«Um Sacramento, Dois Ministérios» foi o tema do encontro que decorreu no dia 24 de outubro, no Seminário da Guarda, reunindo 23 participantes, entre os quais 13 diáconos permanentes e 10 sacerdotes, num momento de reflexão, diálogo e comunhão.
O encontro contou com a intervenção do Bispo Diocesano, D. José Miguel Pereira, que, partindo da reflexão desenvolvida no seu livro Ser Igreja, ser na Igreja – Do ser comunhão ao agir vocacional, publicado pela Paulus, abordou a identidade, a comunhão e a missão dos ministérios ordenados.
O Bispo sublinhou que o sacramento da Ordem não se resume ao exercício de funções ou à realização de tarefas, mas configura uma forma própria de ser e estar na Igreja. O ministro ordenado é constituído, pelo sacramento, sinal vivo de Cristo, tornando presente, através do seu ministério, uma dimensão do mistério de Cristo, da sua entrega redentora e da comunicação das graças da Páscoa.
Trata-se de uma vocação que se inaugura com a receção do sacramento da Ordem e se vive ao serviço do Povo de Deus. Antes de tudo, importa aquilo que se é. É dessa identidade sacramental que nasce aquilo que se faz. O ministério não existe para benefício dos ministros, mas para a edificação e santificação da Igreja.
D. José Pereira destacou ainda três dimensões fundamentais do ministério ordenado: a sacramentalidade, a ministerialidade e a comunhão. Recordou que bispos, presbíteros e diáconos participam, de modo próprio e distinto, no único ministério de Cristo, sendo chamados a exercê-lo em comunhão e nunca de forma isolada.
Uma atenção particular foi dedicada à identidade e missão dos diáconos permanentes. O Bispo salientou que os diáconos não são «minipadres», nem simples auxiliares para celebrações ou funerais, mas ministros ordenados com uma vocação própria, chamados a animar a vida cristã e a testemunhar o Evangelho nas realidades familiares, profissionais e sociais.
Neste sentido, desafiou a Igreja diocesana a promover um diaconado cada vez mais missionário, capaz de sair das igrejas, aproximar-se dos afastados e levar a presença de Cristo às periferias da vida quotidiana. A missão dos diáconos não se esgota no serviço litúrgico ou na ação sociocaritativa, mas estende-se à evangelização e à transformação das realidades humanas à luz do Evangelho.
O encontro proporcionou também momentos de partilha sobre os desafios da relação entre sacerdotes e diáconos, reconhecendo a necessidade de continuar a aprofundar o diálogo, a confiança e a colaboração, respeitando a identidade e a missão próprias de cada ministério.
Foi igualmente expressa uma palavra de gratidão aos diáconos permanentes pela generosidade e disponibilidade com que vivem o seu ministério, tantas vezes conciliando as responsabilidades familiares e profissionais com o serviço à Igreja.
Mais do que multiplicar tarefas, o desafio é fortalecer a comunhão e renovar a consciência de uma missão partilhada, na qual cada ministério, com a sua identidade própria, contribui para uma Igreja mais próxima, servidora e evangelizadora.
Ministérios distintos, uma missão comum: servir Cristo e a sua Igreja!
