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D. Manuel Felício: servir a Igreja sem idade nem fronteiras

Numa entrevista ao Jornal da Beira, D. Manuel da Rocha Felício, Bispo Emérito da Guarda, faz um balanço muito positivo da missão que está a realizar na Diocese do Sumbe, em Angola. Depois de 20 anos como Bispo da Guarda, sublinha que esta nova etapa foi uma escolha livre e pessoal, assumida como continuação do seu serviço à Igreja.

1. Uma nova missão depois da Guarda

D. Manuel Felício chegou a Angola em abril de 2025. Está particularmente ligado ao Centro Missionário da Missão D. João de Oliveira Matos, que integra uma escola primária, um centro de formação profissional e um espaço de espiritualidade destinado sobretudo à formação e acompanhamento de agentes pastorais.

A sua missão passa pela formação, pelo acompanhamento espiritual e pelo apoio à pastoral da Diocese do Sumbe.

2. Uma Igreja com desafios muito diferentes

O Bispo Emérito descreve uma realidade pastoral marcada pelas enormes distâncias, pela dispersão das comunidades e pela escassez de sacerdotes. Refere paróquias com dezenas de comunidades cristãs e situações em que o padre consegue celebrar a Eucaristia numa determinada comunidade apenas algumas vezes por ano.

Perante esta realidade, salienta a importância decisiva dos leigos e agentes pastorais, que asseguram a vida quotidiana das comunidades quando o sacerdote não pode estar presente.

3. Formação como prioridade

Uma das grandes preocupações de D. Manuel é a formação dos agentes pastorais. Não basta transmitir conhecimentos: é necessário formar pessoas capazes de acompanhar comunidades, enfrentar conflitos, promover a reconciliação e ajudar a construir uma Igreja mais participativa.

A formação deve ser espiritual, pastoral e humana, mas também preparar para questões sociais concretas que atravessam a sociedade angolana.

4. Pobreza e desigualdades sociais

A entrevista aborda também os grandes desafios sociais de Angola. D. Manuel refere a pobreza, as desigualdades, as dificuldades no acesso à educação e as fragilidades das populações rurais.

Defende uma Igreja atenta à realidade social e capaz de promover reconciliação nacional, diálogo, participação cívica e solidariedade, evitando simultaneamente instrumentalizações partidárias.

5. Uma missão que deseja que continue

D. Manuel considera importante que o projeto missionário tenha continuidade para além da sua presença. O objetivo é consolidar estruturas e formar pessoas que possam garantir o trabalho no futuro.

Deseja particularmente que o Centro Missionário se torne cada vez mais um lugar de formação, espiritualidade, encontro e serviço às comunidades.

6. A Guarda continua presente

Apesar da distância, acompanha a vida da Diocese da Guarda e mantém contacto com o seu sucessor. Afirma estar atento ao novo caminho pastoral da Diocese, nomeadamente à reorganização das paróquias e comunidades.

Reconhece algumas semelhanças entre Guarda e Sumbe: territórios extensos, comunidades dispersas e necessidade de encontrar novas formas de organização pastoral.

7. “Dou graças a Deus por estar em Angola”

A frase que dá título à entrevista sintetiza o seu estado de espírito:

“Dou graças a Deus por estar em Angola e por esta ter sido a minha escolha livre, depois de 20 anos como Bispo da Guarda.”

Na conclusão, apresenta esta etapa não como uma espécie de “reforma”, mas como uma nova forma de continuar a servir a Igreja. Aos 20 anos de ministério episcopal na Guarda sucede agora uma missão diferente: mais próxima das comunidades, centrada na formação, no acompanhamento e na evangelização.

No conjunto, a entrevista apresenta um D. Manuel Felício sereno com a passagem de testemunho na Guarda, entusiasmado com a missão em Angola e particularmente preocupado com a formação, a corresponsabilidade dos leigos e a construção de comunidades cristãs capazes de caminhar mesmo quando o sacerdote não pode estar presente.

Fonte: Jornal da Beira – Diocese de Viseu

Foto: Comunicação da Diocese de Sumbe