A Diocese da Guarda promoveu, pela primeira vez, a ADRO – Assembleia Diocesana “Reunir e Ouvir”, uma iniciativa que nasce como sinal de abertura da Igreja ao território e às instituições que nele atuam.
Com vocação de continuidade, a ADRO pretende realizar-se anualmente, afirmando-se como espaço estável de encontro, escuta e colaboração.
A sessão inaugural decorreu no dia 21 de abril de 2026, no Café-Concerto do Teatro Municipal da Guarda, subordinada ao tema: “Que atenções prioritárias se pedem à Diocese da Guarda na sua presença e ação no nosso território comum?”.
Inspirada no caminho sinodal promovido pelo Papa Francisco, esta assembleia reuniu representantes de diversos setores da sociedade civil — educação, ação social, segurança, justiça, poder autárquico e saúde — convidados a partilhar leituras, desafios e propostas concretas quanto ao contributo da Diocese para o bem comum.
A escolha da data não foi aleatória, assinalando o aniversário do término do ministério do Papa Francisco, cujos desafios pastorais a Diocese da Guarda deseja continuar a concretizar no contexto local.
Na abertura dos trabalhos, o Bispo da Guarda, D. José Pereira, agradeceu a presença de todos e sublinhou o sentido desta iniciativa: “Queremos conhecer escutando. Este é um caminho que desejamos fazer convosco, para melhor responder, em conjunto, aos desafios do nosso território, cada um na sua área, em ordem ao bem comum.”
O coordenador do Secretariado de Coordenação Pastoral, Padre Jorge Colaço, referiu que a Diocese da Guarda está num “processo de discernimento e escuta”, com o objetivo de “fazer algo de melhor pelas pessoas e pelas comunidades”.
D. José Pereira destacou no final da Assembleia a importância de “construir conjuntamente melhores formas de serviço”, valorizando o diálogo por áreas de atuação e a partilha de experiências. Manifestou também gratidão pela confiança demonstrada: “Comove ver como continuam a dar crédito à Igreja, reconhecendo-a como parceira de proximidade e de renovado empenho.”
Na sua intervenção, sublinhou que a Igreja deve continuar a investir numa presença próxima, especialmente junto das famílias, dos idosos, das crianças e de quantos vivem situações de isolamento. “Qualquer reforma pastoral não pode significar afastamento, mas sim reconfiguração da nossa presença. Não é para sair, mas para multiplicar redes de proximidade”, afirmou.
Entre os contributos que recolheu deste primeiro ADRO, D. José Pereira destacou quatro eixos fundamentais:
1. Fraternidade
Num mundo marcado pela polarização, torna-se essencial criar espaços de encontro e reconciliação. “Somos irmãos, apesar das diferenças e fragilidades. Precisamos de caminhos de reencontro e comunhão na diversidade.”
2. Paz e justiça
A construção da paz exige ir além da lógica do merecimento. “Mais do que o que o outro merece, importa perceber o que o outro precisa.” Neste sentido, reforçou a importância da presença da Igreja em contextos como hospitais e prisões.
3. Espiritualidade
Dimensão essencial da pessoa humana, mesmo para quem não professa a fé. A Igreja quer afirmar-se como parceira nesta área, em diálogo com a escola, a família e a sociedade.
4. Esperança
Num tempo marcado por inseguranças, nomeadamente ao nível da saúde mental, a esperança deve ser promovida como lugar de encontro e trabalho comum. “Há algo que permanece, mesmo no meio do que é mutável.”
O Bispo assinalou ainda, com particular emoção, a presença de membros da comunidade ortodoxa ucraniana, sublinhando a importância de aprofundar caminhos de encontro e partilha espiritual.
Encerrando o encontro, D. José Pereira reiterou a intenção de repetir a iniciativa anualmente na mesma data, admitindo avaliar, com os participantes, possíveis ajustamentos ao formato e horário. Sublinhou ainda o desejo de que os próximos encontros não se limitem ao diagnóstico, mas avancem para a avaliação e definição de caminhos concretos: “Que a fraternidade que aqui experimentámos nos conduza.”
Deste modo, a ADRO afirma-se como um passo significativo no aprofundamento de uma Igreja mais próxima, dialogante e comprometida com o território. Um espaço onde escutar se torna ponto de partida para agir, e onde a construção do bem comum se faz em conjunto, com todos.
GECRP
