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Jornadas do Clero do Centro 2026 – Dia 2

O segundo dia das Jornadas do Clero das Dioceses do Centro ficou marcado pela reflexão de Alphonse Borras, sacerdote belga e perito na última Assembleia do Sínodo dos Bispos, centrada na conversão das relações no ministério ordenado e na vida das comunidades.

A Conversão das relações no ministério ordenado ao serviço da harmonia

Partindo do Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade, o orador destacou a mudança de paradigma na compreensão do ministério ordenado, que deixa de ser visto “em si mesmo” para ser vivido “na, com e para a comunidade”. Segundo Alphonse Borras, “o ministério ordenado está ao serviço da harmonia, e a harmonia inclui mais ministérios”, sublinhando a dimensão relacional e comunitária da missão.

O Documento Final apresenta o bispo como aquele que “compõe os dons do Espírito na unidade” e valoriza o presbitério como espaço de fraternidade sacerdotal. Neste contexto, os presbíteros são chamados a viver a proximidade com os leigos, superando o isolamento, a sobrecarga e as formas de clericalismo.

O orador referiu ainda a importância de promover de modo mais generoso o diaconado permanente, reconhecendo nos diáconos os animadores da diaconia, dimensão essencial da vida cristã. O desafio lançado aos ministros ordenados passa por se “maravilharem perante a ação de Deus” no seu povo, tornando-se promotores e catalisadores dos carismas presentes nas comunidades.


Conversão das relações na Igreja Local

Na segunda conferência, dedicada ao tema “Comunhão para a missão: conversão das relações na Igreja Local – Diocese, Paróquia e Unidade Pastoral”, Alphonse Borras aprofundou a necessidade de passar de uma visão meramente territorial para uma Igreja assente em laços, partilha de dons e corresponsabilidade.

Sublinhou que a Igreja Católica existe nas Igrejas locais e a partir delas, sendo a Diocese chamada a ser compreendida como comunidade de sujeitos, fundada na igualdade batismal, e como realidade institucional ao serviço da missão.

O Documento Final do Sínodo afirma que a paróquia deve ser “para tudo e para todos”, onde cada pessoa se sinta em casa, especialmente os mais frágeis e invisíveis, promovendo uma presença encarnada no território. “A Igreja local não se reduz a uma paróquia”, recordou o orador, apontando para a necessidade de articulação entre pároco, colaboradores, diáconos e leigos.

Neste contexto, destacou o papel dos conselhos pastorais como verdadeiros espaços de discernimento, revisão de vida e aprofundamento da consciência missionária, e não apenas como estruturas organizativas.

A tarde terminou com trabalho em grupos segundo a metodologia da Conversação no Espírito, a partir da questão: “Que passos devo promover para uma maior corresponsabilidade nas comunidades que me foram confiadas?”

As Jornadas do Clero das Dioceses do Centro 2026 decorrem em Fátima até 29 de janeiro, sob o tema “Conversão das relações: da comunhão à missão”.