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Onde o fogo passou, a vida insiste…

Esta fotografia de Pedro Seixo Rodrigo mostra um contraste duro e profundo: diante dos nossos olhos, um cemitério cheio de flores coloridas, sinais de memória, amor e esperança; ao fundo, a floresta queimada, reduzida a cinza e sombra, sinal de destruição e morte.

O fogo consumiu a vida da natureza, deixando o rasto de uma morte em vida: árvores que já não respiram, colinas despidas, silêncio onde antes havia canto de pássaros e frescura de verde. É a fragilidade do mundo que se mostra, lembrando-nos como tudo o que é terreno pode ser consumido em poucas horas.

E, no entanto, no meio desse cenário de morte, o cemitério ergue-se como paradoxo. Ali repousam corpos, mas não está ausente a vida: as flores, colocadas por mãos humanas, falam de amor; as cruzes, de fé; os túmulos, de memória. Mais ainda, cada pedra aponta para um mistério: a certeza de que a morte não tem a última palavra, porque em Cristo há vida eterna.

Assim, diante da floresta consumida e do cemitério florido, somos convidados a olhar para o essencial:

• Há morte em vida, quando destruímos a criação e esquecemos a fragilidade do nosso mundo.

• Mas há também vida na morte, quando a esperança em Deus nos abre para além do túmulo, para a plenitude que não se apaga.

A imagem é dura e bela ao mesmo tempo: lembra-nos que tudo o que arde pode renascer, e que toda a morte, à luz da fé, pode ser transformada em vida nova.

 

Texto de opinião da total responsabilidade do seu autor – A.M.