“Há um só corpo e um só Espírito, assim como fostes chamados a uma só esperança – a da vossa vocação”
(Ef. 4, 4)
Iniciamos já neste Domingo o Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos, deste ano. Sob o mote que nos é dado por São Paulo, no versículo quatro do capítulo quarto da sua carta aos Efésios, somos convocados a cuidar de três dimensões:
1. A UNIDADE: há um só corpo, somos um só Corpo! Como discípulos de Cristo, nas diferentes denominações cristãs, somos uma só e única Igreja de Cristo. O baptismo, se validamente ministrado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, enxertou-nos a todos os que o recebemos no único Corpo de Cristo, presente entre nós, no mundo. Aquilo que em nós é distinto mas não fere a unidade, é complementaridade, tesouro a partilhar que enriquece o todo. Precisamos de o descobrir e valorizar. O que, ao invés, põe em causa a unidade, é ferida a curar, divisão que descredibiliza o testemunho e a missão que Cristo nos confiou (cf. Jo 17, 23). Precisamos de nos abrir à acção de Deus, que opera em nós o querer e o agir (cf. Fil 2, 13), a fim de refazer a unidade onde ela está posta em causa. Tal como se aplica ao caminho ecuménico entre todas as diferentes denominações cristãs, o mesmo se aplica ao crescimento na oração por toda a Igreja Universal, no cuidado por toda a Igreja diocesana e na reconciliação no seio das nossas comunidades cristãs, paroquiais e familiares. Que nesta semana cessem divisões e se possam percorrer caminhos que ainda não foi possível trilhar.
2. A ESPIRITUALIDADE: há um só Espírito, vivemos num só Espírito. Como testemunhas do Ressuscitado, recebemos o seu único Espírito que nos congregou numa só Igreja, vindos de todas as nações que há debaixo do céu, para o anúncio da fé (cf. Act 2, 3-5) e para o perdão dos pecados (cf. Jo 20, 22-23). Fomos santificados no Espírito. Sujeitos às contingências, aos desencontros, aos limites e ao efémero, só o Espírito Santo nos pode dar a raiz que não perece, o horizonte que não passa, a possibilidade que sempre se renova. Precisamos de cultivar a vida segundo o Espírito que nos mantém em Cristo, como ramos vivos de uma mesma videira (cf. Jo 15, 4). No mercado das propostas de espiritualidade, de cariz mais popular (como crenças, superstições, mezinhas, espiritismos e outras), ou mais secular (como mindfulness, chakras, iogas, reiki e outras), só o único Espírito Santo no conduzirá à plenitude do conhecimento de Deus e da alegria (cf. Jo 16, 13-15. 24). Precisamos de centrar continuamente a proposta cristã na qualidade da vida interior e da amizade com Deus, por Cristo, no Espírito Santo. Que nesta semana se multipliquem as propostas de vida orante.
3. A VOCAÇÃO. Fomos chamados a uma só esperança – a da nossa vocação. Como vivemos no último ano jubilar, a esperança não engana (cf. Rom 5, 5). À luz da afirmação de São Paulo, a esperança não é a expectativa de um qualquer projecto pessoal mas o cumprimento do plano de Deus sobre cada um. Que no horizonte do único corpo e do único Espírito, faz coincidir o plano sobre cada um com o desígnio sobre a Igreja. A vocação de cada um revela-se na vocação sobre a Igreja. Os que fomos chamados em Cristo, recebemos igualmente o apelo a cuidar da Igreja de Cristo, una e santa. Sabemos que Ela é a esposa e mãe que nos conduz no Senhor. Mas Ela é também o próprio corpo místico de Cristo que nos é confiado para que d’Ela cuidemos como de uma filha amada de Deus. Que esta semana aprofunde em nós a alegria de abraçar a nossa vocação no cuidado da Igreja e na sua missão de anunciar o evangelho da esperança.
+ D. José Pereira
Bispo da Guarda
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