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Jornadas do Clero do Centro arrancaram em Fátima com apelo à conversão das relações – Dia 1

As Jornadas de Formação do Clero das Dioceses do Centro 2026 tiveram início ontem, em Fátima, reunindo sacerdotes das dioceses de Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria-Fátima, Portalegre-Castelo Branco e Viseu, sob o tema “Conversão das relações: da comunhão à missão”.

Na sessão de abertura, D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra e vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, dirigiu uma palavra de “ânimo e entusiasmo” aos participantes, sublinhando a importância de viver estes dias de formação como resposta fiel à vocação sacerdotal. Referindo-se ao dinamismo sinodal vivido pela Igreja universal, destacou a necessidade de dar continuidade ao processo evangelizador, através de uma renovação das relações com Deus, entre os ministros ordenados e com as comunidades.

“O clero é o rosto visível da Igreja. Sem um percurso formativo contínuo, corremos o risco de ficar estagnados no tempo”, alertou o prelado, sublinhando a relevância deste tempo formativo que decorre até 29 de janeiro.

O primeiro orador das Jornadas foi Dario Vitali, professor da Universidade Gregoriana de Roma e consultor da Secretaria Geral do Sínodo, que refletiu sobre o tema “Raízes sacramentais do Povo de Deus – O santo Povo de Deus que é a Igreja”. A intervenção apresentou uma visão renovada da Igreja como Povo de Deus dinâmico, sacramental e sinodal, reafirmando a receção madura do Concílio Vaticano II e a sinodalidade como caminho para o futuro da Igreja.

Dario Vitali destacou a valorização da Igreja local, o princípio da “troca de dons” entre Igrejas e a importância da escuta como atitude fundamental da vida eclesial. “Não é o direito de falar, mas o dever de escutar”, afirmou, sublinhando a necessidade de uma nova dinâmica relacional entre bispo, presbitério e Povo de Deus.

Durante a tarde, o orador aprofundou o tema “A conversão das relações na perspetiva do Sínodo”, apresentando a sinodalidade como um processo de escuta recíproca e discernimento comunitário, animado pelo Espírito Santo. A reflexão culminou em trabalhos de grupo, segundo a metodologia da Conversação no Espírito, centrados na questão do discernimento sinodal na Igreja local.

As Jornadas contam ainda com as intervenções de Alphonse Borras, especialista em direito canónico e sinodalidade, e com uma reflexão sobre o burnout no clero, conduzida por Margarida Neto e Emilio Lavaniegos González. As noites são dedicadas ao convívio fraterno, com destaque para um serão musical e orante animado pelo padre João Paulo Vaz.

Inspiradas pelo Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade, que apela a “uma verdadeira conversão das relações” (DF, 50), estas Jornadas pretendem fortalecer a comunhão e renovar o impulso missionário da Igreja nas dioceses do Centro.

A eucaristia de encerramento dos trabalhos do primeiro dia foi presidida pelo nosso Bispo Diocesano.