As Jornadas de Formação do Clero das Dioceses do Centro de 2026 tiveram início na manhã de 27 de janeiro, em Fátima, reunindo sacerdotes das dioceses de Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria-Fátima, Portalegre-Castelo Branco e Viseu, sob o tema “Conversão das relações: da comunhão à missão”.
A sessão de abertura contou com a intervenção de D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra e vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, que dirigiu aos participantes uma mensagem de ânimo e entusiasmo. Na sua reflexão, sublinhou a importância de acolher “de coração aberto a feliz vocação” a que os ministros ordenados são chamados, destacando o dinamismo sinodal vivido atualmente pela Igreja e as suas repercussões na vida das dioceses e comunidades.
Partindo do tema das jornadas, D. Virgílio Antunes reforçou a necessidade de dar continuidade ao processo evangelizador, recordando que os ministros ordenados são “o rosto visível da Igreja” no meio do Povo de Deus. Este caminho implica uma renovação constante da relação com Deus e das relações humanas, dentro e fora da comunidade cristã. O bispo alertou ainda para a importância da formação permanente, afirmando que, sem estes momentos, existe o risco de estagnação, o que “não ajuda a missão”.
A primeira conferência foi conduzida pelo professor Dario Vitali, da Universidade Gregoriana de Roma, que refletiu sobre as raízes sacramentais do Povo de Deus, à luz do Concílio Vaticano II e do Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade. A sua intervenção apresentou uma visão da Igreja como comunhão de Igrejas em caminho, onde a sinodalidade, a colegialidade e o primado se articulam ao serviço da missão.
O conferencista sublinhou que a Igreja se compreende a si mesma como Povo de Deus, sujeito ativo da vida e da missão eclesial, chamado a viver na comunhão dos fiéis e na comunhão entre as Igrejas, em união com o Bispo de Roma. Destacou ainda o papel da Igreja local como princípio estruturante da vida sinodal, valorizando a relação entre o bispo, o presbitério e o Povo de Deus como expressão concreta da comunhão.
Neste contexto, foi evidenciada a importância das relações na vida da Igreja: entre o bispo e os seus presbíteros, entre o presbitério e os fiéis, entre os diversos ministérios e serviços, numa dinâmica de corresponsabilidade e de “troca de dons”, em benefício de toda a comunidade eclesial.
Inspiradas no Documento Final do Sínodo, que apela a “uma verdadeira conversão das relações”, as jornadas incluem momentos de reflexão em grupo, segundo a metodologia das “Conversações no Espírito”, promovendo a escuta, o discernimento e o diálogo fraterno.
O encontro, que decorre até 29 de janeiro, conta ainda com a presença de Alphonse Borras, outro reconhecido especialista na área da sinodalidade. A última tarde será dedicada ao tema do burnout, com intervenções da médica psiquiatra Margarida Neto e de Emilio Lavaniegos González, diretor da Residência Mosén Sol, instituição de apoio a sacerdotes em situação de fragilidade.
As noites são reservadas ao convívio fraterno, com encontros por dioceses e um serão musical e de oração, animado pelo padre João Paulo Vaz, favorecendo o fortalecimento dos laços de comunhão entre os participantes.
Estas Jornadas de Formação constituem um importante momento de renovação espiritual, pastoral e humana para o clero das dioceses do Centro, reafirmando o compromisso com uma Igreja mais sinodal, fraterna e missionária, ao serviço do Evangelho e das comunidades.
