que o horizonte parece fechar-se. E, no entanto, é precisamente aí que ressoa outra palavra, discreta mas firme: uma palavra de paz, de graça, de vida nova, que não segue a lógica da morte.

Há pedras que por vezes nos parecem definitivas. Situações sem saída. Histórias que damos por encerradas. A manhã de Páscoa diz-nos que não é assim. Deus abre caminhos onde nós não somos capazes de os ver. A ressurreição lembra-nos que a vida não fica presa e que a morte não tem a última palavra.

Quando ainda somos capazes de nos comover com a beleza simples, com a bondade silenciosa, com gestos concretos de amor que sustentam a vida, percebemos que nem tudo está perdido. A Páscoa educa o nosso olhar: ajuda-nos a reconhecer os sinais da Vida onde outros apenas veem o fim.

Neste tempo, o Papa Leão convida-nos a rezar de modo particular pelos sacerdotes que atravessam momentos de dificuldade na sua vocação. Também eles conhecem o cansaço, a fragilidade e a incerteza. Precisam de proximidade, de acompanhamento e de oração. Uma comunidade que cuida dos seus pastores ajuda-os a reencontrar o sentido do dom que receberam. Também aqui a vida é chamada a abrir caminho.

Estar reconciliado com a vida não é ignorar o sofrimento nem afastar-se do mundo. É permanecer no meio da realidade com um olhar que não desiste. Um olhar capaz de reconhecer que Deus continua a falar, mesmo quando a sua voz parece distante.

Seguimos Aquele que vive. E isso orienta o nosso caminho.

Que este tempo pascal seja para todos nós um caminho de vida nova.

 

Padre João Marçalo, Sac. Diocesano

Imagem: © Empty Tomb Resurrection Dawn Light Shroud Stone Entrance Divine Mystery Hope  (Free PNG and Clipart)